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Vale informa que Samarco voltará a operar no 2º semestre de 2020

A Samarco foi responsável, no dia 5 de novembro de 2015, pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, na cidade mineira de Mariana

Vale informa que Samarco voltará a operar no 2º semestre de 2020
Mineradora obterá a licença operacional corretiva ainda em setembro deste ano (Foto: YouTube)

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Com suas atividades interrompidas desde novembro de 2015, a Samarco deverá voltar a operar já no ano que vem, conforme anunciou o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, em teleconferência com analistas. O executivo diz estar confiante que a mineradora – que pertence à Vale e à BHP – obterá a licença operacional corretiva ainda em setembro deste ano, devendo retomar a operação no segundo semestre de 2020.

Para quem não estiver associando o nome à pessoa, é bom lembrar que a Samarco foi responsável, no dia 5 de novembro de 2015, pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, na cidade mineira de Mariana, matando 19 pessoas. A lama também atingiu e aniquilou a bacia hidrográfica do Rio Doce, que abrange um total de 230 cidades mineiras e capixabas, o que configurou – até aquela data – o maior desastre industrial em todo o mundo envolvendo barragens de rejeitos. A Vale superaria este recorde macabro em janeiro deste ano, com a tragédia na cidade mineira de Brumadinho – que matou 270 pessoas.

Pouco a pouco, a Vale vai se desvencilhando do lamaçal e resgata a licença relativa à cava de Alegria Sul, no Complexo de Germano, o mesmo onde ocorreu o desastre de Mariana. Sobre a produção de minério de ferro da própria Vale, atingida pelo rompimento em Brumadinho, o diretor-executivo de Ferrosos, Marcello Spinelli, afirmou na mesma reunião que a mina de Brucutu – paralisada no início do ano – já está produzindo a plena capacidade, ou seja, à razão de 30 milhões de toneladas/ano. Ao retomar Brucutu e Vargem Grande, a Vale nada de braçada – mesmo com mais de 20 corpos ainda desaparecidos – e trabalha no ritmo de produção anual na casa de 345 milhões de toneladas.

Para não esquecer a tragédia

Sabendo que o rio corre para o mar – e também para onde corre a justiça brasileira – a Samarco criou uma outra empresa, a Renova – uma espécie de braço ambientalista desta subsidiária da Vale e da BHP – com o propósito anunciado de indenizar no longo prazo as vítimas diretas e indiretas daquele episódio em Mariana.

A bacia do Rio Doce foi devastada por uma lama contaminada por alumínio, manganês e ferro entre outros rejeitos. Além do total desabastecimento de água potável, várias espécies de peixes, invertebrados, anfíbios, répteis, foram mortas. Espécies endêmicas do Rio Doce podem ter sido extintas. Estima-se que cerca de um trilhão de organismos vivos morreram no desastre. O turismo e a pesca – atividades econômicas características da região – foram cessados.

O anúncio da Vale sobre a retomada das operações da Samarco ocorreu um dia antes de a empresa informar, em 1º de agosto, ter concluído a aquisição da mineradora brasileira Ferrous Resources Limited por US$ 550 milhões (R$ 2,14 bilhões). Assim, a Vale volta com força total a Minas Gerais e abre atalhos também na Bahia. Toda a negociação foi aprovada, sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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2 Opiniões

  1. BS disse:

    A tragédia de Mariana ainda está fresca na memória mineira…

  2. Regina disse:

    Sério?! Esse país é uma palhaçada

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