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OPERAÇÃO CARNE FRACA

Vai uma fraude-inha?

O impacto político e econômico do escândalo da carne brasileira

Vai uma fraude-inha?
Cerca de 80% da carne bovina produzida no Brasil é consumida aqui (Foto: Pixabay)

Como se não bastasse o estigma da febre aftosa, o mercado de carne brasileiro tem agora sua imagem manchada pela fraude. O escândalo da venda de carne vencida ou adulterada e a descoberta da relação promíscua mantida entre fiscais e frigoríficos — desdobramentos da Operação Carne Fraca — já trazem prejuízos de proporções globais para o setor. Não interessa ao mercado externo que o escândalo atinja apenas 0,5% da produção de carne nacional, como declarou o Ministério da Agricultura. O estigma afeta toda a carne brasileira.

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O setor já começa a sofrer barreiras no exterior. Nesta segunda-feira, 20, a Coreia do Sul foi a primeira a anunciar a suspensão temporária da compra de produtos da BRF Foods, além de intensificar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil. A União Europeia, o segundo maior mercado para o setor, seguiu o mesmo caminho e suspendeu a importação de empresas envolvidas na investigação. A Comissão Europeia informou que pediu a seus países membros que aumentem a vigilância sobre a carne vinda do Brasil e pediu explicações das autoridades brasileiras. A China, maior importador, deve seguir o exemplo. O país já está retendo cargas de carne importada do Brasil até receber informações mais detalhadas. O Chile também suspendeu temporariamente as importações de carne do Brasil.

O governo brasileiro torce para que os bloqueios fiquem restritos aos frigoríficos sob investigação e por enquanto respira aliviado. Mas o impacto pode ser desastroso. O país exporta carne bovina fresca para mais de 180 países. O setor lucrou mais de US$ 12 bilhões no mercado internacional no ano passado.

O país levou décadas para conquistar alguns mercados. O americano, por exemplo, um mercado estratégico, de referência para outros países porque tem altos padrões de fiscalização sanitária, só passou a aceitar a carne fresca brasileira em meados de 2015. Negociações com o mercado europeu se prolongaram por oito anos.

Mas, enquanto o governo mantém seu olhar lá fora e tenta, com razão, contornar o mal-estar, vale lembrar que o consumidor mais prejudicado pela fraude é o brasileiro — o país consome mais de 80% da carne bovina e suína produzidas aqui  e cerca de 70% da carne de frango. E não espere que o presidente busque reconquistar a confiança nacional distribuindo vale refeições em churrascarias. Por aqui, a recomendação oficial é olhar, cheirar, procurar saber a procedência, cuspir, devolver.

Graças à boa e velha corrupção brasileira, reconhecida mundialmente como o nosso jeitinho, o país mais uma vez anda para trás. Levou décadas para vencer a febre aftosa, mas pode nunca superar a corrupção.

Fontes:
O Globo - China vai barrar carnes, Coreia do Sul suspende importação de frango e Europa pode seguir mesmo caminho

1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Adoro estatísticas: esse ministro sicofanta que acusou a PF de idiota, disse que 99 porcento dos produtores fazem as coisas certas; logo, 1 porcento fazem errado. Se o escândalo atinge apenas 0,5 porcento como aponta o ministro, falta ele apontar quem são os outros 0,5 porcento que escaparam da ação da PF, a nação precisa saber.

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