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Como o filme ‘A Bruxa de Blair’ mudou a forma de fazer terror

Lançado há 20 anos, 'A Bruxa de Blair' deu início a um novo subgênero de terror: filmes que se passam por documentário

Como o filme ‘A Bruxa de Blair’ mudou a forma de fazer terror
'A Bruxa de Blair' foi lançado em 1999 (Foto: Wikimedia)

Nós nunca mais conseguiremos um filme como “A Bruxa de Blair”. Tendo dito isso, nós tivemos dezenas de filmes como este. Nos 20 anos desde o seu lançamento, a produção transformou o cenário de terror. “Found footage” – filmes que se passam por documentário – é agora um subgênero em si graças a ele.

Quantos filmes de terror temos visto alegando: “Tudo isso realmente aconteceu, certo?”. Quantos símbolos ocultos e mitos folclóricos cruzaram nossas telas? Quantos adolescentes entusiasmados partiram em uma aventura para nunca mais voltar? E quantas vezes um horror enigmático colheu recompensas por praticamente nenhum gasto? “A Bruxa de Blair” não inventou todos esses truques, mas os colocou juntos para criar um fenômeno. É o exorcista do século XXI.

Uma das razões pelas quais nunca mais teremos um projeto como este é porque nunca teremos uma nova internet. Tornar-se viral foi difícil em 1999 – mal tínhamos banda larga, muito menos mídia social -, mas também era uma época em que as pessoas realmente acreditavam no que liam na internet.

A campanha de marketing começou antes mesmo das filmagens começarem: os criadores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez fizeram um pequeno documentário para mostrar aos investidores, apresentando a mitologia e o desaparecimento dos três estudantes cineastas da história como se fosse uma história verdadeira. Eles adotaram a mesma abordagem on-line, criando sites falsos, clipes de notícias de TV, reportagens de jornais e policiais, entrevistas e revistas. O site foi ao ar em junho de 1998, seis meses antes do filme ser lançado em Sundance, onde os produtores entregaram panfletos de pessoas desaparecidas.

E funcionou: muitos dos primeiros cinéfilos pensaram que o filme era um documentário. Ainda é um dos filmes mais assustadores internacionalmente, e sua premissa engenhosa exigia quebrar todas as regras: nenhum roteiro, nenhum susto, nenhuma música, nenhuma equipe profissional, nenhum efeito especial, nem mesmo bruxas. O que ele tinha, que muitas vezes não é notado, era atores totalmente convincentes. Horror é tradicionalmente confrontar nossos medos mais sombrios, mas “A Bruxa de Blair” não faz isso. Em vez disso, nos mostra outras pessoas confrontando os deles. A histeria é contagiosa.

Isso nunca poderia acontecer novamente (os criadores de “A Cura” [A Cure for Welness] foram forçados a pedir desculpas por criar histórias falsas online para promover o filme). Olhando para a nossa atual sopa pós-factual de notícias falsas, teoria da conspiração, mitologia falsa e fontes não confiáveis, a confiança em “coisas que você lê na internet” está no nível mais baixo de todos os tempos.

Será que alguém notou a eficácia da campanha viral de “A Bruxas de Blair”, baseada em falsidade, medo e credulidade, e decidiu que era boa demais para simplesmente promover filmes? Talvez “A Bruxa de Blair” tenha moldado nossa paisagem política, assim como nossa paisagem de horror. Talvez a maldição fosse real afinal.

Fontes:
The Guardian-How The Blair Witch Project changed horror for ever

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