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Debate

Prédios horríveis merecem ser conservados?

Proposta de demolição de edifício do governo do estado de Nova York divide opiniões: estilos pouco agradáveis aos olhos devem ser varridos das paisagens urbanas ou merecem ser mantidos como exemplos de estilos arquitetônicos?

Prédios horríveis merecem ser conservados?
Prédio em estilo brutalista projetado por Paul Rudolph corre riscos de se demolido

O prédio do governo do Condado de Orange, em Goshen, Nova York, tem um telhado com vazamentos, uma ventilação ruim, mofo, e aos olhos de muitas pessoas é, simplesmente horrível. Membros do governo o fecharam no ano passado e gostariam de demoli-lo e construir um prédio novo em seu lugar. Mas ele é um grande exemplo da arquitetura brutalista, e foi projetado pelo renomado arquiteto Paul Rudolph, logo, muitos querem preservá-lo. Será que até mesmo prédios feios e pouco populares devem ser salvos se forem importantes? Ou será que a comunidade ou os donos do terreno deveriam ter a oportunidade de eliminar erros arquitetônicos?

“Edifícios em estilo brutalista – que utilizam matérias-primas como concreto e fazem galerias de arte parecem abrigos antibombas — são certamente notáveis esteticamente: infelizmente, em um sentido totalmente negativo. Um único edifício com estas características pode arruinar toda uma paisagem urbana, e muitas vezes é difícil acreditar que tal destruição não era a intenção original do arquiteto”, diz Anthony M. Daniels, frequente colaborador da revista New Criterion. “Preservar rígidos edifícios modernistas é negar seus crimes contra a humanidade”, diz ele. “Preservem um. Derrubem o resto”.

Daniels não é único com essa opinião: “Enquanto a elegância simples da arquitetura modernista pode ser de tirar o fôlego, edifícios brutalistas como Boston City Hall nunca receberão o tipo de bajulação generalizada dedicada a construções como o terminal da Grand Central Station, em Nova York”, afirma David J. Brown, vice-presidente de National Trust For Historic Preservation, que, no entanto, não é tão radical quanto às demolições. “A história dos Estados Unidos é contínua, e nossa compreensão dessa história está em constante evolução. Devemos levar em conta as inovações e o significado arquitetônico desses locais, além das maneiras nas quais eles impulsionam nossa compreensão da arquitetura”.

Allison Arieff, editora da The Urbanist, espera que o Condado de Orange reveja sua posição e mantenha o prédio de Rudolph de pé. “A biblioteca pública da cidade de Niagara Falls foi projetada por Rudolph num estilo semelhante ao do prédio de Goshen. No entanto, está sendo reformada, e não derrubada. Os edifícios mais ecologicamente corretos são aqueles que já estão construídos. A reforma do prédio do governo do condado de Orange custará US$ 67 milhões. Derrubá-lo e construir um novo prédio em seu lugar custará USS$ 136 milhões. É uma alta diferença de valores que poderia ser muito bem aproveitada pelo governo”, afirma.

“Um critério a ser considerado é como os prédios se adequam a seus propósitos e funções. Caso haja funcionalismo, qualidade arquitetônica e capacidade de se adaptar aos padrões contemporâneos a um custo baixo, devemos apostar na preservação. Os custos são importantes, mas a história também é”, afirma Aaron M. Renn, editor do blog Urbanophile.

Raksha Vasudevan, da Liga Nacional de Centros Municipais para pesquisa e inovação, afirma não gostar do estilo brutalista, no qual enxerga, inevitavelmente, “as limitações do concreto”, mas crê que o problema esteja nas opções, que se dividem quase sempre entre a demolição e a preservação sem alterações. “A Tate Modern de Londres costumava abrigar uma central elétrica alimentada por petróleo, e hoje é lar de um dos museus de arte mais famosos do mundo. A reutilização do prédio transformou a vizinhança, aumentou a disponibilidade da arte para o público e o transformou em um marco arquitetônico e num símbolo de Londres”.

 

 

Fontes:
The New York Times - Are Some Buildings Too Ugly to Survive?

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