Início » Cultura » Como o filme ‘A Bruxa de Blair’ mudou a forma de fazer terror
CINEMA

Como o filme ‘A Bruxa de Blair’ mudou a forma de fazer terror

Lançado há 20 anos, 'A Bruxa de Blair' deu início a um novo subgênero de terror: filmes que se passam por documentário

Como o filme ‘A Bruxa de Blair’ mudou a forma de fazer terror
'A Bruxa de Blair' foi lançado em 1999 (Foto: Wikimedia)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Nós nunca mais conseguiremos um filme como “A Bruxa de Blair”. Tendo dito isso, nós tivemos dezenas de filmes como este. Nos 20 anos desde o seu lançamento, a produção transformou o cenário de terror. “Found footage” – filmes que se passam por documentário – é agora um subgênero em si graças a ele.

Quantos filmes de terror temos visto alegando: “Tudo isso realmente aconteceu, certo?”. Quantos símbolos ocultos e mitos folclóricos cruzaram nossas telas? Quantos adolescentes entusiasmados partiram em uma aventura para nunca mais voltar? E quantas vezes um horror enigmático colheu recompensas por praticamente nenhum gasto? “A Bruxa de Blair” não inventou todos esses truques, mas os colocou juntos para criar um fenômeno. É o exorcista do século XXI.

Uma das razões pelas quais nunca mais teremos um projeto como este é porque nunca teremos uma nova internet. Tornar-se viral foi difícil em 1999 – mal tínhamos banda larga, muito menos mídia social -, mas também era uma época em que as pessoas realmente acreditavam no que liam na internet.

A campanha de marketing começou antes mesmo das filmagens começarem: os criadores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez fizeram um pequeno documentário para mostrar aos investidores, apresentando a mitologia e o desaparecimento dos três estudantes cineastas da história como se fosse uma história verdadeira. Eles adotaram a mesma abordagem on-line, criando sites falsos, clipes de notícias de TV, reportagens de jornais e policiais, entrevistas e revistas. O site foi ao ar em junho de 1998, seis meses antes do filme ser lançado em Sundance, onde os produtores entregaram panfletos de pessoas desaparecidas.

E funcionou: muitos dos primeiros cinéfilos pensaram que o filme era um documentário. Ainda é um dos filmes mais assustadores internacionalmente, e sua premissa engenhosa exigia quebrar todas as regras: nenhum roteiro, nenhum susto, nenhuma música, nenhuma equipe profissional, nenhum efeito especial, nem mesmo bruxas. O que ele tinha, que muitas vezes não é notado, era atores totalmente convincentes. Horror é tradicionalmente confrontar nossos medos mais sombrios, mas “A Bruxa de Blair” não faz isso. Em vez disso, nos mostra outras pessoas confrontando os deles. A histeria é contagiosa.

Isso nunca poderia acontecer novamente (os criadores de “A Cura” [A Cure for Welness] foram forçados a pedir desculpas por criar histórias falsas online para promover o filme). Olhando para a nossa atual sopa pós-factual de notícias falsas, teoria da conspiração, mitologia falsa e fontes não confiáveis, a confiança em “coisas que você lê na internet” está no nível mais baixo de todos os tempos.

Será que alguém notou a eficácia da campanha viral de “A Bruxas de Blair”, baseada em falsidade, medo e credulidade, e decidiu que era boa demais para simplesmente promover filmes? Talvez “A Bruxa de Blair” tenha moldado nossa paisagem política, assim como nossa paisagem de horror. Talvez a maldição fosse real afinal.

Fontes:
The Guardian-How The Blair Witch Project changed horror for ever

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *