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RIO DE JANEIRO

Wilson ‘Weekend’ Witzel: do fuzil ao spa em Angra dos Reis

Entre as últimas sexta-feira, 3, e segunda, 6, pelo menos 13 pessoas foram mortas por policiais no Rio de Janeiro

Wilson ‘Weekend’ Witzel: do fuzil ao spa em Angra dos Reis
Nos primeiros três meses de governo Witzel, 434 pessoas foram mortas (Foto: Nelson Perez/Governo do estado do Rio de Janeiro)

No último fim de semana, o jornal Globo contou “vários” buracos de tiros numa tenda usada por religiosos na trilha do Monte do Campo Belo, em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense.

Os tiros, de fuzil, foram disparados do helicóptero no qual o governador Wilson Witzel embarcou no último sábado, 4, junto com policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), para divertir os que lhe seguem as ideias e nas redes sociais: o próprio governador filmou um policial disparando a esmo, ao gosto da loucura que tomou conta do Rio e do país, sobre uma das regiões mais miseráveis da cidade.

O hotel de luxo que hospedou a família Witzel em Angra é mais preciso que o Globo: há 18 buracos, nenhum de tiro de fuzil, em seu campo de golfe projetado por uma dupla de arquitetos britânicos.

O hotel tem trilhas também, mas não como a do Monte do Campo Belo, além de yoga na praia e meditação ao pé da cachoeira. Tudo em segurança e sob a mira, ou melhor, sob os olhares de profissionais especializados, mas não como os da Core. O hotel tem ainda, claro, um heliponto.

Chuva de prata

Dois dias depois, na última segunda, 6, moradores da Maré, no Rio capital, também contavam os buracos no chão causados por tiros de fuzil disparados de cima, de helicópteros, para baixo, na favela, mais uma vez por policiais da Core. A chuva de prata do Core sobre a Maré deixou oito mortos e três feridos, entre eles uma criança.

Foi a segunda operação mais letal levada a cabo por agentes do estado no Rio desde 2013. Nos primeiros três meses de governo Witzel, 434 pessoas foram mortas pelas “forças de segurança” do Rio de Janeiro. É o maior número para um primeiro trimestre em 20 anos.

Entre a últimas sexta-feira, 3, e segunda, 6, pelo menos 13 pessoas foram mortas por policiais no Rio de Janeiro: os oito da Maré e outros cinco quaisquer. Nenhum dos mortos teve o nome divulgado. Foi divulgado que todos eram “suspeitos” que atiraram contra a polícia.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio, Renata Souza, do Psol, denunciou a política de massacre de Witzel à ONU e à OEA.

Marketing positivo

Mas fica a dúvida sobre o que tem mais chance de ser percebido pelos apoiadores do derramamento de sangue como apenas mais um alvo a ser abatido: a ONU, direitos humanos ou uma parlamentar negra do Psol?

A hospedagem da família Witzel durante o último fim de semana, no hotel de luxo em Angra, saiu por conta da casa. No “novo Brasil”, é marketing positivo ajudar Wilson Witzel a relaxar nas sete salas de tratamentos e terapias de um spa de dois mil metros quadrados, após o governador comandar uma sessão de tiros a esmo em morros nada turísticos.

Quanto ao Ministério Público e Judiciário, bem, o hotel preferido de Witzel em Angra dos Reis promete agraciar seus hóspedes de múltiplos perfis com “uma experiência única ao nadar em meio a cardumes quase infinitos de peixes coloridos que encantam e convivem pacificamente entre si”.

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2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Ruim com o Witzel, pior sem ele: experimente recolher os policiais às suas delegacias e quartéis para ver o que acontece?

  2. Hilda. I. C. Mayol disse:

    434 pessoas mortas em três meses desde o início do governo Witzel. Será que eram todas elas “inocentes”? E o tal barraco de lona plantado no meio do nada de um morro deserto servia de quê? De “banheiro”? Ora, convenhamos,será que sempre são as balas da polícia que ferem e matam os trabalhadores e pessoas de bem que habitam as comunidades? Não são nunca dos bandidos que invadiram e infestam nossa cidade e periferia, sem contar os demais municípios do nosso Estado?
    Nosso governador está cumprindo uma de suas promessas da sua campanha para a governança. É isso aí, Sr. Governador, vá em frente e continue seu trabalho para limpar e desinfetar o Rio de Janeiro; estamos
    precisando muito de uma faxina a fundo, porque nossa cidade e Estado não merecem ser vítimas da situação em que se encontram há vários anos e que vem crescendo dia a dia, para desespero de sua população. Parabéns, Dr. Witzel!

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