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Anos 1970: o poder de metamorfose do rock

Uma década vista como a 'Idade das Trevas' do rock e, ao mesmo tempo, inspiradora de diversos subestilos.

Anos 1970: o poder de metamorfose do rock
A complexidade de bandas como Rolling Stones vem do blues norte-americano (Foto: Wikimedia)

Os anos 1970 são encarados por muitos como a “idade das trevas” do rock. Tanto por ser atrasado em relação ao que se produzia nas duas décadas anteriores — com Elvis Presley e Beatles — quanto por ser aquém do que viria a ser produzido na década de 1980, período que seria visto como a renascença do rock.

De acordo com o jornalista Arthur Dapieve, este estigma não tem fundamento. Em seu curso na Casa do Saber, “O poder do rock dos anos 1970”, esta década seria fundamental para ditar o que seria produzido por músicos nos anos seguintes.

Em parte, esse tipo de pensamento parte do princípio de que o rock bom era o produzido nos anos anteriores. A expressão criada por John Lennon “The dream is over” (“O sonho acabou”) veio a calhar nesta ideia pessimista de que tudo de bom já tinha sido produzido até ali, principalmente, com o fim dos Beatles.

Esta afirmação, porém, cria um paradoxo, porque muitas bandas criadas em 1960 continuavam tocando e produzindo na década seguinte. Os anos 1970 deveriam ser valorizados como um momento de virada do rock, na qual o rock se torna mais complexo e cria diversas subcategorias, como punk, heavy metal e progressivo.

Afinal, como começou o rock?

O mito fundador do rock seria quando Elvis Presley — ainda um reles caminhoneiro — entrou no estúdio Memphis Recording, filial da Sun Records, e gravou duas músicas para sua mãe. Essa gravadora era conhecida por lançar artistas negros e estava ansiosa por lançar músicas feitas por brancos para atrair outro tipo de público.

Em 1954, um ano após sua primeira aparição no estúdio, Elvis retorna a Memphis Recording para registrar mais duas músicas. O dono da gravadora, Sun Philips, aproveita a oportunidade para convidar Elvis para gravar umas canções como profissional.

Elvis era conhecido por ter voz de negro e ser bom intérprete. Sua carreira como conhecemos, com danças sensuais e rebolado subversivo, durou pouco tempo. Já no final da década de 50, Elvis é convocado pelo Exército e embarca para Alemanha. Quando retorna, sua produção musical não teria a mesma carga apelativa, embora ele continuasse a fazer muito sucesso.

Mas, para acreditar que o mito fundador do rock foi com Elvis Presley, teríamos que ignorar a existência de Chuck Berry, John Lee Hooker e outros tantos negros que já tocavam nessa época um blues com uma pegada mais hard.

A inspiração do rock inglês

Para conseguir entender toda a complexidade do rock inglês, é preciso perceber o fascínio que o blues norte-americano exercia sobre os músicos ingleses — numa época em que eles eram desconhecidos pelos brancos dos Estados Unidos. Reza a lenda que quando os Beatles chegaram aos EUA em 1964, perguntaram ao Paul McCartney que pessoa famosa ele gostaria de conhecer. Ele respondeu “Muddy Waters”, e ficou surpreso e irritado ao descobrir que o jornalista não sabia de quem se tratava.

No mesmo ano, a banda Rolling Stones vai aos Estados Unidos se apresentar, mas antes faz uma parada para gravar e tocar com Willie Dixon e Muddy Waters — banda de blues responsável por eletrificar a guitarra.

A influência no rock pós-anos 70

Os estilos de rock que vão fazer sucesso nos anos subsequentes tem raízes nos anos anteriores. O punk rock dos Sex Pistols nasce com uma retomada ao jeito simples de se tocar rock — com três acordes e letras politizadas –, que já vinha sendo adotado por bandas como os Beatles. Não é dizer que os Beatles eram punk, mas os elementos desse estilo já estavam presentes em músicas como “Taxman”.

Outra vertente também nascida neste período é a de um rock mais puxado para o blues, como Rolling Stones e Led Zeppelin. Essas bandas, além de se inspirarem em cantores do blues, gravaram algumas das músicas mais conhecidas do gênero. Como o “I can’t quite you baby” de Willie Dixon.

O rock progressivo, por sua vez, é o que menos se aproxima do que é conhecido como rock, com pegada de rhythm and blues. O som psicodélico de bandas como Pink Floyd, feito por músicos mais sofisticados, criou um estilo bem particular. As letras eram tão bem trabalhadas que foram criados verdadeiros álbuns-óperas de rock — o caso do incomparável “Dark side of the moon”.

3 Opiniões

  1. SANDRA disse:

    AGORA O SONHO DE CURTIR UM BOM ROCK ACABOU MESMO.SÓ RESTAR-T AGORA ACORDAR PARA OUVIR O QUE TEM TOCADO ULTIMAMENE.POR FAVOR DÁ UM MUTE AI NÃO AGUENTO MAIS….ANOS 70… 80…ZZZZZZZZZZ….

  2. Luiz disse:

    Falar que os anos 70 foram anos de trevas para o rock só pode ser coisa de anarquista punk que não gosta de rock progressivo, considerando que os anos 70 foram o ápice dos grupos progressivos, até no Brasil.
    O Pink Floyd sozinho coloca os anos 70 entre as décadas mais criativas que já existiram e ponto final.

  3. Manfred K. Richter disse:

    Pois a década de 00 agora foi bem ZERO de rock, em que a “menor das falhas” até agora foi RESTART.
    Espero que a década de 10 realmente seja DEZ em tudo para a Nova Revolução do Rock. \m/

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