Leia artigo do site parceiro Instituto Millenium
Instituições de ensino usam páginas próprias e até redes sociais como ferramentas de ensino. Por Fernanda Dias
A linda capital da Argentina é muito mais do que a Praça de Maio, Casa Rosada, Caminito, La Bombonera, Porto Madero e que tais. Por Hugo Souza.
Conheça sintomas, formas de prevenção e informações sobre viroses e diarreias
Nossa coluna semanal de críticas (construtivas) à imprensa
O leitor Markut comentou a carta do nosso colaborador Maurício Apolinário
Todo início de ano a mesma história se repete nas universidades brasileiras
Leia a crítica de Francisco Taunay sobre peças apresentadas no Rio Musical
Enquanto as ex-ditaduras respiram democracia, o país experimenta uma política inusitada. Por Claudio Carneiro.
Já havia escutado muito e me encantado com Os Mutantes e suas músicas psicodélicas e sensoriais, mas não tinha ideia, antes de assistir a esse filme, da importância deste grupo na história da música no Brasil. Os Mutantes, liderados por Arnaldo Baptista, são, segundo o filme — que entrevista uma série de pessoas importantes e conhecedoras de música, como Roberto Menescal, Tárik de Souza, Nelson Motta, Lobão e Tom Zé — a maior referência quando se fala no movimento da Tropicália no Brasil.
O filme acompanha a história de Arnaldo Baptista, que junto com Rita Lee, com quem era casado, e seu irmão Sérgio Baptista, compunham a formação original da banda. Uma das possibilidades que fazem um documentário ser bom é o fato de possuir personagens ou um personagem interessante; esse Loki, com o mesmo título do incensado álbum de Baptista, traz uma figura absolutamente ímpar, uma pessoa que conviveu com o sucesso e um absoluto ostracismo, enfrentando a barra das drogas, da separação e da aproximação com a morte: é um sobrevivente, que por ser um gênio, agir e pensar de forma diferente, sempre esteve em descompasso com o mundo real, sofrendo com as consequências disso.
Muito bem editado, com sequências que casam perfeitamente com a música, o filme foi filmado em formato digital com trinta quadros por segundo, e transposto para 24 quadros na pós-produção. A qualidade dos enquadramentos se juntou a um tratamento da imagem, talvez derivado mesmo da imperfectibilidade do vídeo, que deu um tom um pouco psicodélico às imagens, com matizes de cores fortes e com deformações interessantes. A pintura, arte que Arnaldo tem exercitado, se funde de forma exemplar à estética produzida no filme.
A história deste artista possui um valor não somente por se tratar do líder dos Mutantes, o grupo de Rock mais importante e original do Brasil, mas por sua trajetória enquanto ser humano, o que garante a universalidade do filme. Ele sai de uma situação de um sucesso incrível, transformado no mito do artista rebelde genial, para, após uma traumática separação, provavelmente catalisada pelas drogas, se transformar numa pessoa amargurada, com crises de loucura e que canta a dor de uma perda tardia da inocência. A tentativa de suicídio, que transforma completamente a vida de Arnaldo, com uma recuperação lenta e quase milagrosa, funciona como uma espécie de rito de passagem, onde o artista renasce para uma nova dimensão.
Tal como um xamã, que é descarnado e desossado pelos espíritos em uma gruta, para depois se recompor, o genial músico traz consigo os traços de seu sofrimento, e dá a volta por cima: após quase 20 anos de esquecimento e recuperação, refaz a formação dos mutantes e volta a produzir shows e discos. Para isso conta com o apoio da sua mulher, que ele chama de “minha menina”, uma fã que resolve cuidar desse sobrevivente. Dizendo que após o terrível acidente ele se aproximou como nunca dos velhos, das crianças e dos animais, Arnaldo possui uma sabedoria conquistada no sofrimento, e ao mesmo tempo a chance que só é dada àueles que tiveram experiências desse tipo, de fazer uma espécie de retorno à infância na idade adulta: enquanto as pessoas normais envelhecem e decaem a partir de certo ponto, eles parecem estar crescendo e se desenvolvendo, conquistando uma espécie de santidade que só é permitida aos doentes e aos loucos.
Estréias da Semana (03/ 07)
A Era do Gelo 3 – (Ice Age: Dawn of The Dinosaurs) EUA, 2009. Direção: Carlos Saldanha. Vozes no original: John Leguizamo, Denis Leary, Ray Romano. Duração: 96 min. Com exibição em 3D.
Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte (SP/RJ)
(L’instinct de mort) França/Canadá/Itália, 2008. Direção: Jean-François Richet. Elenco: Vincent Cassel, Cécile de France, Gérard Depardieu. Duração: 113 min.
Horas de Verão – (L’heure d’été) França, 2008. Direção: Olivier Assayas. Elenco: Juliette Binoche, Charles Berling, Jérémie Renier. Duração: 103 min.
Casamento Silencioso (SP)- (Nunta Muta) Romênia/Luxemburgo/França, 2008. Direção: Horatiu Malaele. Elenco: Vasile Albinet, Doru Ana, Ioana Anastasia Anton. Duração: 97 min. Paris- França, 2008. Direção: Cédric Klapisch. Elenco: Juliette Binoche, Romain Duris, Fabrice Luchini. Duração: 129 min.
Zico na Rede (RJ)- Brasil, 2009. Direção: Paulo Roscio. Duração: 60 min.
Compartilhe