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Uma boa notícia para o Brasil na ‘Economist’

Nas últimas décadas setor agrícola sofreu pouca intervenção governamental e mostra bom desempenho

Uma boa notícia para o Brasil na ‘Economist’
Ao contrário dos fazendeiros americanos e europeus, agricultores brasileiros são alguns dos defensores mais ferrenhos do livre comércio no Brasil (Reprodução/Internet)

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O Brasil tornou-se um dos maiores produtores agrícolas do mundo nas últimas décadas, impulsionado pelo boom das commodities do setor. A fartura é tanta que o país está entre os três que mais produzem todas as 15 culturas agrícolas mais vendidas no mercado global. E uma vez que o Brasil consome menos do que planta comparado a outros grandes produtores, é o que mais contribui para alimentar bocas famintas em outras partes do mundo.

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Isso se deve, em grande parte, a uma anomalia. Enquanto setores industriais com poderosos lobbies em Brasília conseguiram agarrar-se a alguns de seus antigos privilégios quando a economia brasileira se abria na década de 1990, o governo abriu mão de intervir com a mesma mão pesada no setor agrícola. Com isso, o país tem menos leis protecionistas e há menos controle estatal no setor agrícola que nas indústrias, apesar de ser um dos maiores produtores agrícolas do mundo.

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Um estudo recente da Câmara de Comércio Internacional, um grupo que promove o comércio global, classificou o Brasil como o mais protecionista entre as 20 maiores economias do mundo. Mas, de acordo com dados da OCDE, o clube dos países ricos, a agricultura é, em grande parte, deixada à própria sorte para que cuide de si mesma. O apoio estatal representa apenas 5,7% da renda agrícola no Brasil, em comparação com 12% nos Estados Unidos, 26% nos países da OCDE e 29% na União Europeia.

Lei do mais forte

Se os agricultores brasileiras inovaram ao longo dos anos não foi graças à ajuda do governo, mas porque foram ameaçados pela concorrência e precisaram inovar. Com isso, ao contrário dos fazendeiros americanos e europeus, os agricultores brasileiros se tornaram alguns dos defensores mais ferrenhos do livre comércio no Brasil. Eles defendem, por exemplo, um acordo Mercosul-União Europeia, que tem sido debatido há anos e está se tornando uma necessidade urgente para o Brasil, uma vez que a partir do próximo ano o país será rico o suficiente para afrouxar suas preferências comerciais. Agricultores baianos, por exemplo, querem criar gado no cerrado, onde o clima é seco demais para a agricultura, mas para que isso seja rentável, eles precisam de novos mercados. Eles gostariam de poder vender para a Europa, onde a carne é muito mais cara.

Kátia Abreu, presidente do principal sindicato de produtores do Brasil, o CNA, afirma que o país precisa repensar toda a sua atitude em relação ao comércio. “Não há sentido em tentar proteger mercados à moda antiga”, diz. “Devíamos olhar para cada pedaço das cadeias de produção”. Agropecuarista, ela faz uma analogia adequada. Diz que salgar e secar a carne de sol funciona bem apenas se a carne for, em primeiro lugar, de boa qualidade. “Todos esses incentivos para indústrias que não conseguem competir, é um desperdício de sal”.

 

Fontes:
The Economist - Leave Well Alone

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1 Opinião

  1. helo disse:

    O PT é urbano, não entende nada do campo, e só dá benesses fiscais nas cidades, na indústria onde contam com os sindicatos. Apesar disso, do MST e da burocracia crescente, das infinitas novas regras, o campo tem melhor desempenho. As bondades do PT fazem mais mal que as maldades?

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