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Chuvas

Vem aí o primeiro verão depois do Bumba

Oito meses após o trágico deslizamento em Niterói, grande parte da população da região metropolitana do Rio continua a mercê dos temporais. Por Hugo Souza

Vem aí o primeiro verão depois do Bumba
Após as chuvas, o Morro do Bumba, em Niterói, veio abaixo (Fonte: Espaço Forte)

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Em julho deste ano a vendedora Ana Paula Gomes dos Santos, de 33 anos de idade, ganhou R$ 100 mil com um bilhete do Rio de Prêmios, jogo de azar operado pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), autarquia do governo fluminense ligada à Casa Civil e responsável pela administração, gerenciamento e fiscalização de jogos deste tipo em todos os municípios do estado. Três meses antes, Ana Paula perdeu 47 vizinhos que morreram soterrados no maior deslizamento da história da cidade onde mora, Niterói, na região metropolitana do Rio, e teve sua casa interditada e condenada à demolição.

Ex-moradora do Bumba, o morro do Bumba, que veio abaixo com as chuvas de abril, só mesmo um golpe de sorte, um lance do acaso, fez Ana Paula conseguir algum auxílio de algum órgão do Estado — um Estado burocrático onde só o jogo oficial parece mesmo dar certo, absolutamente incapaz de levar a cabo políticas públicas de moradia digna e segura para o povo trabalhador, de garantir pronto-socorro a quem vê tudo o que tem desmoronar com a lama e o lixo, e de tomar providências para ao menos minimizar a agonia coletiva que toma conta dos bairros populares ao primeiro sinal de chuva grossa que desponta no céu.

Agora, às vésperas do primeiro verão depois da tragédia de abril no morro do Bumba, e das outras mortes em decorrência das fortes chuvas em Niterói, na cidade do Rio de Janeiro e em São Gonçalo, as notícias que chegam ainda ecoando aqueles fatos não são exatamente animadoras. Oito meses após a terra correr no Bumba e da corrida de autoridades ao local para prometerem mundos e fundos, as perspectivas continuam não sendo boas para quem, ano após ano, vê a época de chuvas como um período de penitências extras, a se somarem àquelas de um cotidiano já recheado de dificuldades e agruras, mesmo com céu de brigadeiro.

No Rio, CPI dos Rios

 As fortes chuvas que atingiram o Rio de Janeiro e a região metropolitana da cidade no último dia 5 de dezembro foram um ensaio do que pode estar por vir. Foi sintomático que o temporal tenha inundado até mesmo o abrigo montado pela prefeitura de Niterói para os sobreviventes dos deslizamento de abril.

“No Bumba, perdi sofá, geladeira e saí da minha casa um dia antes da tragédia, ajudada por vizinhos. Aqui, fiquei desabrigada dentro do abrigo”, contou uma das 200 pessoas que vivem atualmente no local à reportagem do jornal O Globo.

Três dias depois da chuva, no dia 8 de dezembro, uma equipe de engenheiros e técnicos do Conselho Regional de Engenharia do Rio (Crea-RJ) foi impedida de realizar uma vistoria nas obras que estão sendo realizadas no Bumba pela Secretaria estadual do Meio Ambiente. Houve denúncias de que no temporal do dia 5 aconteceram novos deslizamentos no morro, inclusive com a água arrancando a grama recém-plantada e fazendo novamente o lixo aparecer. Mesmo de longe e pela TV, os engenheiros e técnicos do Crea-RJ dizem que as obras não estão sendo feitas da maneira correta.

Na estrada Leopoldo Fróes, onde uma imensa quantidade de terra desceu, atravessou a rua e invadiu a casa do iatista Torben Grael, levando consigo um carro que passava e matando o motorista, a encosta íngreme continua com a terra exposta às fortes rajadas de chuva de vento que costumam castigar os morros do entorno da baia de Guanabara no verão.

Na capital fluminense, desde abril foram sanados apenas 25 dos 245 pontos de enchentes que existiam na cidade. Uma CPI foi instalada na Câmara Municipal do Rio para investigar irregularidades na negociação de contratos para limpeza de rios e canais. A comissão descobriu algo ainda pior: hoje, não há contratos deste tipo em vigor no Rio. À população, resta uma fezinha na loteria, rezar, ou cantar: “Chuva, eu peço que caia devagar/Só molhe esse povo de alegria…”.

Caro leitor,

Tendo em vista as enchentes pré-verão no Rio e em São Paulo, você acha que algo melhorou nas grandes cidades do país quanto à preparação para as chuvas?

Você acha que na sequência da tragédia do Bumba houve demagogia demais e providências de menos por parte das autoridades?

Diante da gravidade do que acontece no verão, deveria haver no Brasil uma espécie de “Programa de Aceleração da Prevenção de Catástrofes”?

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4 Opiniões

  1. Markut disse:

    Atrás desta tragédia recorrente e cíclica, exatamente uma vez por ano, não só no Rio e São Paulo, está uma gestão inepta e inapetente.
    Ela resulta de toda uma estrutura política de ocupação de cargos, não por meritocracia, mas por indicações (QI), visando uma histórica estrutura gestora viciada, se possivel, ad infinitum.
    Nesse panorama, não há ambiente para planejamentos e cumprimento de etapas de execução, com vistas à real proteção das vidas e posses das populações mais desprotegidas, cuja sorte é abandonada às traças, sem o mínimo pendor cívico.
    Esse círculo vicioso só poderá ser rompido quando a massa for mais bem esclarecida, pela escolaridade competente, capaz, aí sim, de cobrar efetivamente os seus direitos.
    Em suma, a população paga o preço da sua inaptidão cidadã,graças à sua ignorância, patrocinada pelo mau gestor.

  2. Osvaldo Gomes Bomfim disse:

    Houve Crime de Omissão, Negligência, Desídia e relaxamento no desempenho das funcões do Prefeito Jorge Roberto Silviera e do Secretário José Roberto Mocarzel, além de demagogia e na tragédia do Bumba.

    As providências para previnir e precaver a tragédia não foram tomadas, quando o Secretário de Ação Social, João Medeiros alertou os dois com os pareceres técnicos do perítos da UFF, os mesmos, reponderam ao sercretário, que não administravam a cidade para os pobres, somente para os ricos. Que pobres tem mesmo é que morrer. Eles ignoradas a trajédia e as Provas do Crime de Omissão foram remetidas aos Ministério Público pelo Secretário João Medeiros. Quando o Prefeito viu que a cidade inteira, o mundo inteiro estava revoltado com ele, numa ação estratégica, saiu da posição de réu e inventou que está com cancer para virar vítima. Para que o povo ficasse com pena daquele que ocasionou 187 mortos e mais de 5000 desabrigados. A última chuva do dia 5 de dezembro, desceu um mundo de lama na Rua Noronha Torrezão e encheu todas as casas com a lama do Bumba. Eu tive um prejuízo de mais de R$ 5.000,00(cinco mil reais) com as lamas do Morro do Bumba. Vou precessar a Prefeitura de Niterói e o Sr. Jortge Roberto Saad Silveira também.
    Paraser Prefeito é necessário Trabalhar pela cidade, coisa que ele não gosta.

    Osvaldo Gomeds Bomfim, eu serei em 2012 o novo prefeito de Niterói.

  3. Markut disse:

    Pontuar um caso não adianta nada. Provavelmente, o “bem intencionado” Bonfim,futuro prefeito de Niterói(?), se assumir o cargo, acabará soando o mesmo diapasão dos seus antecessores.
    Enquanto não houver povo escolarizado, capaz de pressionar, de baixo para cima,teremos mais do mesmo: demagogia barata , incompetência e interesses excusos.
    E tome mais deslizamentos e mortes. Quem manda ser pobre?

  4. helio disse:

    Outro verão da ignorância. Markut como sempre certíssimo.

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