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a era das gravações

A reinvenção da música clássica

Como as gravações mudaram as percepções a respeito da música clássica

A reinvenção da música clássica
Técnicas de gravações modernas permitiram que Bach aparecesse em todos os lugares (Reprodução/Alamy)

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Paul Elie, autor de Reinventing Bach (Reinventando Bach), afirma em seu novo livro que a era das gravações permitiu que a música de Bach fosse reinventada por seus intérpretes, assim como a tornou disponível para todo o mundo a todo tempo, como uma “coleção crescente de experiências sublimes”. A música de Bach, ele afirma, extrai o seu poder, em parte, de sua superabundância; e esta superabundância agora foi reunida pelas gravações.

O interesse por Bach tem altos e baixos desde sua morte em 1750. Há 60 anos, o interesse estava em um ponto baixo; o condutor e compositor Leonard Bernstein afirmou que “era necessário ir a certas igrejas ou pequenos concertos especiais” para ouvir a música do compositor. Elie mostra como o desenvolvimento de técnicas de gravações cada vez mais modernas permitiu que Bach aparecesse em todos os lugares, apesar de uma suposta queda na popularidade da música clássica: como trilha sonora da animação de “Fantasia” de Walt Disney; como parte da música de fundo de algumas músicas dos Beatles; e até como um jingle em uma anúncio televisivo pretensamente sofisticado.

Albert Einstein, grande fã de Bach, aconselhava os outros a “ouvirem, tocarem, amarem e revenciarem – e manterem suas bocas fechadas”. Elie, claramente um entusiasta do mesmo jaez, aceita a primeira parte do conselho de Einstein, mas não a segunda. O seu livro tem um enorme escopo, como um romance feito de diversas linhas narrativas. Uma dessas linhas é a vida de Albert Schweitzer, médico, humanitário e músico que dedicou a maior parte do seu tempo a fornecer assistência média aos pobres na África. Em 1935, ele executou a primeira gravação, em um cilindro de cera, da sublime “Tocara e Fuga em D Menor” para órgão, após a qual se seguiram diversas outras gravações de músicas de Bach em diferentes suportes.

Outro personagem é Leopold Stokowski, o qual já era um regente famoso com muitas gravações em seu nome quando convenceu Walt Disney a abrir “Fantasia” com “Tocata e Fuga em D Menor”. Yo-Yo Ma, um extraordinário violoncelista, tocou Bach no funeral de seu amigo Steve Jobs, da Apple, o qual sentia uma forte afinidade com o compositor. Misturadas entre todos esses contos de brilhantes figuras musicais do século XX encontram-se cenas da vida pessoal e profissional de Bach em si.

Eloy faz uso de um conhecimento acadêmico considerável e escreve belamente. Ele apresenta o convincente argumento de que, em menos de um século de uma sucessão de novos suportes de gravação – do cilindro de cera ao disco de 78 rotações, o LP, os vários tipos de fita, o CD e agora o computador – levaram a música de Bach, em múltiplas versões, para um grande número de ouvintes que só precisam apertar um botão. Trata-se de um luxo que não estava disponível nem a príncipes, os quais precisavam empregar orquestras inteiras para assistir a apresentações. A tecnologia da gravação transformou todas as pessoas em monarcas.

Fontes:
The Economist-Play it again

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