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MINISTÉRIO DA CIDADANIA

Bolsonaro nomeia pastor para a secretaria de Cultura

Ascensão de pastor ocorre em momento de escalada de censura contra peças culturais. PF vai investigar autores de curta ficcional a mando do ministro Moro

Bolsonaro nomeia pastor para a secretaria de Cultura
Escolha de Ricardo Braga teria partido de Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

O pastor Ricardo Braga assumiu a Secretaria Especial de Cultura, do Ministério da Cidadania. O nome do novo secretário foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira, 4.

Segundo informações do Globo, a escolha de Braga foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro. Os ministros Osmar Terra, da Cidadania, e Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, defendiam o nome de José Paulo Martins, que estava interino no cargo. Terra nem ao menos conheceria o novo subordinado.

De acordo com o jornalista Lauro Jardim, a nomeação de Braga se enquadra no perfil “terrivelmente evangélico” defendido por Bolsonaro. No currículo, o novo secretário já foi responsável pela Pasta de Cultura de Holambra (SP) e foi diretor da Orquestra Municipal de Campinas (SP).

A nomeação de um religioso para o cargo ocorre em um momento de avanço da censura em peças culturais. No último dia 21 de agosto, o governo federal censurou um edital para produções para TVs públicas, por haver entre os contemplados obras voltadas para a temática LGBT.

Seriam contemplados 80 projetos, sendo que 10 deles eram de conteúdos das categorias “diversidade de gênero” e “sexualidade”. Diante disso, o governo determinou a suspensão do edital.

A medida fez com que o então secretário de Cultura, Henrique Medeiros Pires, pedisse demissão.

“Isso é uma gota d’água, porque vem acontecendo. E tenho sido uma voz dissonante interna. Eu tenho o maior respeito pelo presidente da República, tenho o maior respeito pelo ministro, mas eu não vou chancelar a censura”, afirmou Pires.

PF contra ficção

O ministro da Justiça, Sergio Moro, solicitou a abertura de um inquérito policial por ameaça e apologia ao crime devido a um curta-metragem de ficção. O filme em questão se chama “Operação Lula Livre” e foi publicado no último dia 20 de agosto no YouTube. A Polícia Federal vai investigar os autores da produção.

Isso porque o curta retrata o sequestro da filha do ministro Célio Mauro pela libertação do ex-presidente Luiz Jararaca da Silva. Já na descrição do vídeo, os autores esclarecem que o filme é “uma apologia ao pacifismo, à civilização e à democracia” e destaca que a produção “critica, ridiculariza e repudia a luta armada”.

Os produtores usam várias linguagens e imagens populares em tom de ironia. Em diferentes momentos é possível ver camisas do Che Guevara, charutos cubanos, pão com mortadela, entre outras coisas. Enquanto isso, a filha do ministro Célio Mauro veste uma camisa do Brasil.

Expressões como “direitos humanos para humanos direitos”, “Luladrão”, “ícone contra a corrupção”, “tonta do MBL” também são utilizadas ao longo dos pouco mais de 15 minutos do curta. Também são feitas menções a milicianos, à Vaza Jato promovida pelo portal “The Intercept Brasil” e ao coronel da ditadura militar Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O curta-metragem também ironiza, em tom crítico, a inscrição “eu sou ladrão e vacilão”, feita na nesta de um adolescente em 2017. Na produção, porém, a expressão “Lula Livre” é feita à caneta, mantendo o discurso pacifista em tom de ironia contra os “fascistas”, como é destacado em diferentes momentos do vídeo.

Até o momento, o vídeo teve mais de 90 mil visualizações. No entanto, o público tem expressado rejeição ao curta-metragem, com mais de 10 mil reações negativas e pouco mais de 40 reações positivas.

Leia também: Ao boicotar o cinema nacional, Bolsonaro dá as costas para mercado bilionário
Leia também: Cinema brasileiro: da chanchada ao cult

Fontes:
O Globo-Bolsonaro nomeia novo secretário especial de Cultura
Estadão-Bolsonaro nomeia Ricardo Braga para cargo de secretário especial de Cultura
O Globo-PF vai investigar autores de curta de ficção sobre sequestro de filha de Moro para libertar Lula

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