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O massacre dos armênios

A controversa palavra genocídio

Livro traz um um relato objetivo e meticuloso da tragédia armênia e das discussões controversas que ainda provoca

A controversa palavra genocídio
'Great Catastrophe: Armenians and Turks in the Shadow of Genocide', de Thomas de Waal (Fonte: Reprodução/Divulgação)

Em 24 de abril milhares de armênios no mundo inteiro comemoraram o centenário do massacre de seus antepassados pelas tropas otomanas. Um número crescente de historiadores afirma ter sido um genocídio.

“Os fatos centrais da história são claros”, disse Thomas de Waal, um pesquisador russófilo do instituto de pesquisa americano “Carnegie Endowment for International Peace”, na introdução de “Great Catastrophe: Armenians and Turks in the Shadow of Genocide”, um relato objetivo e meticuloso da tragédia armênia e das discussões controversas que ainda provoca. “Os armênios eram um povo antigo, cuja pátria situava-se na região a leste da atual Turquia”. Em 1913, havia mais de 2 milhões de armênios no Império Otomano. No início da Primeira Guerra Mundial, o governo otomano ordenou uma deportação em massa. Alguns anos depois, escreveu Waal, havia apenas um décimo desse número na Turquia. O resto da comunidade armênia fora exilado ou assassinado.

Existem diversos livros acadêmicos, autobiografias e romances sobre o genocídio, além da propaganda patrocinada pelo governo turco com a intenção de provar que a maioria dos armênios morreu de fome e de doenças durante sua marcha forçada pelo deserto sírio em 1915. Thomas de Waal fez pesquisas em algumas dessas obras. Mas, ao contrário de muitas delas, não estabeleceu regras e princípios de uma narrativa histórica, e sim descreveu um contexto mais amplo no qual se desenrolou o que armênios chamam de Meds Yeghern, ou o “grande crime” (Waal usou a expressão “grande catástrofe”, o que irritou muitos críticos).

Thomas de Waal conclui, com relutância, que os assassinatos foram cometidos segundo os preceitos considerados como atos de genocídio da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio das Nações Unidas. Em sua opinião o “G-word” (um termo criado por um diplomata turco) tem uma conotação “legalista e uma carga emocional excessiva”. Esse termo eufemístico para designar o genocídio dificulta “a compreensão dos direitos históricos e das injustiças cometidos contra o povo armênio… assim como os esclarece”.

Fontes:
The Economist - Armenian history: Gunning for the G-word

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