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Cinema islâmico pode fazer sucesso no Ocidente?

Se o cinema islâmico já causa conflitos entre xiitas e sunitas, no Ocidente não deve ser muito diferente

Cinema islâmico pode fazer sucesso no Ocidente?
Cena de 'Omar' (Foto: IMDb)

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Filmes e séries islâmicos cresceram nos últimos anos. “Kingdom of Solomon” (2010) foi um grande sucesso no Irã. Enquanto “Shajarat al-Duur” (2013) falou sobre a primeira rainha muçulmana no Egito, “Harat al-Sheikh” e “Imam Ahmed ibn Hanbal” (2016) falaram sobre os primeiros anos da história do Islã.

O cinema islâmico certamente tem poder. “He Who Said No” (2015), um filme iraniano sobre a Batalha de Karbala teve um orçamento de US$ 70 milhões. Em 2012, Quatar e Arábia Saudita injetaram US$ 53 milhões em “Omar”, uma série televisiva que fala sobre Omar Ibn al-Khattib, o segundo califado islâmico. “Muhammad: O Mensageiro de Deus” (2015), também feito no Irã, teve um orçamento de US$ 40 milhões.

No entanto, o que chama atenção nestes filmes é que seus criadores querem promover a cultura islâmica mais do que qualquer outra coisa. Os criadores de “Omar”, por exemplo, falaram que não estão atrás de lucro. O Oriente Médio vive um conflito brutal entre sunitas e xiitas, alimentados pela Arábia Saudita e Irã, respectivamente. Logo, era inevitável que o cinema participasse desta batalha também.

“Omar” era popular em países de maioria sunita. Mas xiitas consideram Ibn al-Khattib um traidor que usurpou Ali, o verdadeiro herdeiro de Muhammad. “Omar” foi transmitido no Irã dominado por xiitas, mas somente em uma estação pequena de televisão sunita. Enquanto isso, “Muhammad: O Mensageiro de Deus” foi elogiado pela imprensa iraniana, mas condenado por clérigos sunitas por apresentar o profeta em uma “falsa luz”. “He Who Said No” enfrentou problemas semelhantes. Para os xiitas, a batalha de Karbala marca o martírio de seu líder, Hussain, por um exército de sunitas. Previsivelmente, o filme não era popular em Riyadh, capital da Arábia Saudita.

Se já existe intolerância dentro do mundo islâmico, a visão Ocidental não poderia ser muito diferente. Segundo uma pesquisa deste ano, 46% dos americanos expressaram uma visão desfavorável aos muçulmanos. Mesmo se os filmes passarem no Ocidente, é improvável que eles tenham grande audiência.

Fontes:
The Economist-Islamic cinema is booming. Can it break into Western markets?

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