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GASTRONOMIA

A onipresença do machismo na cozinha profissional

Sexismo na cozinha faz de mulheres chefs uma minoria no topo da profissão

A onipresença do machismo na cozinha profissional
Cozinhas profissionais são vistas como ambientes de domínio masculino (Foto: Flickr/Global Panorama)

Em junho deste ano, a confeiteira de um popular restaurante em Toronto, no Canadá, Kate Burnham, entrou com uma ação no Tribunal de Direitos Humanos de Ontario acusando três chefs de repetidos assédios físicos e verbais na cozinha em que trabalhavam. Nos meses seguintes, o caso gerou uma discussão acalorada sobre as maneiras como o sexismo mantém mulheres fora da cozinha e o que precisa ser feito para mudar isso.

Cozinhas profissionais têm sido consideradas há muito tempo como um ambiente de domínio masculino, com estudantes de gastronomia se inspirando em homens agressivos, mas supostamente brilhantes.

Graças a esses modelos, sob estresse extremo, jovens chefs do sexo masculino muitas vezes descarregam suas frustrações nas poucas mulheres que se atrevem a entrar em uma cozinha profissional.

Para evitar palmadas com instrumentos de cozinha ou os implacáveis apertões, mulheres chefs aprendem rapidamente a se agachar, nunca se curvar, para pegar uma panela.

Então, por que mais cozinheiras não reclamam, como fez a confeiteira do Canadá? Muitas o fazem, pelo menos nos EUA. De acordo com dados do governo americano, restaurantes são a origem da maior parte das queixas de assédio sexual no país.

Mas ainda existe um código de silêncio entre as mulheres, e a maioria não enxerga o benefício de apontar dedos.

Mesmo nas grandes metrópoles, o círculo de chefs profissionais é pequeno, e boatos viajam rápido. Buscando aceitação em um ambiente movido a testosterona, as mulheres acabam preferindo o silêncio, ou então elas simplesmente desistem da cozinha.

Embora existam muitas mulheres talentosas que se formaram em gastronomia, não é nenhuma surpresa que há relativamente poucas no topo da profissão. Alguns irão dizer que elas simplesmente não t trabalho árduo. A realidade é que as mulheres estão desinteressadas em permanecer em locais de trabalho que são não apenas hostis, mas obviamente degradantes.

 

Fontes:
The New York Times - Sexism in the Kitchen

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