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Copa 2010

Físicos explicam comportamento polêmico da Jabulani

Para uns, a culpa é da altitude dos campos da África do Sul, já outros afirmam que a tecnologia utilizada na superfície da bola é a responsável pelo comportamento diferenciado. Por Rafael Vitoriano

Físicos explicam comportamento polêmico da Jabulani
Jabulani - A bola da Copa do Mundo 2010 (Fonte: Wikimedia Commons)

Polêmica dentro de campo. A bola oficial da Copa da África, intitulada Jabulani, está sendo criticada por jogadores e especialistas. Uma das principais reclamações é a mudança inesperada na trajetória após o chute. Agora físicos e um engenheiro comentam o assunto e chegam a conclusões diferentes. Para uns, a culpa é da altitude dos campos da África do Sul, já outros afirmam que a tecnologia utilizada na superfície da bola é a responsável pelo comportamento diferenciado. Até jogadores da seleção brasileira já opinaram. O atacante Luís Fabiano disse estar lidando com “uma bola sobrenatural”, o meio-campo Felipe Melo afirmou que a bola “parece uma patricinha, que não gosta de ser chutada” e o goleiro Julio Cesar a pontuou como uma “bola de supermercado”.

A Jabulani, que significa “celebrar” no idioma zulu, foi desenvolvida para a Adidas pelo engenheiro Andy Harland, do Departamento de Tecnologia do Esporte da Universidade Loughborough. Segundo Harland, o problema não é a bola, como muitos apontam, mas sim a altitude dos campos na África do Sul. Embora admita que os primeiros testes tenham sido realizados com robôs, o engenheiro afirma que dezenas de jogadores e atletas testaram a bola antes de ela ser distribuída ao mercado. “No fundo, o que tentamos criar é uma bola consistente e que permita que os melhores jogadores do mundo possam colocar em prática seu talento”, diz Harland.

Especializados em aerodinâmica, os físicos Derek Leinweber e Adrian Kiratidida, da Universidade de Adelaide, na Austrália, fizeram estudos que contrariam Harland. “Quando recebe um chute, a bola forma em volta de si uma fina camada de ar que é a principal responsável pela maneira como ela viaja”, afirma Leinweber. “O ar tem que contornar a bola, passar ao seu redor quando ela é lançada. Assim, o ar que está perto dela tem que fazer uma trajetória maior do que o ar que está afastado de sua superfície, criando uma região de baixa pressão”, completa.

De acordo com as simulações feitas em computador por Leinweber e Kiratidida, a Jabulani realmente é mais rápida, faz curvas de forma imprevisível e dá a sensação de ser mais dura no impacto. “A expectativa é que a Jabulani faça mais curvas do que qualquer bola encontrada anteriormente. Os jogadores também estão descobrindo novas oportunidades para lançar a bola de maneira errática, para desespero dos melhores goleiros do mundo. Ao atingir o goleiro, a Jabulani terá desviado e mergulhado, chegando com mais força e energia do que a Teamgeist”, declarou o professor Leinweber à agência AFP.

A atual bola da Copa é mais perfeitamente esférica que as suas antecessoras, porém com pequenos sulcos e ‘aero ranhuras’ que a tornam menos lisa, de acordo com o especialista em aerodinâmica. A Teamgeist, bola utilizada na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, era bem menos perfeita, embora mais lisa.

A aerodinâmica da Jabulani propicia que a resistência do ar seja de até quatro a cinco vezes menor em relação à Teamgeist, tornando maior a distância percorrida pela bola. Além disso, a curvatura pode ser afetada em até um metro a mais para o lado se comparada à bola da Copa da Alemanha nas mesmas condições.

Comentaristas esportivos afirmam que goleiros vêm falhando com certa frequência nos primeiros jogos da Copa do Mundo da África do Sul. Com tantos “frangos” — como essas falhas são popularmente conhecidas –, será que realmente a Jabulani vem influenciando os resultados? Qual a sua opinião?

Fontes:
Estadão - Jabulani, o ponto da discórdia
INFO - Físico explica velocidade da Jabulani

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6 Opiniões

  1. Talio disse:

    Os jogadores estão acostumados com as bolas menos aerodinâmicas e as curvas que ela faz dependem de quem a chuta. Quando aprenderem a chutá-la vai ficar mais difícil para os goleiros…o Tshabalala já conseguiu pegar ela de jeito! È tudo questão de adaptação e técnica.

  2. Ivo Salvany disse:

    Eu aprendi a jogar futebol com bolas de meias e papel que nós mesmos garotos de rua fazíamos. Cresci jogando com vários tipos de bolas e percebi que o bom jogador de futebol se adapta a qualquer bola, o lema dos peladeiros diz que se a bola é ruim para um, é ruim para todos. Também está muito claro que essas reclamações citadas são frescuras e jogada mercadológica de alguns atletas vendidos às outras fabricantes de bolas.

  3. Paulo Pinheiro disse:

    Eu acho que essa bola deve de ser muito maneira, porque os jogadores quando bate nela, ela sobe muito. Quando as goleiros, estam com muita difículdade para se adptar, dos jogadores brasileiros o que bate melho é Michel Bastos

  4. Leonardo Martins disse:

    O que parece é que a bola corre mais que as outras,o que pode ser observado pela quantidade de passes errados,vistos principalmente nos primeiros jogos da Copa.Que tem alguma coisa errada com ela,sem dúvida deve ter.
    O que,com certeza,não justifica o futebolzinho medíocre e covarde da nossa seleção contra a poderosa Coréia do Norte.

  5. JLP disse:

    Sendo um professor de física, tendo a concordar com os pesquisadores. A bola nitidamente possui trajetória mais errática que as anteriores, e a pontaria dos atacantes e os frangos dos goleiros refletem isso. A Adidas errou em criar essa bola: se você é acostumado com um PC, você vai penar um pouquinho com um MAC. Por mais “user friendly” que ele seja, leva tempo para se acostumar. O mesmo ocorre com a bola, pois os jogadores não estão acostumados com ela. Isso tem refletido no número do gols: não há gols de falta, por exemplo (com exceção de um da Argentina). É claro que prejudica os dois lados “igualmente”, mas o grande prejudicado mesmo é o telespectador, que passa duas horas assistindo jogos que terminam com um saldo pífio de gols.

  6. Markut disse:

    O gol do Maicom, sem ângulo, foi uma demonstração de que algo diferente acontece. É a bola, é a altitude, ou é a perícia na maneira como o chute foi dado?

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