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Cinema

“Poesia” abre a temporada 2011 do “Filme em foco”

Sessões mensais, seguidas de debate com o público, voltam ao Estação nesta quinta-feira, com a pré-estreia de uma obra premiada em Cannes. Por Solange Noronha

“Poesia” abre a temporada 2011 do “Filme em foco”
O filme "Poesia" de Lee Chang-dong foi vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes

Quem não gosta de ver um bom filme e depois comentar suas impressões? E que tal “trocar figurinha” com quem entende do assunto? Achou melhor ainda? Pois a temporada 2011 do projeto “Filme em foco” começa nesta quinta-feira, dia 10, às 19h20, no Estação Botafogo 1, na Zona Sul do Rio. O filme escolhido é o sul-coreano “Poesia”, de Lee Chang-dong, prêmio de melhor roteiro no último Festival de Cannes, e, após a sessão, haverá debate com os críticos Maria Silvia Camargo, Carlos Alberto Mattos e Ricardo Largman.

Idealizador do “Filme em foco” — em que o público tem a chance de assistir a uma pré-estreia e depois conversar com convidados especiais — Mario Abbade, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), encontrou no Grupo Estação o parceiro ideal: “O Estação pode não ter os recursos das grandes redes, mas é muito carinhoso com o cinema em geral e também com o cinema brasileiro. A sessão é mensal, mas acaba só acontecendo umas sete, oito vezes ao ano, devido a eventos como o Festival do Rio”, explica. Mario ressalta que a ideia do projeto não inclui a exibição dos chamados blockbusters: “Buscamos um diálogo com o público e os convidados estão ali para provocar reflexão. A crítica não é dona da verdade, como diz o Carlinhos.”

O “Carlinhos” em questão é Carlos Alberto Mattos, crítico de cinema desde 1978 e autor de vários livros sobre cineastas nacionais. Para ele, o título do filme sul-coreano pode enganar o espectador: “É um drama moral em que a poesia entra na vida da protagonista num momento extremo, quando seu neto participou de um crime e ela começa a perder a memória, com o mal de Alzheimer. A atriz é fantástica e a personagem, vivendo uma situação limite, entra num curso de poesia, em que aprende a ver as coisas por todos os ângulos.” À lembrança de outro filme coreano, “Mother”, Carlos Alberto diz: “Eles são ‘parentes’ num aspecto, mas também são o oposto um do outro. ‘Mother’ é visceral, épico. ‘Poesia’ é mais comedido, singelo, tem ritmo compassado e linguagem simples, direta.”

A personagem de Yoon Hee-jeong está perdendo a memória por causa de Alzheimer

A personagem de Yoon Hee-jeong está perdendo a memória por causa de Alzheimer

Veteranos dos debates no Estação

Enquanto Carlos Alberto estreia, nesta quinta, como debatedor do “Filme em foco”, do qual é frequentador assíduo, seus colegas Maria Silvia Camargo e Ricardo Largman já participaram de outras sessões. Para Maria Silvia, é uma oportunidade única: “Fazer crítica é muitas vezes frustrante, pois o espaço é muito pequeno. O Estação tem um público fiel e interessado, que inclui muitos estudantes de cinema. As pessoas participam, há uma troca, tem gente de bloquinho na mão, anotando os comentários. E adoro quando, entre os debatedores, há gente que vive só de cinema, como o Carlinhos”, diz. Ao falar do filme escolhido para abrir a programação deste ano, ela também se entusiasma: “O cinema sul-coreano é fantástico e a protagonista de ‘Poesia’ poderia ser uma pessoa pobre de qualquer lugar. Mas o oriental tem outro tempo, outra maneira de contar a história e outra visão do mundo — o que influencia até a fotografia. Tudo isso nos faz ver as coisas também com outro olhar. Seus filmes têm, ao mesmo tempo, leveza e profundidade. Muitas vezes, uma cena, um detalhe nos vem à cabeça ao longo do dia, horas depois.”

Ricardo Largman também é fã do projeto: “Adoro participar. A conversa com o público é como um papo com a família e os amigos. E a troca é instrutiva para todos. Na exibição de ‘A jovem rainha Vitória’, por exemplo, a presença de historiadores na plateia tornou o debate ainda mais interessante, pois eles levantaram várias questões, como as liberdades tomadas pelos realizadores em relação aos costumes da época.” Sobre o trabalho a que se dedica desde os 16 anos de idade, ele diz: “O crítico tem uma experiência diferente, porque lê mais sobre cinema e vê mais filmes que o público em geral. Nosso trabalho é ajudar a enriquecer o que o espectador vê na tela, destacando aspectos que às vezes passam despercebidos para a plateia, como a referência a outros filmes e coisas do gênero. É também nosso dever assistir antes ao filme, para prestar atenção aos detalhes e refletir, pois há coisas que gente não percebe no momento da exibição.”

Então, cinéfilos, preparem-se para se encantar com as descobertas da coreana Mija e conversar sobre as reviravoltas que o confronto entre realidade e poesia promovem em sua vida.

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Cinéfilo que sou, torço para que esse programa consiga estender um ramo até São Paulo.

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