Início » Cultura » A negligenciada arte das biografias políticas na América Latina
Cultura

A negligenciada arte das biografias políticas na América Latina

Com sua obsessão marxista, América Latina ignora o gênero e nega a importância do indivíduo na história

A negligenciada arte das biografias políticas na América Latina
Biografias políticas ainda enfrentam barreiras em uma região com muito poucos leitores (Reprodução/Lo Cole/Economist)

A autobiografia é “quase desconhecida” no México, escreve Jorge Castañeda, em sua contribuição para o gênero publicada recentemente sob o título “Amarres Perros”. O mesmo vale para a biografia e para a América Latina como um todo. Em outras regiões, como escreve Castañeda, uma vida que é importante, interessante ou reveladora de um período histórico é considerada digna de ser contada. Ele acredita que sua própria vida se encaixa suficientemente neste perfil a ponto de justificar “uma pequena ruptura com a tradição mexicana de manter o silêncio sobre tudo ou pagar outras pessoas para falar.”

“Amarres Perros”, implicitamente, faz um apelo para os latino-americanos darem a devida importância às biografias. A vida de Castañeda pode ser vista como uma negação da crença marxista de que conflitos de classe movem a história, uma ideia que ainda exerce uma influência apavorante sobre os conteúdos das estantes de livros de não-ficção na região.

Há honrosas exceções. No México, Enrique Krauze já escreveu biografias ousadas de presidentes de seu país e do falecido Hugo Chávez, líder populista da Venezuela. No Chile, Ricardo Lagos, ex-presidente, lançou o primeiro volume de uma autobiografia de duas partes. Biografias tornaram-se um campo fértil no Brasil nas últimas duas décadas: estudos sobre Elis Regina e Jorge Paulo Lemann alcançaram as listas dos mais vendidos, assim como a vida, em três volumes, de Getúlio Vargas.

Biografias políticas ainda enfrentam barreiras em uma região com muito poucos leitores e mercados de livros nacionais desconexos. O seu aparecimento tímido é um sinal de esperança. Em democracias incipientes, elas são uma forma de obrigar os governantes a prestar contas.

Fontes:
The Economist - The neglected art of biography

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *