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Museus permitem acesso à arte pelo computador

Por Fernanda Dias

2/12/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A

Não é mais preciso ir a Paris para dar um giro de 360º pela sala 14 da Ala Sully do Museu do Louvre e conferir os sarcófagos egípcios que lá estão expostos. Muito menos enfrentar quase dez horas de voo — isso se for direto, sem escala — para chegar a Nova Iorque, apreciar uma exposição do Museu de Arte Moderna, o MoMA, e poder adquirir seu catálogo. Em apenas alguns segundos é possível fazer tudo isso pela internet, já que os sites dos museus — principalmente os do exterior — estão cada vez mais modernos e permitindo uma grande interação com o internauta. Para os amantes da arte, as possibilidades oferecidas pela web não param de surgir: as galerias online, por exemplo, são a mais recente forma de se conhecer artistas que estão despontando no mercado ou até mesmo adquirir obras de pintores consagrados.

Disponível em inglês e francês, o site do Louvre oferece um tour virtual com uma visão panorâmica de diversos departamentos, como o de antiguidades orientais, egípcias, gregas e romanas, arte islâmica, esculturas, entre outros. O internauta se sente como se estivesse dentro do museu. Saindo da Europa e indo até o Oriente Médio, é possível entrar no Museu do Iraque — cujo acervo é tido como o quarto mais importante no mundo — sem precisar ter medo de arriscar a vida na guerra que ainda assola o país. O Ministério das Relações Exteriores da Itália fundou o Museu Virtual do Iraque,  com obras de todos os períodos dos seis mil anos de história da região. Cada item, que pode ser ampliado com zoom, é acompanhado por uma descrição. Segundo a diretora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ângela Âncora da Luz, os sites dos museus brasileiros já estão seguindo o que está sendo feito lá fora, embora ainda não tenham chegado a certos graus de sofisticação, de possibilidades, de nível de informação, sobretudo visual, que os grandes museus internacionais já apresentam. De uma maneira geral, Ângela acredita que a internet popularizou o acesso à arte na medida em que tornou possível trazer um acervo específico para dentro de casa:

- Isso nos dá condições de salvar nossas obras preferidas e, de alguma forma, colecionar em nossos próprios arquivos aquelas que mais nos agradam, o que faz com que o conhecimento artístico se amplie e o acesso às obras se multiplique.

Para o diretor da Galeria Motor, que foi inaugurada em novembro e reúne diversas galerias de arte tradicionais do país no portal Submarino, Alexandre Roesler, a internet permite educar o olhar das pessoas, ampliar o acesso à arte de qualidade, além de expandir o universo de novos colecionadores e interessados por arte:

- É possível levar a arte contemporânea para fora dos principais centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro e permitir que qualquer pessoa com um computador e acesso à internet possa conhecer, acompanhar, comprar e receber obras de arte com segurança e tranquilidade em qualquer lugar do país.

Galerias de arte se expandem no cenário nacional

Consideradas lugares sofisticados e para poucos, as galerias de arte estão se tornando acessíveis para milhões de pessoas. Somente este ano, foram inaugurados sites como o Invest.art, que trabalha com artistas jovens, o Foto na Parede, especializado em fotografia, e a Galeria Magenta, que se concentra na produção de jovens ilustradores. Mais recentemente, galerias tradicionais, como Casa Triângulo e Nara Roesler, entraram no mercado online através da Galeria Motor, que contempla exclusivamente a arte contemporânea selecionada por especialistas reconhecidos no circuito.

“As galerias de arte tradicionais ocupam um mercado muito sofisticado e exclusivo. Focado em obras únicas, mais caras, para um público restrito. A ideia da Galeria Motor não é de concorrer diretamente com as galerias tradicionais e sim ampliar o interesse das pessoas para a arte contemporânea ao oferecer obras únicas de talentos promissores e obras com edições limitadas de artistas consagrados a um público maior”, ressalta Alexandre.

Para a fundadora do Foto na Parede, Dani Lima, o fácil acesso à arte exposta na internet ajuda a gerar mais interesse em quem conhece pouco do assunto. A partir disso, é possível que a pessoa acabe comprando uma obra que está exposta na rede. Mas, segundo Dani, os consumidores ainda estão se acostumando com a comodidade de comprar sem sair de casa:

“Em poucos casos, temos pedidos para ver a obra antes de comprar. Mas, como vendemos fotografias e ilustrações, fica mais fácil para o cliente ver o que vai receber ao contrário da venda de uma escultura ou instalação. Temos o cuidado de colocar as imagens em um bom tamanho no site para que as pessoas possam analisar os detalhes e ter uma boa ideia do que vão comprar.”

A arte também invade as redes sociais

Para os consumistas, não faltam tentações. Além das galerias online, as redes sociais têm sido usadas para divulgar exposições, eventos de arte e leilões virtuais. Dani e sua irmã e sócia no Foto na Parede, Deise Lima, são, como elas mesmas dizem, crias do mundo virtual. As duas construíram suas carreiras em empresas e agência voltadas para serviços para internet, e, por isso, se sentiram confortáveis para experimentar novas possibilidades para o Foto na Parede. Em setembro, por exemplo, as duas fizeram um leilão de arte no Twitter — até onde se sabe, o primeiro do mundo. Fora do Brasil, até mesmo o MoMa já entrou na onda e criou páginas no Twitter, no Facebook, no Flickr e no Youtube.

“Cada rede social tem um público específico. Muitas vezes estes públicos se cruzam, mas as pessoas se relacionam de forma diferente com o Twitter e com o Facebook, por exemplo. A gente tenta atrair pessoas que tenham interesse em nossa proposta através destas redes gerando conteúdo, oferecendo promoções, fazendo sorteios, leilões. Não dá mais para pensar que estar na internet é ter um site e pronto. Você precisa estar onde o seu público está. E precisa conversar com ele, interagir, trocar ideias bem antes de sair falando “compra aí…”. As pessoas hoje buscam marcas e serviços que possam facilitar sua vida e com as quais elas possam se relacionar. A presença nas redes sociais é um bom caminho para isso”, ressalta Dani Lima.

Escrito por: Fernanda Dias

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