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A dura vida dos chineses que migram do campo para as cidades

Autobiografia de uma migrante da região rural da China rompe o estereótipo do camponês rude e inculto e fez um enorme sucesso no país

A dura vida dos chineses que migram do campo para as cidades
O ensaio descreveu as privações de sua infância na região rural e a existência precária na cidade (Foto: Twitter)

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É fácil para os habitantes de Pequim ignorarem ou tratarem com desprezo as milhares de pessoas da região rural, que migram para a cidade em busca de novas oportunidades. Os migrantes vivem em canteiros de obras, ou em quartos sem janelas nos porões dos apartamentos. Muitos alugam acomodações nas “aldeias de migrantes” na periferia da cidade. Só quando os migrantes regressam aos seus vilarejos para comemorar o Ano-Novo e a cidade fica sem entregadores, vendedores ambulantes e ajudantes domésticos, os habitantes de Pequim admitem, com relutância, que eles são importantes no dia a dia da cidade.

No entanto, há pouco tempo um relato autobiográfico que circulou online teve um grande impacto entre os chineses. O ensaio intitulado “Eu sou Fan Yusu” descreveu a vida difícil de Fan: as privações de sua infância na região rural, a existência precária na cidade e o casamento com um homem alcoólatra e brutal que, por fim, ela abandonou.

A história poderia ser mais um relato das dificuldades enfrentadas pelos migrantes nas cidades. Mas os chineses surpreenderam-se com a ambição e a determinação de Fan, assim como por seu talento literário e a paixão pela literatura, que cultiva desde menina.

Fan vive em Picun, um povoado de migrantes nos arredores de Pequim, onde trabalha como babá. Em seus poucos momentos livres ela escreve ensaios e poesia. Na visão dos chineses os migrantes das regiões rurais só têm a ambição de ganhar dinheiro. Porém, os leitores de Fan descobriram que alguns têm um sonho maior de aperfeiçoamento intelectual que as cidades oferecem.

Picun abriga o único museu da capital que homenageia a contribuição dos migrantes à vida urbana. As exposições mostram as condições de trabalho difíceis e os obstáculos impostos pelo Estado no acesso à habitação, à educação e à saúde pública. No final do ano passado, 282 milhões de pessoas das regiões rurais do país migraram para as cidades, 4 milhões a mais do que em 2015. As dificuldades retratadas no museu e no relato de Fan são compartilhadas por todas elas.

Fontes:
The Economist-A migrant worker’s story of her travails is a huge hit in China

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1 Opinião

  1. laercio disse:

    A cultura se mostra importante em várias nações; no Brasil também, mas ocorre algo atípico: creio que devido a miscigenação houveram várias influências mas poucas tiveram peso positivo para a população, exemplo: as plantas medicinais manipuladas por índios…
    Num todo nossa cultura ficou “sem pai nem mãe” deixando o Brasil na mão dos “traficantes” culturais, ou seja, uma mídia que mostra inversão de valores e, por tanto ver mentiras, estas se tornam verdades; então, nossa cultura se edificou com esse berço, uma cultura perigosa, que prega o bem mas aproveita as vulnerabilidades de seu patrício para praticar o mal.
    Dúvidas? Veja nossas festas: estimulam o consumo do desnecessário, estimula a violência, não reúne as sociedades, pelo contrário, as antagonizam através de cotas e outras diferenças desnecessárias; precisamos refazer nossa cultura.

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