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RIO 2016

Uma lição para os nadadores americanos

Atletas que inventaram assalto no Rio para encobrir vandalismo em posto de gasolina serão punidos

Uma lição para os nadadores americanos
Lochte está nos EUA e prestará depoimento à distância à Polícia Civil (Foto:)

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Um escândalo envolvendo quatro nadadores americanos marcou a última semana das Olimpíadas do Rio. Os nadadores James Feigen, Gunnar Bentz, Jack Conger e Ryan Lochte foram indiciados pela polícia por falsa comunicação de crime ao inventar um assalto para encobrir uma confusão em um posto de gasolina.

No último domingo, 14, Feigen, Bentz, Conger e Lochte, vencedor da medalha de ouro no revezamento 4×100 livre da Rio 2016, disseram ter sido assaltados por homens que se passaram por policiais quando voltavam de táxi de uma festa na Casa França, que fica na Lagoa, zona sul do Rio, para a Vila Olímpica, na Barra.

Segundo Lochte, o táxi onde eles estavam foi parado no meio do trajeto por outro veículo de onde saíram homens armados com distintivos que se identificaram como policiais. De acordo com Lochte, os homens ordenaram que todos deitassem no chão e levaram todos os pertences dos atletas.

“Eles mostraram suas armas, disseram para os outros nadadores deitarem no chão. Eu me recusei, falei que não fiz nada de errado, então não vou deitar no chão. Então ele puxou sua arma, engatilhou, colocou na minha testa e disse ‘se abaixa’. Então coloquei as mãos para cima. Eu estava tipo ‘que seja’. Ele pegou nosso dinheiro, minha carteira. Ele deixou meu celular e minhas credenciais”, disse Lochte, ao canal de notícias americano NBC.

No entanto, a polícia desconfiou do relato, já que os nadadores apresentaram versões diferentes do ocorrido e câmeras da Vila Olímpica mostravam que os atletas chegaram ao local em um horário diferente do que relataram, com pertences que teriam sido roubados pelos ladrões. Diante disso, uma investigação foi aberta.

Vandalismo em posto de gasolina

A polícia descobriu que os atletas inventaram o suposto assalto para encobrir uma confusão em um posto de gasolina. De acordo com a polícia, os nadadores deixaram a festa por volta das seis da manhã e pegaram um táxi para retornar à Vila Olímpica. Altamente alcoolizados, eles pararam em um posto de gasolina para usar o banheiro. Porém, ao chegar ao local, Lochte quebrou uma placa de publicidade. Espelhos e a porta do banheiro também foram quebrados.

Dois policiais que faziam bico como seguranças do posto abordaram os atletas para impedir que eles fossem embora. Uma testemunha que passava pelo local percebeu que os seguranças não entendiam inglês e passou a fazer a comunicação entre eles e os atletas. Os nadadores foram liberados após oferecer R$ 100 e uma nota de US$ 20 para cobrir o prejuízo causado.

Porém, Lochte ligou para a mãe, Ileana Lochte, logo após chegar à Vila Olímpica, afirmando que tinha sido assaltado. A história acabou chegando a noticiários de todo o mundo. Lochte e Feigen foram os únicos a sustentar a versão do assalto.

Após a elucidação dos fatos, os nadadores foram duramente criticados por usar um problema da cidade, a violência, para encobrir os próprios erros. “O episódio acirrou um dos maiores incômodos dos brasileiros: gringos que tratam seu país como um destino festivo de terceira classe, onde se pode mentir para policiais e escapar sem problemas”, disse Brian Winter, vice-presidente da Americas Society and Council of the Americas.

O coordenador de comunicação do Comitê Rio 2016 Mario Andrada também foi criticado por caracterizar o episódio como “crianças se divertindo” e dizer que não havia necessidade de punir os atletas:

“Não é necessário ouvir desculpas dele ou de outros atletas. Precisamos entender que essas crianças vieram aqui para se divertir. Vamos deixá-los um pouco em paz. Às vezes, você toma decisões que depois se arrepende. Eles foram se divertir, cometeram um erro, e a vida continua”, disse Andrada em um comunicado oficial da organização olímpica.

Lochte retornou aos EUA na última segunda-feira 15, antes da polícia emitir a apreensão dos passaportes dos atletas. Ele prestará depoimento à distância à Polícia Civil com a colaboração do FBI. Gunnar Bentz e Jack Conger foram detidos quando estavam prestes a embarcar para os EUA. Eles prestaram depoimento e foram liberados. Eles responsabilizaram Lochte pelo incidente e disseram não entender por que o atleta inventou o assalto. Feigen foi indiciado por falsa comunicação de crime. Ele pediu desculpas formais pelo episódio e fez um acordo com a Justiça para pagar uma multa de R$ 35 mil que será revertida em material esportivo e doado para o Instituto Reação, ONG que fica na Rocinha.

 

 

Fontes:
The New York Times-U.S. Swimmers’ Disputed Robbery Claim Fuels Tension in Brazil
El País-A noitada que Ryan Lochte não queria que o mundo soubesse

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4 Opiniões

  1. João D Aniello disse:

    Embora temos problemas sérios para serem resolvidos, isto não justifica sermos tratados como
    idiotas e principalmente colocando em dúvida todo o esforço das nossas autoridades para proteger nossos atletas.
    Achei a punição e a multa bem branda, exigiria uma retratação a nível mundial, como foi a difamação.

  2. Rogerio Faria disse:

    É bom os cubanos verem isso para não retornarem a época de Fulgência Batista quando a ilha era um verdadeiro bordel.

  3. Márcio Faria disse:

    BOM PESSOAL PRA COMEÇO DE OPINIÃO EU SOU AMERICANO TBEM MAS DA AMÉRICA DO SUL BRASIL E TENHO HONRA DE MEU PAÍS. NADA HAVER COM ESSES POLÍTICOS VAGABUNDOS E NAZISTAS. MAS EU PERGUNTO A VOCÊS CIDADÃOS BRASILEIROS, SE FOSSE ALGUÉM AQUI DO BRASIL TIVESSE FEITO ISSO NOS EUA ESTAVA PRESO. AGORA OS MOLEQUES VEM AQUI E FAZ O QUE QUER. ESSA POLÍTICA TEM QUE SER MAIS RÍGIDA. DIREITOS IGUAIS. AINDA POR QUEM DESRESPEITA OUTRO PAÍS. CADEIA NELES

  4. Áureo Ramos de Souza disse:

    SÃO MOLEQUES BRANCOS AMERICANOS, SE FOSSEM UM NEGRO LOGO DIRIAM UM NEGRO AMERICANO. ESSES MOLEQUE DEVERIAM SER PUNIDOS NOS ESTADOS UNIDOS E NÃO PARTICIPAREM MAIS DE JOGOS OLÍMPICOS

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