Início » Brasil » Venezuelanos enviados a São Paulo encontram emprego
VIDA NOVA

Venezuelanos enviados a São Paulo encontram emprego

Quase 30% dos venezuelanos levados de Roraima para São Paulo no processo de interiorização do governo já arrumaram um emprego

Venezuelanos enviados a São Paulo encontram emprego
Imigrantes começaram a chegar em São Paulo em abril deste ano (Foto: Miguel Pachioni/Acnur)

Quase 30% dos venezuelanos que chegaram a São Paulo a partir do processo de interiorização do governo federal já arrumaram emprego. Ao todo, 81 dos 287 estrangeiros já conquistaram uma vaga no mercado de trabalho, conforme informou a Organização das Nações Unidas (ONU) na última terça-feira, 31.

Os imigrantes começaram a chegar em São Paulo em abril, a partir do processo de interiorização, mas, em menos de quatro meses, já vêm conquistado espaço no mercado de trabalho. Os empregos são em diferentes setores, contando com o apoio da sociedade civil, da sensibilização da iniciativa privada, do poder público e da força de vontade dos próprios venezuelanos.

Isso porque, enquanto o poder público, em parceria com agências da ONU, promove seminários com oportunidades de emprego e serviços como elaboração de currículos, preparação para entrevistas, cursos de inglês e emissão de CPF e Carteira de Trabalho, os venezuelanos buscam aproveitar todas as oportunidades.

No mercado de trabalho, os venezuelanos têm os mesmos direitos e deveres que os brasileiros, como explicou o auditor fiscal do trabalho Luiz Alberto Matos dos Santos, que tem participado dos seminários. “A lei trabalhista vigente para brasileiros é exatamente a mesma para refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes, inclusive assegurando os mesmos direitos e deveres, sem qualquer distinção”, disse Santos.

Yofre, de 35 anos, foi um dos primeiros a chegar em São Paulo, saindo de Boa Vista (RR) – onde estava desde outubro de 2017 – no primeiro voo do processo de interiorização, em abril. O venezuelano foi acolhido no Centro Temporário de Acolhimento (CTA) de São Mateus, na zona leste da cidade. Lá, se uniu a outros quatro imigrantes para prestar serviços gerais, aproveitando sua experiência para buscar uma melhor condição de vida no Brasil.

“Nos conhecemos aqui no CTA de São Mateus. Juntamos nossas experiências e já estamos prestando uma variedade de serviços. Somos qualificados para realizar trabalhos com qualidade e temos muita força de vontade. Vamos formalizar nosso negócio e buscar novos aprendizados que ampliarão nossa atuação profissional”, disse Yofre.

Alejandro, de 33 anos, por sua vez, também chegou em São Paulo em abril deste ano, depois de ter chegado em Boa Vista em fevereiro. O venezuelano trabalha no setor público como orientador educativo na Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS), da prefeitura de São Paulo. Grato pela oportunidade, o imigrante quer agradecer tudo o que os brasileiros têm feito por ele e por seus compatriotas.

“Tenho uma ideia de realizar um projeto social para atender crianças e adolescentes brasileiros em situação de rua para devolver tudo o que o Brasil tem feito por nós. Os brasileiros nos acolheram e quero contribuir para o acolhimento do futuro do país”, disse Alejandro.

Johny, de 50 anos, chegou em São Paulo um mês depois, em maio, juntamente com seu filho, depois de passar três meses em um abrigo em Boa Vista. Na Venezuela trabalhava como técnico de engenharia civil. Agora, está há um mês como estoquista em uma empresa de logística.

“A cada dia aprendo mais, compartilho também o conhecimento que tenho e assim vamos contribuindo para a constante melhora dos resultados da empresa”, explicou o venezuelano, que fez um curso de capacitação profissional e foi encaminhado para a entrevista de emprego através do Programa Trabalho Novo, da Prefeitura de São Paulo.

Alguns brasileiros têm expressado temor em relação à chegada dos venezuelanos, por considerar que ela acarretará na perda de espaço entre brasileiros no mercado do trabalho. No entanto, Felipe Pateo, analista técnico de Políticas Sociais do Ministério do Trabalho, garante que isso não vai acontecer.

“Estatisticamente, não há competição, pois a quantidade de refugiados e solicitantes de refúgio no país representa uma parcela muito pequena da população no Brasil. Trata-se, sim, de um tema humanitário em que devemos acolher, até porque os resultados gerados são muito positivos. Os refugiados e migrantes tendem a ser profissionais mais qualificados, com menor índice de rotatividade, falam outros idiomas e recriam o ambiente de trabalho, trazendo o potencial de inovação com sua atuação profissional”, afirmou Pateo.

Emissão de Carteira de Trabalho

O sucesso dos venezuelanos na busca por empregos também é demonstrado nos números de emissões de Carteira de Trabalho. O grande fluxo de imigrantes venezuelanos impulsionou o aumento de impressões do documento, segundo informou o Ministério do Trabalho nesta quarta-feira, 1.

Apenas no estado de Roraima, que conta com um grande número de venezuelanos, foram emitidos 10.350 Carteiras de Trabalho para estrangeiros, superando o número de emissões do documento para brasileiros na região. A quantidade representa um aumento de 72% em comparação com o mesmo período de 2017.

De uma forma geral, o Ministério do Trabalho registrou um aumento de quase 12 mil emissões de Carteiras de Trabalho para estrangeiros em comparação com o primeiro semestre do ano passado. Enquanto em 2017, nesse período, foram emitidos 22.938 documentos, foram registrados 34.727 em 2018.

Processo de interiorização

Até o momento, 820 pessoas já passaram pelo processo de interiorização promovido a partir do estado de Roraima. No último dia 24 de julho, data da mais recente etapa do processo, 130 venezuelanos foram transferidos para Cuiabá (MT), Brasília (DF), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).

A interiorização é uma iniciativa do governo federal, com o apoio da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), da Agência da ONU para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

 

Leia também: Venezuelanos passam por novo processo de interiorização
Leia também: Senado aprova apoio a venezuelanos em Roraima
Leia também: Venezuelanos seguem migrando em busca de melhores condições

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *