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1913-2013

Centenário de Rubem Braga

Neste sábado comemora-se o centenário de nascimento de Rubem Braga

Centenário de Rubem Braga
O "velho Braga" tinha dois lados: o introspectivo e o boêmio (Reprodução/Internet)

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Neste sábado, 12 de janeiro, comemora-se o centenário do nascimento de Rubem Braga, um dos maiores cronistas do país.

Rubem Braga começou sua carreira aos 15 anos, no jornal Correio do Sul, assinando crônicas e fazendo reportagens. Ainda moço, o escritor capixaba adotou a alcunha de “o velho Braga” e, apesar do seu perfil grande e desajeitado, seus escritos eram delicados, recheados de poesia.

Segundo o sobrinho do escritor, Álvaro Abreu, Rubem Braga era uma pessoa taciturna, que costumava falar pouco e observar muito. Contudo, apesar do perfil introspectivo, o “velho Braga” também cultivava a fama de boêmio e mulherengo. “Ele se transformava quando via uma mulher”, recorda Abreu.

Rubem Braga escreveu mais de 20 livros, todos compilações de crônicas, consolidando seu nome entre os maiores literatos brasileiros, embora ele mesmo discordasse disso. “O velho Braga” não se considerava escritor. “Confesso que escrevo de palpite, como algumas pessoas tocam piano de ouvido”, disse certa vez.

Ao longo de sua carreira, Rubem Braga escreveu 15 mil crônicas sobre os mais variados temas e muitas vezes sobre tema nenhum. Em certa ocasião, o amigo Manuel Bandeira disse que Braga era sempre bom, mas quando não tinha assunto era ótimo.

O escritor foi cronista na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a jornalista e pesquisadora Ana Karla, ao contrário do que muita gente afirma, Braga não foi correspondente de guerra. “Dizem que ele foi correspondente de guerra, mas isso está errado. Ele foi cronista na Itália, não deu um furo, mas retratou com extrema poesia o que via”, diz a jornalista.

Rubem Braga morreu em 1990, aos 77 anos, vítima de um tumor de laringe, que optou por não operar. Ao invés disso, Braga encomendou a própria cremação e se despediu dos amigos.

O escritor, dramaturgo e jornalista Millôr Fernandes ficou muito abalado quando Rubem Braga morreu. E escreveu:

“Conheci Rubem Braga a vida inteira. Li Rubem Braga a vida inteira. Foi, sem dúvida, o ser humano que mais admirei a vida inteira. Ontem, quando vinha de carro pra cá, pro meu estúdio, parado no sinal da Praça General Osório, olhei, como todos os dias, pras janelas do seu terraço cheio de árvores. Sua cobertura agrária, lá no alto, pregada ao morro do Cantagalo. Ao contrário de todos os dias, as janelas estavam fechadas. Pra ele, pra mim, pra sempre. Nunca mais voltaremos lá”.

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