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CRISE ELÉTRICA

Venezuela pode suspender repasse de eletricidade a Roraima

Roraima é o único estado brasileiro que não está integrado ao sistema elétrico nacional, dependendo da distribuição de eletricidade da Venezuela

Venezuela pode suspender repasse de eletricidade a Roraima
Eletronorte está devendo cerca de US$ 30 milhões à empresa estatal venezuelana (Foto: PxHere)

O estado de Roraima, que lida diariamente com um intenso fluxo de migrantes venezuelanos, está diante de uma eventual nova crise: a possibilidade de ficar sem energia elétrica. Isso porque a estatal Corpolec, da Venezuela, ameaça suspender a distribuição de energia ao estado brasileiro.

Roraima é a única unidade federativa do Brasil que não está integrada ao sistema elétrico nacional, dependendo da distribuição da Venezuela. A Eletronorte, responsável pela distribuição de energia no estado, compra a eletricidade da Corpolec, pagando US$ 4 milhões mensais.

No entanto, uma crescente dívida estaria ameaçando a distribuição de energia, que é feita desde 2001. A Eletronorte admite que está devendo cerca de US$ 30 milhões, mas o motivo não seria a falta de dinheiro. As sanções aplicadas pelos Estados Unidos à Venezuela estariam impedindo que a transferência monetária fosse realizada.

O Brasil busca formas de solucionar o problema, mas o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já garantiram que Roraima não ficará sem eletricidade. Caso a distribuição da Corpolec seja suspensa, as usinas termelétricas serão ativadas para solucionar temporariamente a questão. No entanto, a ação pode encarecer as contas de luz, além de ser mais poluente – as termoelétricas são movidas a óleo diesel.

“As termelétricas têm um custo de operação mais elevado e, portanto, trazem custo adicional para a operação do sistema. Esse custo eventual é recuperado no âmbito da Conta de Desenvolvimento Energético, portanto, é custeado por todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional”, admitiu a Aneel à Agência Brasil,

Segundo informações do jornal El País, repassadas pela Eletronorte, apenas neste ano já foram registrados 41 apagões em Roraima. O número já é maior do que o registrado ao longo de todo o ano de 2017, que totalizou 33 desligamentos de energia. Com a intensificação do problema, o receio é que o corte de energia aconteça de uma hora para outra, visto que, segundo o chefe da Casa Civil de Roraima, Frederico Linhares, os venezuelanos não repassam muitas informações.

“É um contato extraoficial, facilitado pelo fato de sermos um estado fronteiriço que tem relações comerciais diretas com o país vizinho, mas eles nos dizem muito pouco. Nem sequer confirmam se de fato há uma ameaça de suspender o fornecimento para Roraima”, explicou à Agência Brasil.

Ao El País, o senador Romero Jucá (MDB-RR) explicou que a principal alternativa é a construção de uma linha de transmissão elétrica, que vai conectar Manaus (AM) a Boa Vista (RR). No entanto, as obras devem demorar cerca de dois anos, com previsão para terminar em 2020. A medida precisa da aprovação de indígenas, pois cerca de 123 quilômetros atravessam a Terra Indígena Waimiri-Atroari.

Apesar de todos os problemas na distribuição de energia, o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avalia que o Brasil deve se esforçar para resolver o impasse e manter o acordo com a Venezuela.

“O governo deve fazer o possível para manter este acordo com a Venezuela, porque é conveniente para os dois países financeiramente. Agora, na medida que esse impasse continue demorando a ser resolvido, o interesse do Brasil em interligar Roraima ao sistema elétrico brasileiro deve crescer”, disse ao El País.

 

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Fontes:
Agência Brasil-Venezuela pode suspender repasse de energia elétrica a Roraima
El País-Ameaça de apagão por decisão da Venezuela, outro ingrediente da crise em Roraima

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