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Série Observações Fotográficas

Bons e maus lugares do Rio de Janeiro IV

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Um lugar culto

O edifício está em uma pequena praça trapezoidal, e se situa na base maior do trapézio. Devido a uma característica da perspectiva de um espaço trapezoidal, o edifício parece mais perto para quem está na base menor do trapézio, como no Campidoglio de Roma, projetado por Michelangelo.
Por uma pequena porta entra-se em um espaço de oito lados, altíssimo, encimado por uma clarabóia. As paredes são revestidas por lombadas de livros, douradas, vermelhas, de todas as cores. São livros antigos, e suas lombadas têm a pátina do tempo. Reina o silêncio.
É o Real Gabinete Português de Leitura.

Lugares medíocres

Talvez para evitar o grafite, foram pintados na cidade diversos murais. Esses murais são na sua maioria feios, medíocres, sem nenhum significado. Preservados os poucos com valor artístico, parece que a única maneira de proteger esses muros de mais grafites e murais é tê-los cobertos com hera, e em alguns casos, substituí-los por grades.

Fábio Vidigal
Fábio Vidigal
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  1. Hugo disse:

    Concordo em gênero, número e grau. Esta séire promete!

  2. ruthinha disse:

    Quão pouco o Real Gabinete Português de Leitura é visitado e quanta mediocridade dos grafites doentes temos que visitar pelas ruas do Rio. Duas grandes lembranças do arquiteto. Acertou em cheio

  3. Luciana Mares disse:

    Realmente, um senhor contraste!

  4. flavita disse:

    Espero que passe logo a idéia de oferecer os muros do Rio a um gasto com tempo, tinta e mau gosto. Foi uma solução desesperada para contrapor os muros inevitalmente pichados. Geralmente estes grafires acontecem em muros ilustres. O arquiteto ofereceu a melhor solução: verde e transparência. O município deveria banir outdoors, grafites e outras poluições visuais pela cidade.

  5. Chicomaria Arouet disse:

    Proponho ao Flavio comentar a seguinte questão:
    É proibida a construção acima da cota 100. Como a parcela formal da sociedade é obrigada a cumprir a lei e a parcela informal não a cumpre, o resultado são as favelas que vicejam em terrenos que não podem ter utilização privada formal.

    Peço ainda comentar este pequeno aforisma que acabei de inventar: Utopia de arquiteto é a desgraça da cidade.

  6. Flavio responde ao Arouet disse:

    Leis do tipo "aqui não pode" só são cumpridas se houver a contrapartida "mas ali pode". Abordarei esta questão em artigo que ainda estou escrevendo. A propósito das encostas florestadas: ainda bem que pelo menos o setor formal respeitou a lei da cota cem. As favelas ocupam cerca de 1% acima dela. Se não houvesse a lei quase 100% das nossas encostas estariam construidas formalmente.
    Quanto ao aforismo concordo com Arouet com a seguinte correção: As utopias simplistas e fantásticas dos arquitetos modernistas são a desgraça da cidade, entretanto as utopias complexas e modestas de nosostros, arquitetos contemporãneos, não o são.

  7. Chicomaria Arouet disse:

    Obrigado pela consideração da resposta. Concordo com a distinção das utopias, mas, na questão da cota 100, acho que com uma ocupação planejada, unifamiliar teríamos mais Santas Terezas e "menas" rocinhas e seus puxadinhos.