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Uma em cada cinco crianças no Brasil é filha de adolescentes

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 76% das adolescentes que engravidam deixam a escola e 58% não trabalham nem estudam

Uma em cada cinco crianças no Brasil é filha de adolescentes
No Acre, 27% de todos os recém-nascidos são filhos de adolescentes (Foto: Flickr/Ana Volpe)

Uma em cada cinco crianças no Brasil é filha de meninas entre 10 e 19 anos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com a pesquisa, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola e 58% não trabalham nem estudam.

A situação é ainda pior em alguns locais específicos. No Acre, por exemplo, 27% de todos os recém-nascidos são filhos de adolescentes, sendo registrados 617 partos normais entre janeiro e outubro deste ano, apenas na maior maternidade do estado, em Rio Branco.

Devido ao alto número de adolescentes grávidas no estado, a Secretaria de Saúde do Acre criou um projeto de conscientização nas escolas em 2015. Com a iniciativa, que abrange todos os adolescentes, em dois anos os casos foram reduzidos em 11%. “O moralismo e o machismo entram forte. O menino é incentivado a ter várias parceiras e não a ser pai”, explicou o idealizador do projeto, Antonio de Oliveira, em entrevista ao programa Profissão Repórter, da Globo.

A falta de informação para as mulheres fica explicitada quando, na sala de espera do pré-natal, uma menina de 14 anos, grávida de cinco meses, revela que não sabia que precisava tomar anticoncepcional todos os dias para fazer efeito. Já Pamela, de 17 anos, tem dois filhos e está grávida do terceiro.

Já na Ilha de Marajó, no Pará, uma em cada três crianças é filha de adolescentes, com uma média mais alta do que a brasileira. Porém, no estado, não é apenas a gravidez que preocupa. Somente em 2016, o Pará registrou 820 casos de HPV – doença sexualmente transmissível que aumenta a possibilidade de se desenvolver câncer no colo do útero.

“Ultimamente, as jovens estão ficando grávida muito crianças. A gente recebe criança de 12 anos. A gente conversa com as adolescentes, faz palestras, mas o índice é muito grande. E nessa faixa etária muitas se recusam a fazer o pré-natal porque têm vergonha”, revela a agente de saúde, Lidiana Pereira Brito.

Diferentes são as histórias no estado do Pará que expõem a ingenuidade e a falta de conhecimento em relação ao sexo. A agente de saúde Raimunda Vieira tem duas filhas, uma que engravidou aos 15 anos de idade e outra que, aos 14, já está grávida. “Eu acho que é uma cultura. São mães que não conversam com seus filhos e a gente sente essa barreira para falar sobre sexo. Tem família que dialoga com a gente, mas tem família que não aceita”.

Shirlene, de 15 anos, engravidou aos 13 anos, e atualmente é casada com Claudio Guedes, de 36 anos, que não é pai da sua filha. Enquanto isso, Thais teve seu primeiro filho aos 11 anos. Quando esperava o segundo, descobriu que tinha sífilis, mas não vai ao médico se tratar, pois seu marido, de 18 anos, tem ciúmes e a proíbe.

Rotinas diferentes

No Acre, Samara, de 16 anos, está no segundo ano do ensino médio, e frequenta a escola com a sua filha Ágata, de apenas 10 anos, para não largar os estudos. Em Guarulhos, São Paulo, Bruna, também de 16 anos, teve gêmeas ainda aos 14 anos, e, mesmo contando com o apoio da mãe Adriana Souza – que também deu à luz aos 14 anos -, precisou parar de estudar durante um ano.

Adriana não teve tanta sorte, precisou parar de estudar ainda na sexta série do ensino fundamental, e não voltou mais para a escola. Por mês, Adriana e Bruna gastam cerca de 400 fraldas e 60 litros de leite, contando com o auxílio de Felipe, pai das gêmeas, que ajuda nas despesas e está construindo uma casa para morar com Bruna e as filhas.

Camila deu à luz aos 17 anos, sendo obrigada a abandonar a escola ainda no primeiro ano do ensino médio. Mãe de Alice, juntamente com Ícaro – que termina um curso técnico em 2018 e não trabalha -, ela mora na casa da sogra, Kelly Cristina da Silva, que engravidou aos 15 anos, e sustenta a casa sozinha. Avó de Ícaro, Maria da Silva, de 57 anos, ajuda no que pode.

“Meu sonho era fazer intercâmbio, estudar e falar bem inglês. Mas esse sonho já foi. Eu sinto falta da minha liberdade. Fiquei desesperada quando descobri que tava grávida. Pensei: ‘E as festas, e a escola, como vai ficar?’. Quando engravidei, perdi todas as oportunidades de trabalhar”, lamentou Camila.

Fontes:
G1 - Uma em cada 5 crianças no Brasil é filha de meninas entre 10 e 19 anos

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4 Opiniões

  1. Natanael Ferraz disse:

    Adoro pesquisas:
    Somar as adolescentes que deixam a escola por conta da gravidez com aquelas que não trabalham nem estudam é má-fé, ou burrice. Explico: Poucas mulheres trabalham ou estudam nessas condições, elas tem leis que amparam.

    E mais essa:
    “O moralismo e o machismo entram forte. O menino é incentivado a ter várias parceiras e não a ser pai”,
    Esse Antonio Oliveira, lá do Acre, não entende de nada: considera as meninas imaturas para serem mães e quer que os meninos sejam maduros para serem pais. As meninas resolvem…né? Não importa a razão, mas os meninos é que são culpados? Ahh! dá licença.

  2. Daniela Villa disse:

    A Camila reclama que perdeu a liberdade; mas foi justamente por ter liberdade que ela engravidou.

  3. Markut disse:

    Apenas uma das inumeraveis facetas deste horrendo circulo vicioso,graças ao pertinaz terceiro mundismo, em que estamos nos debatendo.
    Prevalece o absoluto descaso pela qualidade do nosso capital humano, revelando o tremendo fracasso do enganador populismo predador,captador de votos dos que se pretendem mais iguais, nesta inviavel democracia de um país de 25% de analfabetos funcionais, que acabam ajudando a perpetuar os maus gestores.
    Sem escolaridade básica competente e pública,prevista, aliás, pela Constituição, como dever de Estado, dificilmente sairemos do atoleiro do sub desenvolvimento.

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    No meu entender a culpa primeiro partiu das autoridades que tiraram dos pais o forte de poder gritar, bater em seus filhos. Eu tenho 71 ano e apanhei muito até porque eu disse que não ia sair com esta m. levei um tremendo cacete. Hoje os jovens soltam pornofonia de todas as qualidades, não respeitam os mais velhos. Lembro de correr atrás do padre para dá a benção. Hoje nem padre se ver mais a não ser na igreja. Os pais não tem mais pulso por seus filhos pois os políticos tiraram os deveres dos país. Conselho Tutelar, Pro-Criança, Delegacia de Policia Criança e Adolescente (DPCA) nada disso resolve, ao contrário criam a não possibilidade dos pais criarem seus filhos com veemência e austeridade e se assim o faz é preso por abandono de incapaz. Respeitei meu irmão ainda com 20 anos e a minha irmã. Não precisava que minha mãe reclamasse eles me ensinavam.Para encerrar, lembro que escondi dentro do bolso o cigarro que estava fumando e queimei a mão pois me encontrei com meu irmão não queria que ele soubesse.

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