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Mapas invisíveis

Artistas ‘traduzem’ São Paulo em exposição

De 30 de agosto a 30 de outubro, a Caixa Cultural da Av. Paulista apresenta a cidade traduzida por dez artistas, em mostra inspirada por livro de Italo Calvino. Por Solange Noronha

Artistas ‘traduzem’ São Paulo em exposição
Exposição 'Mapas invisíveis' abre no dia 30 de agosto em São Paulo (Reprodução/Terra)

Fã do escritor Italo Calvino, Daniela Name não passou incólume pela leitura de “Cidades invisíveis”: “Fiquei pensando como existem mapas soterrados pela história das cidades, que também só existem para nós de fato se tomamos posse delas”, diz a jornalista, curadora da mostra “Mapas invisíveis de São Paulo”, que começa na próxima terça-feira, 30, na Caixa Cultural da Av. Paulista. Daniela repete a experiência iniciada no ano passado, quando convidou “artistas cariocas a mergulhar no Rio”. O resultado? “Duas exposições muito distintas, mas igualmente instigantes.”

Foto de Estela Sokol em exposição

Na seleção dos artistas, pesaram alguns fatores: “Busquei quem tivesse afinidade com a ideia de mapa e território, caso da Marilá Dardot ou do Marcelo Moscheta (que escolheu o Pico do Jaraguá); ou aproximação com a arquitetura e o urbanismo, caso da Lucia Koch (Vila Medeiros). E há outros em cuja obra não se vê nada disso claramente, mas que eu admirava profundamente e sabia que eram capazes de embarcar no projeto e fazer trabalhos de grande qualidade. Nenhum me decepcionou.”

Surpresas e muita diversão

Fazer surgirem esses “mapas soterrados” não é tarefa simples, admite Daniela: “Lidamos o tempo inteiro com o imponderável. Até os produtores — Mauro Saraiva e Joana Câmara — precisam ser guerreiros e ter grande agilidade, pois as obras, inéditas, são uma ‘caixinha de surpresas’, ainda que todas boas. Trabalhos como o vídeo que a Tatiana Blass vai apresentar, tendo como tema o bairro da Pompeia, valem qualquer sacrifício. Falando assim, parece que a gente não se diverte. É divertido, também — e muito!”

A já citada Marilá Dardot assina um trabalho em dupla — com Cinthia Marcelle — que é também o único mapa abstrato da exposição: “Elas são amigas de muitos anos e, apesar de terem trajetórias individuais muito bem sucedidas, também trocam experiências em projetos conjuntos. O resultado ficou genial”, antecipa a curadora, para depois fazer suspense. “Na verdade, será um trabalho em trio, porque o público terá papel fundamental para que a obra se conclua.”

“Mapas invisíveis de São Paulo” fica aberta até 30 de outubro e, além dos artistas mencionados, apresenta trabalhos de Estela Sokol (Barra Funda), Fabiano Gonper (Praça Roosevelt), Laerte Ramos (Liberdade), Lenora de Barros (Jardim da Glória) e Paulo Nenflídio (Santa Efigênia). Enquanto isso, Daniela já pensa em “mapear” Brasília, “se tudo der certo”.

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