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Turismo

Conhecendo a Normandia

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A Normandia é a região ao norte da França que fica de frente para a Inglaterra, a quem pertenceu em épocas passadas. No seu ponto mais próximo daquele país, é separada dele pelo Canal da Mancha, onde passa o túnel do mesmo nome, por onde passa o trem que liga os dois países. É uma região de natureza pródiga, cortada pelo rio Sena, cujo vale é bordejado de verdura e … de vaquinhas normandas. O creme de leite e o Camembert da Normandia são famosos, assim como o Calvados e a cidra, produzidos a partir das maçãs que enfeitam os prados.

Um pouco de história

A região foi, originalmente, ocupada pelos celtas. Depois veio a invasão romana, no tempo de Júlio César. Mais tarde vieram os normandos, nome que se dava aos povos nórdicos, também chamados de vikings. O nome da região ainda hoje homenageia esses grandes soldados escandinavos. A Normandia já pertenceu à Inglaterra. O rei inglês Ricardo Coração de Leão era também o Duque da Normandia, provavelmente devido a algum casamento entre famílias aristocráticas. Muitas guerras aconteceram entre ingleses e franceses, dois povos que se uniram contra a agressão alemã no século 20 mas que foram inimigos durante os muitos séculos anteriores.

A Normandia foi também a região onde as Forças Aliadas, lideradas pelos EUA, desembarcaram em 6 de junho de 1944 para liberar a França e a Europa dos soldados de Hitler. Falaremos sobre isso mais além, pretendemos visitar as praias onde os soldados aliados desembarcaram sob o fogo das metralhadoras alemãs, mas vamos primeiro falar de coisas agradáveis.

Nossa visita

Concentramo-nos na região conhecida como alta Normandia, especialmente na área onde o Sena desemboca no Atlântico. Ali encontram-se as praias mais próximas de Paris e, portanto, as mais freqüentadas pelos franceses.

Honfleur

Esta encantadora cidade nasceu no século 15 como um porto defensivo contra possíveis invasões inglesas. O pequeno porto em formato retangular é cercado por três ruas de edificações seculares. É como se fosse uma praça, só que no meio é água, e o quarto lado dá para o rio Sena, que desemboca no Atlântico um pouco adiante. Essa "praça", assim como todo o bairro em volta, é muito antiga e charmosa. Muitas casas dão a impressão de ter 500 anos ou mais, e são habitadas até hoje. Nao é uma "cidade-museu", como existem muitas pela Europa. É viva, vibrante, com atmosfera alegre.

Uma coisa chama a atenção na "praça" do porto. Do lado direito de quem olha para a saída aquática, todas as casas são de apenas dois ou três andares, e são amplas e sólidas. Do outro lado são casas muito estreitas, algumas aparentando só uns 4 metros de largura, e com seis ou sete andares. Lembrando que no tempo em que elas foram construídas não havia elevador, fica claro que as casas amplas e sólidas de apenas dois ou três andares eram as dos ricos. As de sete andares, esguias, aproveitando ao máximo um pequeno terreno, eram as dos pobres. Ricos pra lá, pobres pra cá. Essa história é antiga…

Falando nisso vale a pena comentar que quase todos os prédios da cidade de Paris vêm do século 19 ou antes, dessa mesma época em que não havia elevador. Os prédios de apartamentos, muitos dos quais na origem eram, um prédio inteiro, a casa de famílias ricas, têm 4 a 7 andares. Os empregados domésticos dormiam na mansarda, diretamente embaixo do telhado, onde no verão o calor pode atingir 40 graus ou mais. Os apartamentos mais valorizados eram os baixos, com menos escadas a subir. O primeiro andar valia mais que o segundo, e assim por diante. Um amigo que visitou os quartos de empregada de um prédio desses, no sétimo andar, descreveu: um corredor passava pelo meio de todo o andar, com pequenos quartos de cada lado. Em uma ponta do corredor, uma pia. Não outra ponta, um vaso sanitário. Banho que é bom, nada…

Mas voltando a Honfleur… A cidade antiga se espalha em uns poucos quarteirões em volta do porto. Uma hora de passeio a pé dá para percorrer praticamente toda a cidade velha. Mas ela é tão charmosa que dá vontade de passear de novo. As casas com vigas de madeira visíveis na fachada, como um padrão decorativo mas que eram na verdade um elemento estrutural da construção, são muito bonitas. Nos arredores da cidade muitas fazendas antigas foram transformadas em pousadas, todas com belos jardins.

Honfleur teve um papel cultural importante. O grande compositor Eric Satie nasceu lá e a casa de sua família virou museu. O poeta Baudelaire morou algum tempo lá com sua mãe e se refere a esse como um dos períodos mais felizes de sua vida. Eugène Boudin, considerado um dos precursores do impressionismo, nasceu em Honfleur, onde costumava pintar ao ar livre, coisa rara na época. Pintores como Pissarro, Renoir e Cézanne passaram temporadas lá e se reuniam na fazenda Ferme St-Siméon, atualmente uma pousada de luxo.

Trouville e Deauville

Esses são duas cidades-balneário. Trouville evoluiu primeiro. A partir de um vilarejo de pescadores tornou-se uma cidade de praia freqüentada por parisienses ricos. A viagem de carro hoje leva umas duas horas, sendo a praia mais próxima de Paris. O tempo não é tão bom como o da Côte D'Azur, que fica no sul da França, mas a distância permite passar o fim-de-semana, vindo de carro, o que não é possível com o sul, que fica muitas vezes mais longe. Por volta de 1860 um duque francês começou a desenvolver a cidade de Deauville, dotando-a de hotéis elegantes, cassino e corridas de cavalo. Com isso Deauville tornou-se o local dos elegantes e Trouville ficou com a atmosfera mais "família". No passeio vindo de carro de Honfleur chega-se primeiro a Trouville. Depois de alguns quarteirões começamos a nos perguntar a que distância estaria Deauville. De repente, após atravessar uma praça, estávamos lá. As cidades são unidas, não há separação entre elas.

Uma amiga francesa tinha nos aconselhado a ficar em algum dos grandes hotéis em Deauville, de frente para a praia, mas ficamos felizes com nossa opção por uma pousada bucólica em Honfleur, não se compara. A praia de Deauville, como em geral as praias na Europa, são estreitas, com areia feia, para um brasileiro são muito feias.

As duas cidades foram fonte inesgotável de inspiração para os pintores impressionistas. No rastro de Monet, cuja casa ficava em Giverny, também na Normandia, mas distante da costa, diversos pintores registraram as paisagens marinhas. Outra presença freqüente em Trouville era a da grande romancista francesa Marguerite Duras, que costumava hospedar-se no Hotel das Rochas Negras.

D-Day: o desembarque dos aliados

A região do desembarque do Dia-D, 6 de junho de 1944, corre ao longo de uns 30km de costa, a oeste de Deauville. A história do desembarque é dramática. A decisão fora tomada no ano anterior e a partir disso foi uma atividade frenética de preparação e de construção de barcos de desembarque, aquelas lanchas que a gente vê no cinema ou em fotos, barcos de fundo chato para chegar bem perto da terra. Quando chega o momento os soldados saltam, com a água pelo meio das pernas, e vão aos pulos, o mais rápido possível, para a areia. Se os alemães estiverem entrincheirados lá em cima, no fim da praia, começam a atirar com suas metralhadoras e é uma carnificina. Assim foi em algumas praias, em outras não.

Por uma mistura de sorte e esperteza, os Aliados conseguiram ocultar até o fim a região do desembarque. Hitler estava convencido que isso se daria na região de Pais de Calais, mais a leste. Durante mais de um mês depois da invasão o alemão continuava convencido de que essa invasão era só para enganar, e que a invasão real viria no Pais de Calais. Por causa disso, ele não transferiu forças para a região invadida, facilitando a vida dos aliados. No fim tudo deu certo, apesar da perda de dezenas de milhares de soldados, e o processo de expulsão dos alemães da França foi relativamente rápido.

A visita às praias foi um pouco decepcionante, as areias cheias de banhistas não facilitavam evocar o ataque. Mas é tocante saber como os franceses dão valor ao socorro trazido pelos americanos. São vários museus comemorando a invasão.

 

 

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  1. Pierre disse:

    Olá, Nós somos um casal Franco-Brasileiro e gostaríamos de mostrar par você a região da Normandia. Para isso, fizemos roteiros para conhecer a maior parte da Normandia como o Monte Saint Michel, Deauville, Honfleur, Rouen ….

    Venha visitar nosso site: http://www.descobrindoanormandia.com.br/

    Abraço

  2. Fernando Magalhães disse:

    Prezada Alessandra
    A Normandia é uma região enorme, não conheci nem 10% das cidades, seria muita sorte conhecer suas fotos.
    Cordialmente
    Fernando Magalhães

  3. Alessandra disse:

    Boa noite

    Em 2009 fui a França. Fiquei em La Roche sur Yon. Passei um dia em Normandia e tenho algumas fotos, só que não sei qual é o nome da cidade. Se eu enviasse para vc, poderia me dizer o nome?

  4. Dinah Lessa disse:

    Sou estudante de Gastronomia e gostaria de saber mais sobre a cultura da Normandia. Agradecida!

  5. maria cristina r. giamarusti disse:

    Sou apaixonada por tudo que diz respeito à França e, outro dia, assistindo um filme sobre a Segunda Guerra,fiquei curiosa em saber mais a respeito da Normandia e estou encantada com o que encontrei. De forma resumida, mas bem colocada, fui “apresentada” ao lugar e conheci não só um pouco mais da história, mas também seus pontos turísticos.Gostei muito do relato feito de forma simples, contendo o essencial para quem gosta de informação. Parabéns.

  6. washington disse:

    muito boa a historia vcs estao de parabens

  7. anderson cardoso disse:

    adorei saber um pouco mais sobre a normandia !! sou louco pela segunda guerra tenho vários documentários!!! se possível gostaria de receber mais informções sobre a batalha de estanligrado!!!

  8. Adalgisa Campos da Silva disse:

    Fernão de Magalhães tem bom gosto!Essa época é muito boa na Normandia.

  9. heloisa marcondes disse:

    Ótimadescrição. Na Normandie também se passam dois filmes musicados por Michel Legrand, em Deauville e Honfleur.