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JOGOS PARALÍMPICOS

Etiópia proíbe paratleta de competir após protesto contra o governo

Medida é retaliação ao velocista Tamiru Demisse por gesto de protesto contra o governo feito após cruzar a linha de chegada. É o segundo atleta do país a se manifestar

Etiópia proíbe paratleta de competir após protesto contra o governo
O paratleta disse aos jornalistas que teme ser morto pelo governo da Etiópia (Foto: Reprodução/Youtube)

O Comitê da Etiópia proibiu o velocista paratleta Tamiru Demisse de continuar a competir pelo país nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro. A medida foi tomada em retaliação a um gesto de protesto contra o governo etíope feito pelo paratleta após uma prova no atletismo no último domingo, 11.

Com a proibição, Demisse fica impedido de competir a prova dos 400 metros na categoria T13 – deficientes visuais – nesta terça-feira, 13.

Demisse conquistou a medalha de prata nos 1.500 metros. Após cruzar a linha de chegada, ele ergueu os braços cruzados em forma de “X”, gesto utilizado por manifestantes da etnia oromo contra a perseguição do governo etíope. O gesto foi repetido durante a cerimônia de premiação e na entrevista dada a jornalistas.

O paratleta disse aos jornalistas ser contra as ações de repressão do governo da Etiópia à etnia oromo e declarou que não poderia voltar para casa. “Eu não vou voltar para a Etiópia. Eu vou para outro país. Se eu voltar, me matam. Tenho certeza”, disse o velocista paralímpico, que logo depois contou que queria ir para os Estados Unidos.

É a segunda vez que o protesto é realizado durante uma competição no Rio de Janeiro. Anteriormente, o atleta Feyisa Lilesa fez o mesmo gesto de repúdio contra o governo etíope após conquistar a medalha de prata na maratona nos Jogos Olímpicos. Na ocasião, o maratonista contou que temia por sua vida, pediu asilo ao Brasil e até conseguiu acesso aos Estados Unidos.

A Etiópia vive um clima de instabilidade por conta de um plano nacional de desenvolvimento aprovado pelo governo do presidente Mulatu Tshome e do primeiro-ministro Hailemariam Desalegn. O plano vem expandindo áreas industriais e tem promovido desapropriações em regiões no entorno da capital Addis Ababa, o que afetou principalmente a etnia oromo e desencadeou protestos contra a minoria amhara – elite econômica do país.

O país enfrenta uma série de protestos desde dezembro de 2015 que se intensificaram no último mês. Segundo a ONG Human Rights Watch, as repressões violentas do governo provocaram mais de 400 mortes desde o início das manifestações.

Fontes:
Estado de S. Paulo-Paratleta etíope que protestou contra governo é impedido de correr novamente
G1-Prata nos 1.500m, etíope protesta e diz que não retorna: "Se voltar, me matam"

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