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1979: o ano que mudou o mundo

Porque 1979 foi um ano no qual aconteceu muito mais do que somente a vitória da eleição de Margaret Thatcher

1979: o ano que mudou o mundo
Livro faz uma retrospectiva de um dos anos mais decisivos da história (Reprodução/Internet)

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Este mês, Christian Caryl, um correspondente internacional que hoje trabalha em Washington, publicará um novo e oportuno livro, chamado “Strange Rebels: 1979 and the Birth of the 21st Century (Estranhos rebeldes: 1979 e o nascimento de século 21, não lançado no Brasil). Nele, argumenta que o ano de 1979 pertence a um clube seleto de momentos que foram verdadeiros pontos de inflexão históricos: anos nos quais uma era acabou e outra nasceu).

Foi um ano no qual uma série de figuras importantes apareceu no cenário mundial. Margaret Thatcher venceu as eleições gerais e se tornou a primeiramulher a ocupar o cargo de Primeira Ministra da Grã-Bretanha, permanecendo no poder mais 11 anos. Deng Xiaoping começou a liberalizar a economia chinesa. O Aiatolá Khomeini instaurou a república islâmica. Karol Wojtyla viajou à Polônia como o primeiro papa eslavo. E no Afeganistão os mujahideen se levantaram contra o regime soviético com o apoio tácito dos EUA.

Também foi um ano no qual as forças gêmeas do mercado e da religião, suprimidas e descartadas por décadas, retornaram com força total. Thatcher chegou ao poder determinada a desmontar as indústrias britânicas nacionalizadas, disciplinar seus sindicatos cheios de poder e restaurar uma fé quiescente no empreendedorismo e na autodependência. Deng embarcou no maior programa mundial, em todos os tempos, de redução da pobreza, pondo um fim à experiência desastrosa de agricultura coletiva no país e estabelecendo zonas econômica especiais nas quais tanto as empresas domésticas quanto as estrangeiras puderam crescer longe da supervisão direta do Estado.

Ainda mais surpreendente do que o renascimento do mercado foi o renascimento da religião. A revolução islâmica levou milhões de pessoas às ruas – e rapidamente tornou um dos países mais laicos do Oriente Médio em um dos mais ortodoxos. O Papa João Paulo II demonstrou que a religião era ainda mais popular no leste ateu – ou pelo menos na Polônia – do que no oeste capitalista. Thatcher falou a um grupo inteiro de “rebeldes estranhos” quando, em resposta à acusação de que era reacionária, respondeu: “Bem, há muito contra o que reagir!”.

As forças libertadas neste ano memorável continuam a moldar o mundo. A China está a caminho de se tornar a maior economia do mundo. Por todos os danos causados pela crise financeira, é improvável que as privatizações, inspiradas por Thatcher e que se espalharam da Grã-Bretanha para o resto do mundo, sejam revertidas. Pelo lado negativo, o Irã permanece como uma república islâmica e os mujahideen continuam a espalhar tumulto pelo Afeganistão, desta vez atacando não um império soviético decadente, mas um império Americano com tentáculos enormes. Qualquer um que queira entender como este novo mundo nasceu precisa ler o excelente livro de Caryl.

Fontes:
The Economist-When the world changed

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3 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Da mesma forma como Lula não desfez as reformas de FHC, os governos trabalhistas subsequentes (Tony Blair…) também não desmancharam o legado de Thatcher. Isto significa que foi uma mudança mesmo, e não uma política provisória. E mais do que isso, serviu de inspiração até para culturas e regimes opostos como é o caso da China. A menos que seja mera coincidência, houve mudanças significativas e por isso Thatcher merece o papel de liderança mundial. Porém, é preciso dizer que sua época está encerrada e o mundo chafurdando novamente na ascensão de valores diferentes e perigosos que estão a mercê de novas lideranças enérgicas para pôr fim a bagunça atual, a mesma que Thatcher liquidou. A crise européia é uma dessas evidências.

  2. Patricia Souza disse:

    Vai ser lançado no Brasil? Se sim, quando?

  3. matias rodrigues da silva disse:

    muito boa a matéria.

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