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Cultura

‘Povos indígenas no Brasil’ vistos por eles mesmos e pelas lentes de Rosa Gauditano

A Caixa Cultural de São Paulo abre exposição no sábado, dia 19, com 60 imagens da fotógrafa e quatro vídeos feitos pelos xavantes. Por Solange Noronha

‘Povos indígenas no Brasil’ vistos por eles mesmos e pelas lentes de Rosa Gauditano
A exposição poderá ser visitada pelo público, gratuitamente, até 15 de maio

Ainda existem hoje mais de 225 culturas indígenas no Brasil, totalizando cerca de 730 mil pessoas que falam 180 línguas diferentes. A fotógrafa Rosa Gauditano, diretora da Associação Nossa Tribo e da agência Studio R, documentou 34 dessas etnias, divididas em quatro regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste (veja o quadro logo abaixo do parágrafo). Juntamente com as imagens deste seu trabalho, ela expõe na Galeria Humberto Betetto, da Caixa Cultural de São Paulo (Praça da Sé, 111) um mapa desses povos brasileiros e vídeos realizados pelos índios. A exposição “Povos indígenas no Brasil” abre para convidados no sábado, dia 19, às 11h, e poderá ser visitada pelo público, gratuitamente, até 15 de maio, de terça-feira a domingo, das 9h às 21h. Escolas das redes municipal e estadual podem agendar visitas mediadas e traslado pelo telefone (11) 3321-4400.

Região Etnia
Norte WauráMatis/ZoróTucano

Yanomami

Suruí Paiter

Arara

Kayapó

WhaiãpiAshaninkaKrahô

Cinta Larga

Xerente

Tapitrapé

Carajá

Nordeste Tingui BotóPataxóCanela GaviãoXucuru
Centro-oeste RikbaktsaEnewanê NaweBororo

Pareci

Kuikuro

Terena

KadiwéuXavanteWaurá

Guarani Kaiowá

Sudeste KrenacXacriabáGuarani M’Byá PankararuMaxacali

O interesse de Rosa pelos povos indígenas começou em 1989, no Encontro de Altamira, no Sul do Pará. “Várias etnias se reuniram para protestar contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte”, diz a fotógrafa. “Na época, graças à divulgação do protesto pela imprensa mundial, a usina foi suspensa. Agora, depois de tantos anos, foi aprovada pelo governo Lula”, lamenta.

Rosa conta que sempre foi muito bem recebida nas comunidades indígenas e destaca o aspecto que considera mais importante deste seu extenso trabalho: “Acho que é trazer para as pessoas das cidades um pouco da cultura esquecida dos índios do Brasil e fazer com que elas reflitam sobre esta realidade tão diferente. É preciso que todos saibam que esses povos, apesar de estarem longe, são brasileiros como eu e você, têm direitos iguais de atendimento nas áreas de saúde, educação, cultura… Enfim, são cidadãos brasileiros que detêm conhecimentos importantes que aprenderam durante gerações e podem contribuir para que haja um futuro mais justo e equilibrado.”

Dos vídeos, apenas produtora

Os quatro documentários que integram a exposição serão exibidos numa sala em que há assentos para o público e uma TV de 50 polegadas. Neles, Rosa fez apenas a produção executiva: “Deixei toda a parte de criação, roteiro e edição por conta dos xavante”, diz ela, ressaltando ainda que a motivação do projeto Povos Indígenas no Brasil é a frase de Sereburã, um ancião da tribo: “As pessoas não respeitam o que não conhecem.”

Em duas décadas de trabalho, Rosa manteve contato não apenas com os xavante, no Mato Grosso, mas também com povos que vivem praticamente isolados na Amazônia, como os mati e zoró, outros que vivem à beira de rodovias, como os guarani kaiowá, do Mato Grosso do Sul, e até com os que vivem nas grandes cidades, como os pankararu, de São Paulo.

Palestra no dia 12 de abril

Repórter fotográfica premiada na década de 1980 por trabalhos na Folha de SP e na revista Veja, Rosa Gauditano publicou cinco livros depois de se especializar nas culturas indígenas brasileiras, entre os quais “Raízes do povo xavante” (2003) e “Aldeias Guarani M’Byá na cidade de São Paulo” (2006).

Uma guarani m’byá terá participação especial na exposição “Povos indígenas no Brasil”: Jaciara Martim, que fará palestra no dia 12 de abril, às 19h. Formada em Serviço Social pela PUC de São Paulo, Jaciara concluiu o curso com a monografia “Considerações sobre o trabalho para o povo guarani e as decorrências do seu contato com a sociedade capitalista” e, além de dar aulas como professora do estado, foi agente de saneamento do Projeto Rondon.

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6 Opiniões

  1. leticia disse:

    “Povos indígenas no Brasil”: Jaciara Martim, que fará palestra no dia 12 de abril, às 19h. Formada em Serviço Social pela PUC de São Paulo, Jaciara concluiu o curso com a monografia “Considerações sobre o trabalho para o povo guarani e as decorrências do seu contato com a sociedade capitalista” e, além de dar aulas como professora do estado, foi agente de saneamento do Projeto Rondon.

  2. Brasil Brasileiro disse:

    Desde as revoluções norte-americana e francesa, da 2ª metade do Século XVIII, pertencer a uma nação deixou de ser estar vinculado à soberania de “direito divino” dos monarcas. Passou a decorrer de um ato de vontade por parte de quem se constitui cidadão de uma comunidade nacional. Como assinalou Renan, não é a raça, nem a língua, nem a origem cultural, que determina a nacionalidade, mas, sim, o desejo de formar uma sociedade sob valores respeitados em comum benayon@terra.com.br..Se polemiza a questão dita como indígena, o que existe são brasileiros oriundos de diversas regiões do planeta e de diversas descendencias. Se partimos do pressuposto que a Nação Brasileira é parda, composta de descendentes de europeus, asiáticos, africanos assim como os são brasileiros os de descendência de diversas etnias estereotipadas de “indígena” e os descendentes de “escravos” e mais atualmente os brasileiros que sobrevive com salários irrisórios e na miséria; concluindo: todos os brasileiros aqui nascidos ou optaram pela nacionalidade são brasileiros com direitos e responsabilidade iguais. Há de se ressaltar reservas situam-se em território rico em minerais, objeto de conflitos em toda parte do mundo, causados por minorias fortalecidas e governos e no caso brasileiro é de interesse no desenvolvimento da Nação Brasileira.Casos de interesse publico, propriedades de brasileiros são desapropriadas, seja fazendas centenárias ou residências de gerações. O correto é integrar os descendentes das etnias discriminadas como “indígena” à Nação Brasileira, assim como os outros brasileiros que vivem na região amazônica, todos com direitos iguais, sem privilégios segundo origens antepassadas. O próprio governo ao separar parte do território para determinado grupo de nacionais, os isolando até contra a vontade de alguns componentes, esta praticando ação separatista e futuras insurgências como na Iugoslavia e Tchecoslovaquia.

  3. Luiz Franco disse:

    As civilizações se confrontam desde o inicio da historia e os mais preparados levam vantagens nas trocas culturais que se estabelecem e impõem seu modelo, ou no dialogo ou a força. Quanto mais dialogo, menos força bruta. Nativos americanos, africanos e alguns europeus e asiaticos foram ineficientes no dialogo e incompetentes na força. Perderam no passado e alguns, por inepcia, perdem ateh hoje.Lamento.

  4. carlos roberto disse:

    Muito boa e informativa a postagem, como sempre acontece, aliás, em todos os trabalhos do Opinião e Notícia. Estou, inclusive, usando tema para postagem no meu blog, o Dando Pitacos.

    Peço licença pra chamar a atenção de vocês para o link que redireciona para a agência Studio R. Ele está equivocado. O link correto é http://www.studiorimagens.com.br.

    Um abração a todos e parabéns pelo excelente trabgalho…

  5. WANDERLEY FONSECA SILVA disse:

    NO BRASIL NÓS TEMOS DUAS TRUCULÊNCIAS HISTÓRICAS CONSTRANGEDORAS E SEM REMISSÃO.
    A PRIMEIRA COM OS ÍNDIOS QUE VIMOS MINGUAR DOS 5 MILHÕES PARA ALGUNS MILHARS DE MISERÁVEIS.O BRANCO TOMOU-LHES A TERRA POLUIU SUAS ÁGUAS ELEVOU-LHES SEUS DEMÔNIOS FEITO ÁLCOOL E MICRÓBIOS-SEGUNDO SÃO OS NEGROS QUE JAMAIS VIRIAM AQUI POR VONTADE PRÓPRIA TRABALHARAM ESCRAVIZADOS AJUDARAM A CRIAR A RIQUESA DO BRASIL E HOJE PERFAZEM 70% DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA DO PAÍS.É O ÚNICO QUE CUMPRE PENA TOTALMENTE.NÓS VIVEMOS ADULANDO IMIGRANTES QUE AQUI CHEGARAM COMO ÚLTIMA INSTÂNCIA DE VIDA.XERIKO@POWERLINE.COM.BR

  6. Vera Lucia da Paixao disse:

    A gente precisa mesmo aprender com os nossos ancestrais a respeitar a natureza e cuidar dos nossos curumins…

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