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Alemão que colecionava obras saqueadas pelos nazistas lança site para se defender

Cornelius Gurlitt declarou que está disposto a negociar indenizações com aqueles que reivindicaram obras, que até agora foram somente seis

Alemão que colecionava obras saqueadas pelos nazistas lança site para se defender
'Garota na mesa', de Wilhelm Lachnit, um dos quadros descobertos no apartamento de Cornellius (Reprodução/ Getty Images)

Cornelius Gurlitt, em cujo apartamento em Munique foram descobertas mais de 1.280 obras de arte, lançou um site para contar o seu lado da história.

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“Minhas senhoras e senhores, queridos amantes da arte”, diz uma declaração introdutória, assinada pelo próprio colecionador, no site. “Muitas coisas aconteceram nas últimas semanas e meses, e ainda estão acontecendo. Eu só queria viver com meus quadros, em paz e sossego”.

A descoberta das obras, muitas das quais podem ter pertencido a colecionadores judeus antes da Segunda Guerra Mundial, provocou um debate internacional em curso sobre como lidar com as obras confiscadas pelos nazistas e descobertas anos depois em apartamentos europeus.

O site, que é gerido pelos advogados de Gurlitt, afirma que o colecionador não tinha conhecimento de que as obras que ele herdou de seu pai poderiam ter sido saqueadas, e que ele está preparado para negociar nos casos em que “reivindicações justas dos descendentes de proprietários judeus sejam feitas”.

Os advogados afirmam que tais condições se aplicam a apenas 3% das obras apreendidas e que Gurlitt é o legítimo proprietário do restante. Desde que a descoberta da coleção veio a público em novembro passado, apenas seis pessoas se apresentaram para reivindicar obras.

“Há várias coleções públicas e privadas na Alemanha, onde a cota de arte  potencialmente saqueada é muito maior do que a coleção Gurlitt”, disseram os advogados. Na semana passada, verificou-se que mais 60 obras de arte pertencentes a Gurlitt estavam armazenadas em uma casa de campo na Áustria.

A descoberta das pinturas já teve consequências políticas. Na semana passada, os políticos alemães propuseram uma reforma legal que facilitaria o retorno de obras de arte roubadas a seus legítimos proprietários. Sob a lei atual, as reivindicações dos ex-proprietários expiram 30 anos depois que  os quadros foram roubados. A nova lei propõe que tal prazo de prescrição não se aplique se os novos proprietários mostrarem ter conhecimento das circunstâncias ilegais através das quais as obras foram obtidas.

 

Fontes:
The Guardian-German art hoarder launches website in defence of seized collection

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