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| 26/12/2008 | Enviar | Imprimir | Comentários: 2 | A A A |
(Artigo sem Avaliação)
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Lula e ele 

“Fiquei puto porque como pode um cidadão que nunca conversou comigo, que nunca tomou um copo de cerveja comigo, que nunca tomou um copo d’água comigo, fazer uma matéria de que eu bebia?” Essa foi a reação de Lula, em entrevista à Folha de São Paulo, a respeito da reportagem de Rohter que dizia que nosso presidente bebe demais.

O autor nos informa que acompanhava a carreira de Lula há muitos anos e já tinha tido muitos contatos com ele, e bebido água, ou Fanta Laranja “ou até uma cachacinha” com ele. A famosa reportagem foi publicada no domingo 9 de maio de 2004. Ironicamente, dia das mães. O repórter tinha mandado seu texto para Nova Iorque e viajado para Buenos Aires a serviço. Foi surpreendido por telefonemas que o alertavam que o governo estava criando um escândalo em cima do assunto.  

Infelizmente lá, como aqui, quem põe título na matéria não é o seu autor, mas alguém da redação que freqüentemente não tem tempo para ler o texto inteiro e por isso pode escrever bobagem. O título dado foi: “Gosto do dirigente brasileiro pela bebida torna-se preocupação nacional”. Isso não correspondia ao conteúdo, o qual deixava claro que essa preocupação estava restrita a políticos e jornalistas — o grande público não tinha tomado conhecimento do problema ainda. Esse exagero deu munição para os que queriam chamar o repórter de mentiroso.  “A resposta inicial foi bem o que eu esperava: uma explosão de nacionalismo, parte dela bastante hipócrita.” Pelo menos dois dos políticos que foram para a TV criticar ferozmente a reportagem tinham sido fontes da matéria, contando episódios de Lula bebendo.  Boa parte dos relatos da imprensa brasileira distorce os fatos e diz que Rohter fugiu para a Argentina com medo de retaliação. Ao contrário, ele já estava lá e assim que ele soube que a reportagem tinha saído voltou rapidamente. Ele estava preparado para ser processado, mas sem medo disso, já que os advogados do jornal tinham examinado minuciosamente o texto e o liberado como não tendo riscos de ser calunioso.

O que nosso autor não esperava era um decreto o expulsando do país.  O jornalista acha que o fato de Márcio Thomaz Bastos, ministro da justiça, estar fora do país contribuiu para essa tentativa tresloucada, iniciada por José Dirceu e Luiz Gushiken. Bastos, se estivesse ali, talvez mostrasse o erro da iniciativa. Mais tarde alguém contou a Rohter que foi dito a Lula que era anticonstitucional expulsá-lo porque ele era casado com brasileira. “Que se foda a constituição”, gritou Lula batendo na mesa. “Eu quero que ele vá embora”.  

O então senador e hoje governador do Rio, Sergio Cabral, entrou com um pedido de habeas corpus o qual foi concedido por um juiz do STF. Isso deu munição a Thomaz Bastos para convencer Lula a cancelar o decreto de expulsão. Foi feito um acordo pelo qual ambas as partes, governo brasileiro e o jornal, divulgariam o fim do incidente às 20 horas da sexta-feira. A hora parecia calculada pelo governo para não dar tempo aos jornais impressos que estariam fechando a edição do dia seguinte, e ao Jornal Nacional que estaria começando, para analisar o assunto ou até mesmo noticiá-lo.  

Acordo feito, acordo rompido. Duas horas antes do combinado Márcio convocou às pressas uma coletiva em São Paulo e inventou uma carta na qual Rohter pedia desculpas. Lula, generosamente, o perdoara. Tudo mentira. Os dois principais diários de São Paulo, o Estado e a Folha, perceberam a mentira e a noticiaram no dia seguinte, mas o Jornal Nacional optou por acreditar na versão mentirosa, usando as palavras “retratação” e “desculpa” quase uma dúzia de vezes.  O governo Lula saiu prejudicado do episódio. O fato de ele beber demais se tornou público, e a escandalosa tentativa de expulsão só serviu para chamar a atenção para isso. E quem acompanhou o assunto com atenção viu claramente a tentativa de abuso do poder, e a saída mentirosa de Márcio Thomaz Bastos.

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2 opiniões para o artigo: Deu no New York Times II

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Opinião de Markut
Na data: 26 de dezembro de 2008 as 19:52

Mesmo que estejamos diante de meias verdades, o que transparece cristalinamente é a sordidez dos bastidores e dos mecanismos para manipular e confundir a opinião pública.

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Opinião de Dorival Silva
Na data: 26 de dezembro de 2008 as 9:23

Eu me lembro de passar a prestar atenção nas reportagens do Larry Rohter no New York Times a partir desta do Lula bêbado, e ficava uma impressão clara de que o cara não gostava do Brasil.

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Atualizado 13/03/2010 18h45