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INCLUSÃO SOCIAL

Documentário ‘Paratodos’ vai muito além do senso comum

O&N participa de evento de lançamento, que foi feito em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro

Documentário ‘Paratodos’ vai muito além do senso comum
Cartaz do documentário 'Paratodos' (Foto: Divulgação)

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Provavelmente, você já ouviu falar do jamaicano Usain Bolt, um dos maiores fenômenos do atletismo, que coleciona recordes e medalhas olímpicas. Mas será que você conhece Terezinha Guilhermina? Em 2012, ela completou a prova dos 100 metros em 12s01. A atleta também é um ícone: ela é considerada a velocista cega mais rápida do mundo. E sim, ela é brasileira. Bolt, inclusive, já correu com Guilhermina, servindo de guia para a atleta, em abril de 2015, em visita ao Rio de Janeiro. O guia de Guilhermina é o atleta Guilherme Santana.

Terezinha é apenas uma das atletas protagonistas do documentário “Paratodos”, dirigido por Marcelo Mesquita e roteirizado por Peppe Siffredi, ambos produtores do filme. A obra acompanha durante quatro anos o cotidiano de quatro equipes de atletas paralímpicos. Mas engana-se quem acha que o filme só retrata o lugar-comum da superação. A trama mostra questões muito além das deficiências de cada um. Aliás, é muito fácil se esquecer das deficiências dos atletas ao longo do documentário. O público, por exemplo, vai refletir muito mais sobre o ganho de peso de Alan Fonteles, velocista paralímpico detentor do recorde de 100 e 200 m, do que sobre sua deficiência em si. Com apenas 21 dias de vida, ele teve as pernas amputadas depois de uma infecção. No caso de Teresinha, a trama gira em torno da diferença de condicionamento físico entre a atleta e seu guia.

Na modalidade de paracanoagem, os atletas protagonistas  são Fernando Fernandes e Fernando Cowboy Rufino. Fernando Fernandes é tetracampeão de paracanoagem. Ele participou do reality show Big Brother Brasil 2 antes de sofrer o acidente que fez com que ele perdesse os movimentos das pernas. Cowboy, por sua vez, sofreu quatro acidentes antes de se tornar um ícone da paracanoagem. Nesta modalidade, uma das principais discussões é a classificação funcional dos atletas, que indica o grau de comprometimento da deficiência no atleta. O grau é o que define com quem o atleta pode disputar.

O time dos atletas não para por aí, nem os temas que são abordados no filme. O documentário também foca na questão da pressão que o atleta sofre, na rotina de treinos, no papel da família, entre outras coisas. A grande questão do documentário é mostrar que todos são humanos e como todo humano, eles estão sujeitos a ganhar e perder seja em disputas na vida pessoal ou no esporte. Ninguém é super-herói, mas todos dão o melhor de si para alcançar seus objetivos. E para mostrar isso tudo, o documentário não cria um olhar de “coitadinho”, muito pelo contrário, apresenta um um olhar real sobre situações cotidianas.

Segundo o Censo Demográfico do IBGE de 2010, cerca de 24% da população brasileira tinha algum tipo de deficiência em algum nível. Em 2012, o Brasil ocupava o 85° lugar entre 187 países no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Nas Olimpíadas daquele ano, o Brasil ganhou 17 medalhas, sendo três delas de ouro, ficando na 22° posição no ranking mundial. Já nas Paralimpíadas, o Brasil ganhou 43 medalhas, sendo 21 delas de ouro, ocupando a 7° posição no ranking. Em 2015, o IDH brasileiro subiu para o 75° lugar entre 188 países. Nestas Paralimpíadas, espera-se que o Brasil fique em 5° lugar do ranking geral.

A estreia do documentário foi pensada para acontecer justamente antes dos Jogos, um ótimo incentivo para nossos atletas. O filme está previsto para estrear no dia 23 de junho e, paralelamente ao circuito, o documentário será exibido em escolas públicas do Brasil. Esta distribuição foi desenvolvida pela Sala12 Filmes em parceria com a Taturana – Mobilização Social, e patrocinado pela Caixa Cultural. O objetivo é ampliar a discussão da educação inclusiva e da acessibilidade na rede pública de ensino. Qualquer escola pública que quiser participar do projeto deve preencher um formulário neste site.

 

Evento de lançamento em Copacabana

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Roteirista Peppe Siffredi e Juliane Soares, membro do comitê organizador do Jogos Paralímpicos Rio 2016 (Foto: Mariana Mauro)

Na última segunda-feira, 6, o O&N compareceu ao evento de lançamento do projeto, que foi feito em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A sessão especial aconteceu no Cine Joia de Copacabana e contou com a presença de professores e de profissionais da secretaria. Após a exibição do documentário, o roteirista Peppe Siffredi e Juliane Soares, membro do comitê organizador do Jogos Paralímpicos Rio 2016, conversaram com os convidados sobre o documentário e sobre os atletas, além de discutirem com os convidados as melhores formas de trabalhar o assunto em sala de aula.

Pepe Siffredi contou ao O&N que a identificação e a confiança entre os atletas e a equipe do documentário foram fundamentais para conseguir filmar a rotina deles durante quatro anos. Quando o filme começou a ser produzido nem a própria equipe tinha definido exatamente qual seria o caminho a seguir, apenas tinham a certeza que seria uma obra sobre esportes. Realmente, a superação dos atletas foi apenas o começo desta história que emocionou, mas que também arrancou inúmeras risadas da plateia.

 

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1 Opinião

  1. Élio J. B. Camargo disse:

    Acho que estes, os que desrespeitamos cotidianamente na sua mobilidade pela cidade, com obstáculos, impedimentos e falta de consideração por esquecimento de suas dificuldades e possibilidades, serão as estrelas das Olimpíadas. Ainda bem!

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