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A primeira guerra do Vietnã: esperança e arrogância

O conflito que precedeu a longa e sangrenta batalha americana no Vietnã

A primeira guerra do Vietnã: esperança e arrogância
Cinzas da guerra: livro narra a sombria arrogância dos líderes americanos durante a década de 50 (Reprodução/AP)

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Um jovem congressista de Massachusetts,John F. Kennedy, visitou Saigon em 1951 e foi recebido a tiros. Por trás da simpática fachada de “Paris do Oriente”, conflitos de guerrilha já haviam irrompido entre os vietnamitas e seus comandantes franceses. As impressões de Kennedy, registradas em seu diário, foram argutas: “Estamos cada vez mais nos tornando colonialistas na cabeça das pessoas”.

Esse lamento americano em assumir o papel de poder colonial se encontra no centro de “Embers of War” (Cinzas da Guerra), uma admirável nova história da primeira guerra do Vietnã, escrita por Fredrik Logevall, historiador sueco que leciona na Universidade de Cornell, nos EUA. Nesta guerra, a França, a fim de reconquistar o seu império na Indochina, lutou contra o Viet Minh, o movimento revolucionário comunista, mas essencialmente nacionalista, de Ho Chi Minh. Esta acabou com a separação do Vietnã em 1954, o que precipitou o devastador conflito entre o norte comunista e o sul apoiado pelos EUA. Esta segunda guerra, que durou até os dois lados terem se tornado uma única república em 1976, tirou a vida de 58.000 americanos e pelo menos 2 milhões de vietnamitas. Logevall revisita esse período para considerar a tensão entre idealismo e pragmatismo que ainda confunde os formuladores de políticas públicas americanas de hoje em dia.

Durante a Guerra Fria, os EUA se convenceram de que o que estava em jogo no Vietnã não era apenas, nas palavras do jovem Kennedy: “o esforço desesperado do regime francês de se apegar aos resquícios de um império”. Em vez disso, essa batalha estava relacionada à defesa do “mundo livre” contra a disseminação do comunismo na Ásia.

Ainda assim, o instinto anticolonial americano inspirou uma simpatia desastradamente precoce pela batalha vietnamita por sua independência. Em 1946, os primeiros agentes do Office of Strategic Services (OSS), o precursor da CIA, ficaram tão impressionados com Ho Chi Minh – o futuro líder comunista do Vietnã do Norte, que o tornaram um membro honorário do OSS.

Essa narrativa sombria revela a arrogâncias dos líderes americanos durante a década de 50, os quais se convenceram que a liberdade da Ásia tornava necessário o apoio à esquecida e derradeira batalha francesa para reter o seu império na Indochina. Ao longo do processo, Logevall destroça as convicções dos formuladores de políticas públicas americanos da época de que “os franceses eram um povo decadente” enquanto que os americanos eram “os mocinhos militarmente invencíveis”. Recentemente, convicções semelhantes geraram resultados igualmente desastrosos.

Fontes:
The Economist-Hope and hubris

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