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Série Observações sobre Arquitetura

Igreja de São Francisco de Assis — Ouro Preto, MG

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Victor Hugo se queixa da perda do papel da arquitetura como meio de comunicação de idéias depois da descoberta do livro impresso.

De fato, do final do Gótico até o Movimento Modernista, a arquitetura, destituída desse papel, passa a falar do seu próprio e glorioso passado grego e romano, como algumas famílias empobrecidas falam orgulhosamente de seus importantes ancestrais.

Assim o frontão renascentista fala do frontão do templo grego. Mas histórias quando muito repetidas cansam e assim é necessário recontá-las de maneira mais emocionante.

O frontão revolto da igreja barroca mineira, uma deconstrução do frontão triangular renascentista, é a mesma história, contada com mais emoção.

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4 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    Bom vocês lançarem uma coluna de arquitetura. Só espero que não seja como a de música popular, do Zuza, que começou tão bem e depois sumiu.

  2. Gilda Biolchini disse:

    Acho muito importante poder contar com a opinião de um arquiteto para que possamos ver com outros olhos os detalhes de uma construção que nós, os leigos no assunto, deixamos passar por observarmos a beleza da mesma apenas como um todo.

  3. C. Guimaraens disse:

    O comentário do arquiteto F. Ferreira é poético e procedente. Aproveito para lembrar que no artigo “”ALEIJADINHO” NÃO ERA ARQUITETO” de José Marianno Filho, a “Arquitetura” da fachada de São Francisco foi também maravilhosamente analisada. Esse artigo foi publicado originalmente no Diário de Noticias do Rio de Janeiro, em 1941, republicado no livro Estudos de Arte Brasileira (Rio de Janeiro: s/ed., 1942), sob o título "O “Aleijadinho” não era arquiteto", e está acessível no site do grupo VIverCidades desde 10/08/2007.
    Ensina Mariano Filho:
    “ … por “arquiteto” se entende o artista que possui a capacidade manual de projetar, isso é, de expressar por meio de gráficos convencionais a idéia arquitetônica, e igualmente a de realizar a obra ideada”. E ainda mais ensina Mariano Filho: “… até a época em que subitamente aparece o nome do ornamentista sacro Antonio Francisco Lisboa, como contratante das obras gerais – arquitetura e ornamentação – do templo de São Francisco de Assis de Ouro Preto, não se lhe conhece qualquer gênero de atividade nos domínios da Arquitetura. Tendo colaborado em inúmeros templos de Ouro Preto, Mariana, São João d”El Rey, Sabará e Congonhas do Campo – afora outros de menor importância –, o nome do artista só voltou a ser citado no caráter de “arquiteto”, com relação ao templo de São Francisco de Assis de São João d”El Rey. Aliás, na composição arquitetônica desse templo, a participação pessoal de Antonio Lisboa é incontestável, sem embargo da controvérsia surgida recentemente em torno da pessoa que teria composto o respectivo projeto. Desde o início de sua longa carreira artística, praticada, pelo menos durante sessenta anos a fio – e ela começa inexplicavelmente em São Francisco de Assis de Ouro Preto, e termina em Congonhas do Campo – Antonio Francisco Lisboa viveu exclusivamente do exercício da profissão rendosa de ornamentista sacro–toreuta –, o que se prova historicamente pelas referências incontestáveis às obras desse caráter por ele realizadas”.
    Então, é muito apropriado comentar que a “Arquitetura” do frontão de São Francisco tem tudo a ver com "algo mais" que o simples desenho dos arquitetos.
    C. Guimaraens, arquiteta

  4. heloisa disse:

    Gostei da leveza, consistência, novidade, concisão, e ótima foto do artigo. E sobretudo da relação desse frontão, (obra de arte tão amplamente analisada como nos ensina a arquiteta) com a história, com o momento atual, e com a nossa capacidade de nos renovar e a emoção que isto nos causa. É desse olhar mais múltiplo que estamos precisando

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