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COPA DO MUNDO 2018

O caminho vitorioso da Croácia

Apesar de ter ficado com o vice-campeonato, a seleção croata fez história nesta Copa do Mundo

O caminho vitorioso da Croácia
Croácia tem uma população com menos de 5 milhões de habitantes (Foto: Federação Croata de Futebol)

Após uma grande partida de futebol, a França venceu a Croácia por 4 a 2 e se consagrou campeã da Copa do Mundo de 2018, que ocorreu na Rússia e chegou ao fim neste domingo, 15. Apesar dos franceses terem vencido, foi a trajetória dos croatas que chamou a atenção do mundo.

A Croácia é um pequeno país localizado ao leste do continente europeu, na região conhecida como Bálcãs. Com 57 mil km² de área, o país tem uma população com pouco mais de 4 milhões de habitantes. Apenas dois países com menos de 5 milhões de habitantes tiveram a oportunidade chegar a uma final de Copa do Mundo. O Uruguai disputou a final da competição em 1930 e 1950, e ganhou em ambas; a Croácia chegou pela primeira vez agora em 2018.

Ademais, a Croácia se tornou independente recentemente, após a onda separatista da Iugoslávia, nos anos 1990. É, tradicionalmente, um país que não tem grande influência na economia ou nas tendências mundiais. Apenas em 2013, passou a integrar a União Europeia.

O fato de ter poucos habitantes ou de ter uma independência recente, porém, não significa que o futebol da Croácia é limitado. Seus principais jogadores atuam em grandes times da Europa, como Real Madrid e Barcelona, da Espanha; Juventus e Internazionale, da Itália.

O time mostrou os resultados em campo. Na fase de grupos, três vitórias em três partidas, somando 100% de aproveitamento. Nas oitavas e nas quartas, empatou no tempo regulamentar e decidiu nos pênaltis. Já na semifinal, contra a Inglaterra, empatou durante os 90 minutos regulamentares e venceu na prorrogação, carimbando o passaporte para a final, na qual enfrentou a França.

O feito da Croácia chamou a atenção do mundo. Nas arquibancadas, encantou uma apaixonada torcida, que contava com a presença da presidente Kolinda Grabar-Kitarović. A presidente chamou a atenção do mundo por estar em muitos dos jogos no meio dos torcedores, dispensando em algumas ocasiões a tribuna destinada aos representantes oficiais. Diferentemente dos demais representantes ou chefes de Estado, ela refutou o uso de roupas formais, aparecendo sempre vestida de forma esportiva, com a camisa da seleção.

Foto: Facebook/Kolinda Grabar-Kitarović

Foto: Facebook/Kolinda Grabar-Kitarović

Relatos afirmam que Kolinda viajou para a Rússia com o seu próprio dinheiro, pagando toda as despesas do próprio bolso. Além disso, os dias tirados de folga serão descontados de seu salário.

Membro do partido União Democrática Croata (HDZ), ela foi a primeira presidente mulher da Croácia, eleita em segundo turno, em 2015. Conservadora, ela é considerada moderada, não extremista.

Pelas redes sociais, a presidente se comportou como uma exímia torcedora apaixonada pelo futebol. Fotos na arquibancada, vídeos com os jogadores, palavras de incentivos para os atletas e crença no título até os minutos finais.

Polêmicas

Apesar da bonita trajetória da Croácia na Copa do Mundo, a seleção e o país não se livraram das polêmicas. Alguns atletas não são bem vistos pela torcida croata devido a escândalos de corrupção envolvendo o meio futebolístico, que é o caso do meia Luka Modrić, capitão e estrela da seleção.

Já em termos políticos, a maior polêmica ficou sob a responsabilidade do zagueiro Domagoj Vida. Em um vídeo vazado na internet, o atleta exaltou a Ucrânia, país onde já atuou e que vive em uma situação delicada com a Rússia por causa da disputa pela Crimeia, que foi anexada pelos russos em 2014.

Se a questão for humanitária, a polêmica é ainda mais profunda. Diferentes jogadores, e torcidas, já se viram envolvidos com cantos e movimentos ultranacionalistas – que estão ganhando cada vez mais países da Europa. A situação dos croatas, no entanto, é ainda mais complicada do que parece.

Parte dos jogadores da Croácia cresceu fora do seu país devido à guerra separatista da Iugoslávia, que ocorreu nos anos 1990. Devido aos conflitos, os atletas, então crianças, tiveram de fugir do país. Muitos deles viram conhecidos morrerem e bairros serem queimados.

Por isso, parte das pessoas justifica que o sentimento nacionalista dos croatas não tem a ver com a exclusão de outros povos de seu território. Tanto que o turismo da Croácia registrou bons números nos últimos anos.

Por outro lado, relatos, como de Renata Pegoretti no blog Brasileiras pelo Mundo, mostram que não é comum ver negros, imigrantes ou homossexuais fazendo turismo ou vivendo no país. Isso pode fortalecer a hipótese de que o país ainda é muito ligado aos movimentos de extrema-direita e flerta com o neonazismo.

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1 Opinião

  1. Cynthia disse:

    Minha opinião é que não tem negros e imigrantes porque ninguém quer ir morar lá, país pequeno, sem
    grandes chances de emprego ou do que fazer. São caucasianos, e agora é que começou a aparecer na mídia.Gente simples de caráter. Tomara que continuem assim.

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