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RIO 2016

Choque de culturas em uma partida de vôlei

Partida de vôlei de praia entre Egito e Alemanha expôs o encontro de duas culturas, religiões e códigos de vestimenta unidos pelo esporte

Choque de culturas em uma partida de vôlei
Ocidentais e muçulmanos sofrem da falta de compreensão mútua de suas culturas (Foto: Reuters/Lucy Nicholson)

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No último domingo, 3, uma cena curiosa chamou a atenção daqueles que assistiram a disputa de vôlei de praia entre as seleções femininas do Egito e da Alemanha. As duas jogadoras da equipe egípcia disputaram a partida usando leggings, blusas de mangas compridas e o véu islâmico hijab. Do outro lado, as jogadoras da equipe alemã trajavam apenas os tradicionais biquínis.

Uma foto clicada por Lucy Nicholson, da Reuters, capturou o instante em que as jogadoras Doaa Elghobashy, do Egito, e Kira Walkenhorst, da Alemanha, disputavam uma bola frente a frente na rede, com as mãos quase se tocando. A imagem das mulheres justapostas retrata o encontro de duas culturas, religiões e códigos de vestimenta unidos pelo esporte. O choque de culturas fez com que a imagem se tornasse viral nas redes sociais e jornais do mundo todo.

A imagem que o Ocidente tem do islã e a imagem que os muçulmanos têm da cultura ocidental sofrem da falta de compreensão mútua. E nenhuma área é mais expressiva em relação a isso quanto o tratamento dados às mulheres: o papel, a sexualidade, a vestimenta e as ambições femininas de cada cultura.

No Ocidente, a história costuma ser apresentada como a emancipação feminina ocidental versus a subjugação das mulheres islâmicas. Já os muçulmanos costumam associar a liberdade e ousadia da mulher ocidental à decadência e à prostituição. As duas visões, no entanto, são equivocadas.

É um erro achar que mulheres islâmicas são seres sem poder, à espera de libertação. Muitas delas usam o véu por escolha própria. Isso não impede sua sensualidade, que elas expressam através de palavras e modos de agir. Existem muitas muçulmanas como Doaa Elghobashy: jovens, modernas, que saem para se divertir, estudam, trabalham e praticam esportes. E, claro, também há muitas mulheres ocidentais como Kira Walkenhorst, que não veem nada de errado em mostrar o corpo em um biquíni.

Não há como dizer qual dos dois tipos é mais conservador, mais feminista ou mais livre. O fato é que são necessárias mais cenas como as da partida entre Egito e Alemanha para provocar esse tipo de reflexão e descartar antigas máximas caricatas e perigosas.

Fontes:
The New York Times - Olympians in hijab and bikini

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