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A guerra entre Rússia e Geórgia nas telas

'5 Days of War' abusa de clichês ao narrar conflito de 2008 entre russos e georgianos

A guerra entre Rússia e Geórgia nas telas
Do mesmo diretor de 'Duro de Matar 2', '5 Days of War' apresenta uma visão pró-Geórgia do conflito de 2008

“5 Days of War” (“5 Dias de Guerra), um novo filme hollywoodiano sobre o conflito de 2008 entre a Rússia e a Geórgia teve sua tão esperada estréia em Tbilisi, que recebeu estrelas como Andy Garcia, que interpreta o presidente georgiano Mikhail Saakashvili, e Sharon Stone, que compareceu à premiere, causando um rebuliço na capital da Geórgia. Curiosamente, há seis meses, Stone estava entre as figuras que aplaudiram a desastrosa interpretação de “Blueberry Hill” do primeiro-ministro russo Vladmir Putin.

O governo georgiano compreende o valor de propaganda de artefatos culturais. O filme foi co-produzido pelo ministro de “assuntos da diáspora”, Papuna Davitaia; o ministro da defesa emprestou o equipamento militar para as cenas de batalha, e todas as cenas com Andy Garcia foram filmadas no palácio presidencial ou no prédio do Parlamento.

Mas e o filme? Pode-se dizer que o diretor Renny Harlin, mais conhecido por filmes como Duro de Matar 2, não é exatamente um mestre da nuance. A mensagem central de “5 Days of War” é a de uma Geórgia inocente, abandonada pelo resto do mundo e atacada pelo malvados russos, ignorando completamente as descobertas do relatório da União Europeia sobre as origens da guerra, que acusou ambos os lados de violar as leis internacionais.

No filme, militares georgianos são belos, elegantes e honráveis, enquanto os russos são maltrapilhos, desalmados e sem coração. Quando forças russas matam civis georgianos, o filme não economiza na brutalidade. Quando os georgianos revidam as explosões são puro entretenimento, digno dos desenhos animados. Por trás desses absurdos, no entanto há um bom filme lutando para prevalecer. Os diálogos explicam a situação política (embora mantenham um caráter pró-Geórgia) sem fazer pouco da inteligência dos espectadores.

Embora a maioria do material publicitário do filme traga a foto de Garcia, ele tem pouco tempo na tela, já que esse não é um filme sobre Saakashvili. A Geórgia é apresentada com toda a beleza da parte antiga de Tbilisi e do interior do país, e há belas cenas de dança folclórica. Na pior das hipóteses será um estímulo à industria do turismo no país, que tenta se recuperar de um período difícil.

A sequência mais emocionante surge no fim do filme, quando verdadeiros sobreviventes do conflito falam sobre seus parentes que morreram. A trama toca em pontos interessantes, como a eterna atração que a guerra exerce sobre os jornalistas. Mas, no momento em que o filme parece se distanciar das caricaturas, soldados georgianos apolíneos partem para o resgate.

Não chega a ser novidade que guerras em locais distantes somente sejam atraentes para o público hollywoodiano quando interpretadas por atores norte-americanos fisicamente perfeitos. Mas o filme comete um grande engano ao transmitir a ideia de que a mídia internacional foi indiferente ao conflito. Embora a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim possa ter desviado o foco dos combates, a guerra entre a Rússia e a Geórgia se tornou a maior notícia do verão de 2008, até que a Lehman Brothers entrou em colapso e a crise financeira global dominou as manchetes.

No fim das contas, “5 Days of War” é um filme sem confiança em si mesmo, que parece ter sido feito por encomenda. Falha como uma homenagem às vítimas do conflito, e como uma maneira de moldar a opinião internacional, teria mais sucesso em um mundo comandado por adolescentes.

Fontes:
The Economist - "Hollywood's take on the Russia-Georgia war"

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3 Opiniões

  1. Fadrini disse:

    Resumindo clichês e propaganda americana não é o tipo de filme que vela apena assistir, obrigado por informar tava pensando em assistir, mas depois de ler isso mudei de ideia, bem é tão difícil achar algo que valha apena assistir hoje em dia.

  2. yYASMUM MAYESHCDIEV disse:

    AO ASSISTIRMOS UM FILME DE PREMISSA ,DITA POLITICA ,AO FINAL USANDO DA NOSSA INTELIGÊNCIA ,CULTURA ,CONHECIMENTO E EXPÊRIENCIA,TIRAMOS NOSSAS PRÓPRIAS CONCLUSÔES.
    NÃO APENAS ABSORVEMOS TODA A PROPAGANDA ,QUALQUER QUE SEJA..
    DESSE FILME PODE TIRAR A SEGUINTE CONCLUSÃO: AS ENTIDADES ORGÃOS MUNDIAIS COMO A OTAN A ONU A UNIÃO EUROPÉIA,DE FATO POR VEZES SÃO NEGRIGENTES OU NA MAÍORIA DAS VEZES SO AGEM POR INTERESSES,QUE BENEFICIAM GRANDES EMPRESAS ,NAS ENTRANHAS DE GOVERNOS E GOVERNANTES.
    NÃO SERIA NENHUM EXAGERO AFIRMAR QUE POPULAÇÕES DE CIVIS SÃO MASSACRADAS POR TODO O MUNDO, ÁFRICA ,FAIXA DE GAZA ,LESTE EUROPEU,NA KASHIMIRA…
    DEVEMOS SEMPRE REFLETIR E PRESSIONAR NOSSOS GOVERNANTES A TOMAR UMA POSTURA MAIS ATUANTE NO CAMPO DA GÉO-POLITICA,GARANTINDO QUE TODOS OS DÍREITOS SEJAM RESPEITADOS ,ASSIM COMO A CONDIÇÃO DO BEM ESTAR-HUMANO.

  3. JUVENAL disse:

    Lembrando sempre que em qualquer guerra não existe vitorioso,mas somente perdedores: Lembrando ainda que cada um mostra sempre o seu lado bom e isto é óbvio – Nos milhares de filmes americanos sobre a conquista do oeste os índios e por vezes os mexicanos eram sempre os feios e bandidos. Seguindo essa premissa, pior são os filmes brasileiros que em sua maioria sempre mostram bandidos como heróis, como coitadinhos vítimas da sociedade (excluo aqui os 2 Tropa de Elite). Gostei do filme mesmo sendo produzido pelo olhar americano da coisa – caso adverso jamais eu teria assistido um filme de bang-bang ou filme brasileiro. O lado político melhor ler um bom livro de história e mesmo assim de autor de ideologia política neutra. Tudo tem sempre dois lados a serem analisados haja vista, por exemplo, que em nossa sociedade uma grande maioria acredita que o Lula não sabia nada sobre o mensalão, outros acreditam em papai Noel, mula-sem-cabeça, saci pererê…

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