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mostra de cinema

Comédia à moda italiana na tela. E também em aulas, livro e debates

A partir de terça-feira, a Caixa Cultural SP relembra o cinema de mestres como Mario Monicelli, Pietro Germi, Ettore Scola e Vittorio De Sica. Por Solange Noronha

Comédia à moda italiana na tela. E também em aulas, livro e debates
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Marcado para ter início oficialmente em outubro, o Momento Itália-Brasi começa mais cedo na Caixa Cultural São Paulo da Sé, com a mostra de cinema “Commedia all’italiana”. Do dia 19, terça-feira, até 1º de maio, serão exibidos alguns dos mais significativos filmes do gênero, que teve seu apogeu entre os anos 1950 e 1970. Entre os 26 títulos selecionados, o curador Raphael Fonseca buscou não privilegiar apenas cineastas e obras mais conhecidos do público brasileiro: “A ideia é realizar uma retrospectiva do cinema cômico feito na Itália, extremamente comercial na época de seu lançamento e, atualmente, muito obscurecido, creio, pelo chamado neo-realismo italiano.”

Assim, ao lado de verdadeiros marcos da cinematografia mundial, como “Nós que nos amávamos tanto”, de Ettore Scola, e “O incrível exército de Brancaleone”, de Mario Monicelli, comparece, por exemplo, “A moça com a pistola”, também de Monicelli, mas menos famoso: “Temos ainda diretores não muito comentados, mas igualmente importantes, como Franco Brusati, Alessandro Blasetti e Antonio Pietrangeli. Trata-se, afinal, de fazer uma espécie de panorama da commedia all’italiana”, frisa Raphael.

A visão dos acadêmicos

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A programação da mostra, que depois — em formato reduzido — seguirá para o Rio e para Brasília, vai além da exibição de filmes imperdíveis: inclui um curso, debates com especialistas e o lançamento de um livro, organizado por Kelly Santos, coordenadora geral do evento, e Raphael Fonseca. Diz o curador: “Inexiste no país uma publicação sobre o tema, ao menos vendida comercialmente. Então, acho que nosso livro será uma importante contribuição à divulgação da história do cinema italiano no Brasil. Ele foi construído com contribuições de diferentes pesquisadores, começando com um texto do crítico Enrico Giacovelli, sobre os anos dourados da commedia all’italiana. Temos ainda as diferentes visões de sete acadêmicos brasileiros: Jorge Coli (Unicamp), Mariarosaria Fabris (USP), Bruno Carmelo (Sorbonne Nouvelle), João André Garboggini (PUC-Campinas), Roberta Barni (USP), Sérgio Moriconi (Espaço Cultural 508 Sul) e Hernani Heffner (PUC-Rio e Cinemateca do MAM).” Completam a obra entrevistas realizadas no Brasil com os cineastas Dino Risi, Mario Monicelli, Pietro Germi e Lina Wertmüller, um dicionário biográfico com os principais roteiristas, atores e diretores da commedia all’italiana e uma lista dos filmes do gênero lançados na Itália entre 1951 e 1980.

O italiano Enrico Giacovelli é responsável não apenas pelo texto de abertura do livro, mas também pelo curso que será ministrado ao longo da mostra, em quatro encontros que seguirão uma estrutura cronológica, como explica Raphael: “Inicialmente, serão projetados e debatidos trechos de filmes tidos como paradigmáticos para o estabelecimento da commedia all’italiana. O boom econômico pelo qual a Itália passava não será ignorado, é claro. Afinal, foi muito representado, elogiosa ou depreciativamente, nos 26 títulos da mostra.”

O curso acontecerá em todas as edições do evento, mesmo na carioca, a mais reduzida. Os debates, porém, acontecerão somente em São Paulo — com Mariarosaria Fabris e Jorge Coli — e em Brasília — com Hernani Heffner e o Sérgio Moriconi. “Nosso objetivo”, diz o curador, “é mostrar a importância dos filmes cômicos nessa espécie de Idade do Ouro do cinema italiano, na qual diversas obras tiveram grande repercussão por toda a Europa e nos Estados Unidos, alcançando sucesso de bilheteria e crítica e recebendo muitas premiações.”

As inscrições para o curso podem ser feitas no site da mostra, onde também se encontra a programação completa.

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3 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Faltaram os filmes de Tottó, o pai de todos os comediantes italianos do pós-guerra.

  2. Raphael Fonseca disse:

    Caro Carlos, sim, a figura de Totò é deveras importante para o desenvolvimento da commedia all’italiana. Porém, nossa proposição é de fazer uma retrospectiva, especialmente, de finais dos anos 50 até os anos 70, dando enfoque particular a relação entre a sociedade italiana e seu “boom econômico” dos anos 60 e sua revisão deste na década posterior. Dentro deste recorte, portanto, a essencial e importante cinematografia de Totò não pode ser considerada. De todo modo, importante lembrar que em “Os eternos desconhecidos”, de Monicelli, de 1958 e que será exibido na mostra, há uma grande atuação dele, nitidamente uma homenagem do diretor e de uma nova geração de comediantes (Mastroianni-Gassman) ao grande mestre.

  3. helio disse:

    Il nuove mostri estará presente? Tem Vitorio Gassman,Alberto Sordi, Ornella Mutti etc. é uma obra prima.

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