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Cinelândia: uma praça sem cinemas, mas repleta de cultura

Durante as primeiras décadas do século XX uma série de monumentais edifícios públicos foi construída de frente para a praça. Por Emanuelle Bezerra

Cinelândia: uma praça sem cinemas, mas repleta de cultura
Cinelândia abriga os prédios mais charmosos do centro do Rio de Janeiro (Reprodução/Flickr)

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A Cinelândia é o nome popular da Praça Floriano Peixoto no centro do Rio de Janeiro. A estrutura principal na área da Cinelândia foi o Convento da Ajuda, construído em torno de 1750. A forma da Cinlândia de hoje começou a se desenhar no início do século 20, quando o Governo brasileiro achou que a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, precisava ser totalmente reformulada. O elemento central da reforma era uma grande avenida — a Avenida Central, agora Avenida Rio Branco, que foi construída atravessando o centro da cidade antiga. A maioria das antigas casas coloniais no centro do Rio foi demolida.

Durante as primeiras décadas do século XX uma série de monumentais edifícios públicos foi construída de frente para a praça. O Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional e Palácio Pedro Ernesto, sede da câmara de vereadores são alguns deles. Havia ainda o Senado Nacional, o Palácio Monroe, e a Escola Nacional de Belas Artes, hoje Museu Nacional de Belas Artes. A praça concentra uma grande parte da vida política e cultural do Brasil. Os edifícios que a cercam eram um símbolo da modernização da cidade.

A estrutura principal na área da Cinelândia foi o Convento da Ajuda, construído em torno de 1750. Ele sobreviveu à primeira remodelação da praça, mas foi demolido em 1911. Em seu lugar, foram construídos uma série de edifícios altos que concentravam vários cinemas da cidade. Foi devido a estes cinemas que a área se tornou conhecida popularmente como Cinelândia. Mas, a maioria dos cinemas na Cinelândia foi fechada com a popularização dos shoppings centers. Ainda assim, a região em torno Cinelândia continua um local animado no Rio, graças aos seus bares, restaurantes e atrações culturais.

A Cinelândia já reuniu os seguintes cinemas: Cine Odeon, Cineac Trianon, Cinema Parisiense, o Império, o Pathé, o Capitólio, o Rex, o Rivoli, o Vitória, o Palácio, o Metro Passeio, o Plaza e o Colonial. Hoje em dia, apenas o Odeon foi restaurado e reaberto com o mesmo glamour dos tempos passados.

O projeto paisagístico original da praça foi profundamente alterado no final dos anos 1970, quando as obras de construção da estação Cinelândia do metrô obrigaram a instalação de grandes saídas de ar. Ao término dessas obras, foi demolido o Palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal, cuja destruição teve motivos até hoje pouco claros e que privou o entorno da Praça Floriano de um de seus mais belos edifícios. No terreno do palácio, encontra-se hoje um chafariz monumental, conhecido atualmente como “Chafariz do Monroe”.

A Cinelândia também é usada para manifestações políticas e culturais, como a tradicional festa de Iemanjá e grandes feiras de livros e artesanato. Este ano o presidente norte-americano cogitou realizar um discurso público na praça, mas o evento foi transferido para o Theatro Municipal, apenas para convidados.

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3 Opiniões

  1. Markut disse:

    De fato, a demolição do Monroe, que conhecí por fora, foi um desses atos impensados, ou mal pensados,dos nossos gestores públicos,das mais variadas gerações.
    Não temos a cultura da valorização dos monumentos antigos, que, sempre, bem ou mal, encerram indeleveis histórias.
    É o oposto do que se vê na Europa, em geral, onde a conservação desses monumentos, é motivo de orgulho, de referência e até de empolgação e não desprezivel receita dos milhões de turistas que os visitam.

  2. Deise disse:

    De fato, o que ficou da Cinelândia foi só o nome.

  3. Riberto Bueno disse:

    Lamentável a demolição de tantas edificações históricas! A classe política desse país nunca deu importância para a cultura, até porque ela é destituída de cultura; logo ninguém pode dar ou valorizar quando não se tem a cultura como um valor social e histórico! Só a partir da década de 1980 é que se começou a despertar para essa valorização dos patrimônios arquitetônico e ambiental!
    Bastante tarde perto do que já foi demolido/devastado! Mas…”antes tarde do que nunca”.

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