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Comissão Européia quer levar alunos para a Europa

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Bruxelas, Bélgica – Terminou na última quarta, em Bruxelas, a conferência Erasmus Mundus Enhancing Attractiveness of European Higher Education, que reuniu professores, alunos e representantes de 25 países europeus e cinco representantes de países em desenvolvimento para discutir formas de promover o ensino superior no velho continente através do programa Erasmus Mundus.

Criado em 2001 e posto em prática há dois anos, o Erasmus Mundus é um programa de cooperação entre universidades com o objetivo de criar cursos de pós-graduação de alta qualidade. Por enquanto só inclui mestrados, que podem ter duração de um a dois anos e acontecem em duas ou três universidades européias, dependendo do curso. Entretanto, um dos tópicos mais discutidos durante o primeiro dia de conferência foi a extensão do programa Mundus para o nível de doutorado.

 

Muitos de nossos alunos perguntam se não há possibilidade de cursarem um doutorado na Europa, mas sabemos que há poucas vagas. Se não quisermos perder esses alunos brilhantes para universidades americanas precisamos estender o programa Mundus para nível de doutorado – afirma a coordenadora do mestrado em Gestão de Águas e Costas (Joint Master in Water and Coastal Management), Alice Newton, da Universidade de Algarve, em Portugal.

O programa Erasmus Mundus oferece atualmente 57 mestrados em áreas que variam de administração, economia e ciências tecnológicas a jornalismo, direito e ciências sociais. A iniciativa é apoiada pela Comissão Européia, que oferece bolsas de 21 mil euros anuais para alunos-não europeus. Para os anos de 2006 e 2007, cerca de 52 milhões de euros serão aplicados para financiar os 1.377 bolsistas do programa.

Incluindo outros países

O que começou apenas como uma iniciativa européia para atrair estudantes de outros países para as instituições do velho continente agora já inclui parcerias com instituições como a York University, no Canadá; Universitas Gadjah Mada, na Indonésia; University of Western Cape, na África do Sul; Columbia University, nos Estados Unidos, e as brasileiras Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande, Universidade do Vale do Itajaí e Universidade Santa Cecília. Além de enviar alunos europeus para estudarem e pesquisarem em universidades parceiras fora da Europa, o programa Erasmus Mundus visa incentivar professores e pesquisadores de outros países a trabalhar em seus projetos e dar aulas em instituições européias. Para o ano letivo de 2006-2007, foram selecionados 231 professores e pesquisadores de 45 países. O Brasil aparece em quinto lugar, com dez pesquisadores, perdendo somente para os Estados Unidos, com 42; Rússia, com 14; Índia, com 12 e; Canadá, com 11.A oportunidade chamou a atenção do geólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina Nelson Infanti Jr., que agora leciona no Mestrado em Ciências do Meio Ambiente, Políticas e Gerenciamento (Masters in Environmental Sciences, Policy and Management). Infanti explica que o que o motivou a ingressar no programa foi a chance de mostrar, no exterior, a experiência brasileira em Controle Ambiental de Obras de Construção Pesada e Minas, além de participar de um programa internacional de mestrado como professor visitante.

Outro destaque brasileiro é o professor Augusto César, que atualmente leciona no mestrado em Gestão de e Águas e Costas (Joint Master in Water and Coastal Management) em Portugal e na Espanha. O pesquisador explica que ficou sabendo do programa quando realizava seu pós-doutorado na Universidade de Cádiz, Espanha, e decidiu se inscrever não somente devido à possibilidade de ampliação de seus conhecimentos como também pela oportunidade de conviver e trocar experiências com pessoas das mais diversas partes do mundo.

Destaque para o corpo discente

Assim como os pesquisadores, os alunos brasileiros também são destaque no programa. Para o ano letivo de 2006-2007, 43 brasileiros foram selecionados para participar dos mais diversos mestrados com bolsa integral, perdendo em quantidade somente para os chineses, com 81 alunos. A maioria dos brasileiros no programa tem entre 20 e 30 anos e terminaram o curso superior pouco tempo antes de ingressar no mestrado. Esse é o caso da aluna Maria Fernanda Carvalho, de 23 anos, que agora cursa o mestrado em Arqueologia Pré-Histórica e Arte Rupestre. Fernanda estudou na Universidade Federal de São Carlos e nunca tinha morado fora do Brasil antes. Acredito que o programa ajudará a impulsionar minha carreira, uma vez que tenho a oportunidade de me especializar e de realizar pesquisas junto a professores de vários países. Além disso, a possibilidade de aprender uma outra língua também me atraiu muito – afirma.

O número de brasileiras no programa Mundus já supera o de homens. Outro talento feminino é a aluna Tatiane Rocha, de 25 anos, que cursa o mestrado em Engenharia de Materiais em universidades espanholas e francesas. Fiquei sabendo do programa através de outros alunos da minha universidade que haviam voltado de intercâmbio. Quando eles voltaram com a notícia, a reação foi em cadeia. Todo mundo se candidatou – explica.

O programa Erasmus Mundus abre novas turmas todos os anos, mas as inscrições têm que ser feitas com pelo menos seis meses de antecedência. Cada programa possui uma data limite diferente, por isso o aluno interessado deve checá-las na página da Internet específica do mestrado que deseja cursar. Antônio Affonseca, de 26 anos e aluno do European Master Course in Aeronautic and Space Technology, dá um conselho àqueles que desejam tentar uma vaga no programa. Mandem todos os documentos especificados no regulamento e o que mais considerarem válido. Façam tudo com antecedência e sejam extremamente organizados.A lista de cursos disponíveis e outras informações sobre o programa podem ser encontradas no site da Comissão Européia.

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3 Opiniões

  1. Afonso rodrigues da Silva disse:

    Gostariamos que a Comissão Européia – Erasmus Mundus – permitisse a participação de alunos amazônidas nesse empreendimente, face estarmos localizados numa das maiores áreas de biodiversidade de mundo e que muito precisa de conhecimentos científicos para o seu desenvolvimento e proteção… Eu mesmo, sou aluno da Universidade Federal do Pará, curso de Geografia (Bacharelado e Licenciatura – concluinte). Tenho enorme desejo de estudar na Europa! Será possível?

  2. Isis disse:

    Oi Afonso,
    eh claro que eh possivel. Vc so precisa entar no site da Comissao e ver se existe algum mestrado dentro do programa Mundus que te interesse. Depois vc precisa ver as datas limites para candidatura e enviar os documentos necessarios. Ai eh so esperar o resultado da selecao. Boa sorte!

  3. cynthia disse:

    Gostaria de saber qual mestrado se aproxima mais de Direitos Humanos, já que na lista não consta com esse nome específico. Obrigada!

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