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ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Violência marca disputa política no Rio de Janeiro

Desde novembro do ano passado, 15 políticos ou candidatos foram mortos no estado. A maioria na Baixada Fluminense

Violência marca disputa política no Rio de Janeiro
Eleições deste ano aparentam ser mais mortais do que as anteriores (Foto: Wikimedia)

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O presidente da Portela e candidato a vereador do Rio de Janeiro, Marcos Vieira de Souza, conhecido como Falcon, foi assassinado a tiros na tarde da última segunda-feira, 25. Segundo relatos de testemunhas, dois homens armados e encapuzados entraram no comitê de campanha do candidato, em Madureira, zona norte do Rio, atiraram contra ele e fugiram.

De acordo com a polícia, trata-se do 15º candidato ou político mortos no estado do Rio de Janeiro desde novembro de 2015. A maioria esmagadora (14) na Baixada Fluminense, lar de algumas das mais pobres favelas cariocas, várias dominadas por narcotraficantes ou milícias (como são chamados os esquadrões da morte formados por policiais e ex-policiais).

Em entrevista ao Wall Street Journal, o professor e pesquisador de crime e políticas de segurança da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ignacio Cano, explica que, na Baixada Fluminense, a violência rege a disputa política. “Lá tem de tudo. A violência é um elemento tradicional das disputas políticas da Baixada”.

Segundo Cano, as eleições municipais deste ano aparentam ser mais mortais do que as anteriores. No entanto, ele diz não ser possível afirmar que a violência está aumentando. Isso porque episódios de violência política sempre ocorreram na Baixada Fluminense. A diferença é que hoje as redes sociais e smartphones dão maior exposição aos fatos.

A polícia tenta desvincular as mortes à disputa política, afirmando que algumas tiveram ligação com tráfico de drogas. “O medo criado em torno de candidatos se tornando alvos é irreal”, diz  Giniton Lages, delegado titular da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense. Lages acusa a mídia de “pintar um perigoso retrato da democracia”.

Apesar disso, muitos candidatos desistiram de concorrer por questão de segurança. Outros decidiram continuar no pleito, apesar de sofrerem ameaças e até mesmo ataques. Um deles é André Luis de Oliveira Cristino, policial e candidato a prefeito de Japeri. Há quatro dias, ele sofreu um atentado quando retornava para casa, no início da madrugada. O carro de Cristino foi interceptado por outro veículo. Dele, saíram quatro homens que começaram a atirar na direção de Cristino, que saiu ileso por ter o carro blindado. Ele conseguiu dar marcha ré e fugir do local.

Em entrevista ao ‘WSJ’, Cristino afirmou que o atentado teve motivações políticas, mas se recusou a revelar de quem ele suspeita ter partido a ordem. “Qualquer um que tente renovar a cidade, eles tentam conter comprando e, se isso falhar, matando os candidatos”, disse Cristino.

Fontes:
The Wall Street Journal-Killings of Candidates Cast a Shadow Over Rio Elections

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