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Cervejas especiais ganham espaço no mercado brasileiro

Novas cervejas artesanais produzidas no país oferecem um universo abrangente de estilos, cores, aromas e sabores. Por Fernanda Dias

Cervejas especiais ganham espaço no mercado brasileiro
O segmento de cervejas especiais cresce em torno de 15% ao ano (Fonte: Travelandbeer)

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Quando se fala em harmonização, a primeira coisa que vem à cabeça de qualquer um é vinho. Mas, a cerveja tem, cada vez mais, conquistado mercado nessa seara refinada e ganhado inúmeros adeptos. Para se ter uma ideia, o segmento de cervejas especiais cresce em torno de 15% ao ano, as microcervejarias nacionais vêm se profissionalizando, e até o lúpulo, que é praticamente totalmente importado, já começa a ser produzido no país. 

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“A percepção do aumento do mercado das especiais é clara. Basta vermos os números de rótulos que temos disponíveis hoje no Brasil. A cada dia, vemos novas cervejarias serem abertas em todos os estados e importadores trazerem marcas diferenciadas. Atualmente, com a diversidade que temos disponíveis no país, o público tem uma grande abrangência de aromas e sabores para combinar com qualquer tipo de prato, inclusive com sobremesas.”, afirma Daniel Wolff, sommelier, especialista em cervejas e editor do portal Mestre-Cervejeiro.com.

Essa variedade é garantida principalmente pelas microcervejarias. A estimativa é que existam 175 pequenos produtores, que respondem por 0,15% do mercado cervejeiro nacional, dominado pelas grandes corporações. Nos próximos dez anos, a expectativa é que essa participação suba para 2%. Só a AmBev, dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, é responsável por 61,8% das vendas. A multinacional, no entanto, de olho no potencial do mercado das especiais, também já aposta num diferencial: o segmento premium. Além da Original, que está há anos no mercado, a empresa agora lançará a Budweiser no Brasil para fazer frente ao crescimento de concorrentes como Bohemia, Devassa, Baden Baden, Eisenbahn, Heineken e Stella Artois. A Heineken, inclusive, está negociando a compra da Schincariol, a segunda maior cervejaria do Brasil. Especialistas acreditam que as companhias internacionais estão de olho no país visando aos eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, que prometem elevar ainda mais os negócios do setor.

Daniel Wolff é editor do portal Mestre-Cervejeiro.com

“Acredito que, neste momento, o Brasil seja apenas ultrapassado pelos EUA no número de novas microcervejarias inauguradas em cada ano. Durante muitos anos, na maioria dos países do mundo, a cerveja foi tratada como um mero refrigerante alcoólico. Não interessava o tipo de copo, o estilo de cerveja, a comida que se degustava, a temperatura de serviço, etc. Nas mesas mais requintadas, apenas entrava o vinho. Essa situação continua a verificar-se em muitos países mas, felizmente, cada vez menos no Brasil”, afirma Bruno Aquino, do site português Cervejas do Mundo, ressaltando que o Brasil é considerado um modelo de sucesso sobre o fenômeno cervejeiro.

Segundo Aquino, são poucas as cervejas brasileiras comercializadas em Portugal. Em nível de importação, a maioria é proveniente das quatro grandes escolas cervejeiras mundiais: alemã, estadunidense, inglesa e belga. Mas, ele ressalta que, em virtude da grande comunidade brasileira que vive em Portugal, é habitual ver em alguns supermercados as marcas de grande consumo do Brasil:

“Infelizmente, não existe a importação de cervejas de grande qualidade elaboradas por algumas cervejarias artesanais. A cerveja brasileira que chega a Portugal é a típica industrial”.

Daniel Wolff explica que as cervejas artesanais, também chamadas de especiais ou gourmet, não concorrem diretamente com as de larga comercialização por serem voltadas para um público diferenciado:

“O consumidor das especiais aprecia a cerveja a cada gole e tem a preocupação de escolher a cerveja certa para combinar com o prato que está servido. Além disso, nas especiais, cada estilo de cerveja tem a sua temperatura ideal de serviço. Por outro lado, nas de sabor massificado, quando mais gelada melhor”.

Para difundir essa nova cultura cerveja existe até um movimento, chamado beervangelização. O objetivo é mostrar esse universo abrangente de estilos, cores, aromas e sabores através de eventos palestras com degustação e festivais. E, segundo Wolff, embora os homens ainda sejam maioria no público desses encontros,  as mulheres também já estão bem interessadas no assunto e chegam até a montar confrarias para degustar periodicamente as cervejas.

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3 Opiniões

  1. Helo disse:

    Não bebo cerveja, mas provei uma dessas artesanais de alta qualidade, gostei e concluí que devo rever a questão.

  2. Markut disse:

    Fato é que, nessa questão de droga, alcool, tabaco, o que impera é uma hipocrisia consentida.
    Não há solução. A lei seca nos EEUU foi uma demonstração de que ela acabou por se tornar uma fonte de enriquecimento ilícito e ,daí às drogas, foi um passo.
    Lamentavelmente, estamos vendo a continuação da hipocrisia e da desinformação irresponsavel, com relação à maconha, arrastando multidões de jovens, na convicção marota da inocência dessa droga, o caminho seguro para as outras menos inocentes.

  3. Bruno Divino disse:

    eu acho que esses pingaiada deveria para de pensar um pouco em cerveja e investir mais na area da educaçao,saúde e lazer para todos cidadaos

    obriagado por lerem isso ‘-‘

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