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‘Blue bloods’: enfim, uma série de TV com uma família normal. Será que emplaca?

Produção da CBS, exibida no Brasil pelo canal pago Liv, ainda não tem uma segunda temporada garantida. Por Solange Noronha

‘Blue bloods’: enfim, uma série de TV com uma família normal. Será que emplaca?
O super elenco de detetives do Blue Bloods (Fonte: CBS)

Ver “Blue bloods” é um pouco como voltar ao passado. Em tempos de famílias disfuncionais — para usar um termo em voga — em que pais e filhos retratados na televisão ou são loucos, ou drogados, ou devassos, ou tudo isso junto e muito mais, os Reagan chegam a causar estranhamento e dão ao espectador a sensação de estar assistindo a uma produção de época. Outra surpresa é ver gente de diferentes gerações agindo de acordo com suas idades e atividades — escolares ou profissionais — e que, reunida à mesa para uma refeição, se comporta educadamente e não transforma a ocasião, invariavelmente, em bate-boca, com todos falando ao mesmo tempo e cada vez mais alto, numa cacofonia insuportável — o que pode parecer um pleonasmo para alguns.

Assista ao trailer da série em inglês (sem legendas)


No domingo passado, dia 13, o Liv — canal por assinatura que exibe o seriado no Brasil — fez retrospectiva dos primeiros episódios, talvez para tentar conquistar uma audiência comumente dispersiva no período de carnaval. Ver algumas histórias seguidas também ajuda a se ter uma perspectiva mais ampla da trama, que é bem simples, linear, e tem a vantagem de não deixar pontas soltas na base do irritante “to be continued” — que às vezes está na raiz da série e nem precisa aparecer escrito na tela. Há um mistério que envolve essa família de “sangue azul”, na qual quem não veste a farda (da mencionada cor) da polícia de Nova York serve à lei na promotoria pública: a possível participação nos “templários azuis”, espécie de maçonaria policial que ainda não deu as caras. Mas o assunto não parece ter grande relevância na trama, pelo menos pelo que se sabe dos 17 episódios que já foram ao ar nos EUA, pela CBS.

Um pouco menos de paranoia e correria

O grande trunfo de “Blue bloods” é a presença forte e carismática de Tom Selleck, com seu indefectível bigode — um “acessório” que poucos conseguem usar sem perder o charme. Ao contrário de Magnum, o detetive malandro que marcou sua carreira, aqui ele é o sério e compenetrado Frank Reagan, comissário da polícia nova-iorquina e também o afetuoso chefe de família que convive, sem dramalhão, com a dor da perda da mulher e de um filho.

Tom Selleck e seu indefectível bigode

Tom Selleck e seu indefectível bigode

Donnie Wahlberg não faz feio como Danny Reagan, detetive da divisão de casos especiais — só não precisava pentear o cabelo todo para frente, tentando esconder a carequinha, e fazer tantas cenas correndo atrás de bandidos, como se precisasse mostrar que está em boa forma — aliás, os roteiristas bem que podiam reduzir também o número de episódios com ameaças terroristas, pois essa paranoia dos EUA já começa a cansar (e eles têm outras muito mais interessantes, que rendem coisa bem melhor — vide, por exemplo, “Taken” e “Arquivo X”).

Donnie Wahlberg como o detetive Danny Reagan

Donnie Wahlberg como o detetive Danny Reagan

O bonitinho Will Estes anda exibindo aquele ar de cachorro abandonado que é marca de Josh Stewart (o Joshua de “No ordinary family”) e, na pele do caçula Jamie Reagan, precisa aprender a sorrir um pouco mais com o instrutor e parceiro vivido pelo simpático Nicholas Turturro. Igualmente simpática é a parceira de Danny, Jackie — e aqui o único problema é o público esperar que, de repente, Jennifer Esposito tenha uma tirada típica da maluquete Andrea, sua divertida personagem em “Samantha Who?”.

Beleza, experiência e harmonia

De volta ao clã central, Len Cariou empresta sua experiência ao patriarca Henry, comissário aposentado, enquanto Bridget Moynahan exibe sua beleza como a promotora assistente Erin Reagan-Boyle. Ainda mais linda é a adolescente Sami Gayle, intérprete de Nicky Reagan-Boyle, filha da advogada divorciada. A família se completa com Linda (Amy Carlson), mulher de Danny, e seus dois filhos, Jack e Sean (Tony e Andrew Terraciano).

Tudo funciona bem dentro desse núcleo familiar anacrônico, que não diz nomes feios na frente das crianças e pede mil desculpas se usa um termo mais forte — nada que chegue aos pés da linguagem que o público se acostumou a ouvir — e sempre reza antes das refeições. Claro que eles discutem, mas as coisas são sempre resolvidas com uma boa conversa e fartas doses de ponderação.

A estrutura das histórias, como já foi dito, é simples. Se o caso da vez gira em torno de um adultério, vemos a solidez do casamento de Linda e Danny, que resiste às investidas de uma bela e sedutora mulher. Se uma adolescente é morta, o foco se volta para a jovem Nicky. Se um fuzileiro naval é assassinado, ficamos sabendo mais do passado de Danny como combatente no Iraque. E assim por diante.

Logo no início, o público norte-americano reagiu bem a essa novidade com gosto de antigamente. Hoje, porém, o destino das séries nos EUA é uma roleta e as oscilações da audiência, medidas incansavelmente, já beiram o nível da paranoia que eles parecem amar — basta ver o número de sites dedicados ao tema, atualizados diariamente, com listas dos possíveis “cancelados” e “renovados” da temporada. Vai ser legal se “Blue bloods” tiver continuidade. É bom de vez em quando ver um seriadinho descomplicado e uma família tranquila, para variar.

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Adverso ou inverso, esse vale a pena, com Tom Selleck é massa. É muito boa essa série, o tal do Frank Reagan, mata a versão de inverso e adverso, é muito bom mesmo. Emplaca sim.

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