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CRISE ECONÔMICA

Vambora, Meirelles!

Convém recordar atitudes que o governo já deveria ter implementado de forma mais objetiva, como o limite para os gastos públicos

Vambora, Meirelles!
Governo assumiu há um mês, mas medidas urgentes ainda aguardam (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

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Um jornalista profissional sabe que para dar notícias com segurança é recomendável ter mais de uma fonte. Se compararmos, por exemplo, os dados do PIB medido pelo IBGE, com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), temos respectivamente, quedas de 4,9% e 4,0%, nos últimos 12 meses findos em julho/2016.

Outros dados navegam na mesma direção, ou seja, são correlatos como o índice de desemprego do IBGE, que alcançou 11,3% em junho/2016, mais 3 pontos percentuais em relação a junho/2015 (8,3%) e 4,5 pontos percentuais em relação a junho/2014 (6,8%).

Na última semana, o jornal Valor Econômico divulgou um comparativo das mil maiores empresas do país em 2015, que juntas apresentaram uma redução de faturamento real de 2,8%, excluindo Petrobras e Vale, com o endividamento total crescente em R$ 411 bilhões (+ 28%) e uma relação de geração de resultados operacionais menor que os juros pagos. Das 1.000 maiores empresas, apenas 20% têm suas ações negociadas em bolsa de valores, as demais são empresas de capital fechado, familiares ou não.

Não é, portanto, por falta de fontes ou dados que temos de agir rapidamente com as medidas anunciadas pelo governo, saindo do discurso para a ação rápida. Como exemplificou Maquiavel em seu clássico “O Príncipe”, publicado em 1532, em algumas doenças, no princípio, é fácil a cura e difícil o diagnóstico, mas com o decorrer do tempo, se a enfermidade não for conhecida nem tratada, torna-se fácil o diagnóstico e difícil a cura.  “Assim também ocorre nos assuntos do Estado, porque conhecendo com antecedência os males que o atingem (o que não é dado senão a um homem prudente), a cura é rápida; mas quando, por não se os tiver conhecido logo, vêm eles a crescer de modo a se tornarem do conhecimento de todos, não mais existe remédio”.

Algumas linhas de pensamento heterodoxas têm tentado aliviar a culpa do governo, sugerindo que o grande problema fiscal foi originado pela queda da arrecadação, em função da recessão. É preciso organizar causas e consequências no tempo, para não cair nesta reversão da espiral filosófica. As despesas do governo cresceram absurdamente nos últimos anos, tendo 2014 – por interesse eleitoral – sido seu clímax, e somente após o início do desmonte do modelo da nova matriz econômica, que havia tentado revogar a aritmética, é que a arrecadação passou a cair de modo abrupto. Num país em que, por mais de uma década, os Ministros da Fazenda acumularam a função com a de tesoureiro do partido, não se esperavam bons resultados, pelo menos para as finanças públicas. Já para o partido…

No caso brasileiro, já temos o conhecimento de todos sobre a extensão dos problemas e suas causas, mas está faltando uma ação mais acelerada, já que outro preceito maquiavélico é de que “é preciso fazer todo o mal de uma só vez a fim de que, provado em menos tempo, pareça menos amargo, e o bem pouco a pouco, a fim de que seja mais bem saboreado”.

Dessa forma, vale ressaltar que além do período de interinidade na presidência, já estamos caminhando para um mês desde o início oficial do atual governo, sem que surjam notícias de medidas mais urgentes e necessárias, apenas previsões de queda na taxa de juros ou de inflação abaixo do centro da meta, deixando-se de lado a ideia de que cautela e agilidade deveriam andar unidas.

Assim, convém recordar algumas atitudes que o governo já deveria ter implementado de forma mais clara e objetiva, como o limite para os gastos públicos, um encaminhamento para o futuro da previdência, uma reforma trabalhista que ofereça maior flexibilidade aos acordos entre empregadores e empregados e a indispensável segurança jurídica para estimular os investimentos privados e as privatizações.

Vambora, Meirelles, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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6 Opiniões

  1. Aloisio Fontes disse:

    Ministro da fazenda=tesoureiro do partido, só no Brasil, que vergonha

  2. Eng. Paulo Bancovsky Pioneiro fundador da ANE, ACADEMIA NACIONAL DE ENGENHARIA disse:

    No limiar de eleições municipais, para vereadores e para prefeito, prevendo que mais de um terço dos deputados e senadores , em breve , estarão nas manchetes da Lava a Jato e outras denúncias, restam duas medidas inadiáveis:
    1- somente eleger candidatos ficha limpa,
    2- ação popular fortíssima para garantir a liberdade e a continuidade da Lava Jato, blindando seus gestores de quaisquer ameaças de interrupção e ou desmerecimentos pelos já envolvidos, e dos que estão na mira de serem denunciados.
    Acorda Brasil , participamos de um momento singular. Temos o poder destituir todos os indiciados direta e indiretamente apontados e , mesmo que incorramos em algum erro,o resultado final será exemplar e dignificante.

  3. Aureo Ramos de Souza disse:

    O conteúdo tem algum proveito, mas o que não se pode é cobrar de um governo que veio de meios ilícitos possa fazer algo de bom para o país. Quando foi conclamado o impeachment de Dilma, o Temer deveria sair pois foram eleitos juntos e agora cobrar dele para fazer bem feito torna-se difícil pois com os que o rodeiam e a maioria são focos da operação lava jato, inclusive o Temer.Vamos pensar nas novas eleições de 2018 e esperar que eles façam algo para o país continuar onde deveria estar e que o povo aprenda a votar não do jeito que estou presenciando aqui em Recife uma vasta compra de voto que se diz proibido e eles não estão nem aí.

  4. Troiano disse:

    Creio que não é hora de criticar o novo governo, devemos dar tempo ao tempo pois é difícil agradar a gregos e troianos quando a oposição deixou de fazer o seu papel e deixou o barco correr solto, sempre haverão os prós e os contras mas em linhas gerais o que posso dizer é que dentro de um raciocínio mais lógico não é fácil consertar em tão pouco tempo o estrago feito em 13 anos de desmandos e irresponsabilidades.

  5. Beraldo disse:

    O autor, na sua sanha extremista de direita, tem a coragem de citar Maquiavel, sugerindo que o governo golpista faça rapidamente tudo de mal de uma só vez (reforma d previdência, extinção da CLT, terceirização de toda mão de obra, privatização de tudo que for possível, etc.) e o que for bom (não se sabe a que ele se refere), a conta-gotas.

    É muita cara de pau!!

    “Fora Temer – Eleições Já”.

  6. Gaspar Lemos disse:

    Prezado Berardo, entendo que fazer o mal de uma vez é na verdade fazer o necessário para ajustar as contas públicas, no fundo é bom, mas pode ser percebido como ruim, entendeu?

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