Início » Brasil » ‘Washington Post’ questiona o papel do BNDES na economia do Brasil
Farra dos empréstimos

‘Washington Post’ questiona o papel do BNDES na economia do Brasil

Em reportagem intitulada 'Um banco talvez grande demais para o Brasil', jornal americano relaciona os efeitos dos empréstimos do BNDES a falhas na contenção da crise e ao aumento da inflação

‘Washington Post’ questiona o papel do BNDES na economia do Brasil
Segundo 'Post', os fartos empréstimos do BNDES estão alimentando a inflação (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O jornal americano Washington Post publicou no último domingo, 14, uma reportagem destacando a importância do BNDES para o Brasil, mas questionando o crescente papel do banco estatal na economia do país.

A reportagem diz que, para escapar da crise internacional, o Brasil estimulou investimentos internos, criando novas linhas de metrô, estaleiros, hidrelétricas e construindo estádios para a Copa de 2014. Por trás destes investimentos está o BNDES, “uma instituição pouco conhecida fora do país, mas central para os formuladores de políticas aqui”. Somente este ano, o banco já investiu US$ 81 bilhões, seu maior desembolso até agora, o que gera dívidas preocupantes e um papel descomunal para o Estado na economia, diz o ‘Post’.

O jornal lembra que desde 2010, o BNDES emprestou um terço de um trilhão de dólares, o dobro do que o Banco Mundial emprestou a 100 países juntos. A maioria dos empréstimos foi destinada ao setor de mineração, agricultura e grandes projetos de construção. Em troca desses desembolsos, o BNDES adquiriu uma participação minoritária em dezenas de empresas privadas, dando a executivos do banco influência sobre as operações dessas empresas. O banco também não deixa claro como escolhe quais empresas privadas vai presentear com empréstimos.

Gigante endividado

Segundo o Post, apesar dos economistas do BNDES alardearem os benefícios que os empréstimos proporcionam, “a crise mundial está finalmente surtindo efeito na maior economia da América Latina”, e um dos motivos para isso seria exatamente os generosos empréstimos do banco estatal.

O jornal questiona a estratégia do governo de distribuir milhões a empresas ricas e articuladas politicamente, como a construtora Odebrecht, uma das queridinhas do governo, tida como uma “campeã nacional”. “Economistas e líderes da oposição acreditam que o foco que o governo dá às ‘campeãs nacionais’ prejudica pequenas empresas, que estão desenvolvendo novas tecnologias e produtos para livrar o país da dependência das commodities”, diz o Post, ressaltando que os fartos empréstimos do BNDES também estão alimentando a inflação.

A reportagem cita ainda uma análise feita por Sergio Lazzarini, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Para Lazzarini, o papel de máquina de investimentos do BNDES ficou mais difícil de ser justificado, à medida que o Brasil completa o “terceiro ano de crescimento decepcionante”.

 

 

Fontes:
The Washington Post-A bank that may be too big for Brazil

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Jayme Mello disse:

    Na atual conjuntura econômica mundial, a que se perguntar, qual seria a credibilidade, a isenção, que o tal “Washington Post” – desculpem o trocadilho -, pois, o dito é notável, “periódico”, mas em fazer elucubrações alarmantes e negativistas contra as economias dos outros países, que estejam “paulatinamente”, se libertando das “amarras internacionais”.

    Portanto, devemos observar com a devida cautela, quais os reais interesses que margeiam e/ou, envolvem as observações deles. Afinal, definitivamente, sabemos hoje que, necessariamente, o que é excelente para nós, pode não ser bom para eles, principalmente, libertação econômica,

    E, se por ventura, houvesse razão plena nas assertivas, dos tais arautos da economia mundial, indubitavelmente, o país deles não estaria nas condições econômicas tão…

  2. Afonso Schroeder disse:

    Este jornal devia cuidar dos negócios de seu País em vez de ficar bisbilhotando outros países, se achar dono da verdade é fácil, o Brasil sabe muito bem administrar seus negócios políticos econômicos internos, ou será que as coisas mudaram e não ficamos mais de chapéu não pra Americano, percebe-se que antes de 2003 só existia negócios com o EUA e nos dias de hoje se busca caminhos pluralizados, que com certeza deve contrariar os seus interesses econômicos.

  3. helo disse:

    O que é bom para os americanos não é necessariamente bom para o Brasil. Entretanto o Post diz uma verdade que não aparece na nossa mídia: a milionária Bolsa Rico via BNDES não tem dado bons resultados e tem sido pouco transparente.
    Se a Bolsa Rico é para incentivar o crescimento é bom lembrar que tivemos um pib negativo enquanto os EUA, a Europa, os países vizinhos e os Brics cresceram.
    Mesmo assim mistérios e ilusões garantirão mais do mesmo em 2014.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *