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MUSICAL

Nigéria recebe espetáculo sobre Fela Kuti

Fela!, musical da Broadway sobre pai do afrobeat conquista plateia em Lagos, cidade natal do cantor

Nigéria recebe espetáculo sobre Fela Kuti
Depois de sucesso em Londres e Nova York, Fela! conquistou o público de Lagos

Um musical da Broadway sobre Fela Kuti, o hedonista nigeriano, pai do afrobeat, uma fusão de jazz, funk e ritmos africanos, chegou a Lagos durante a Páscoa. “Fela!” venceu uma série de prêmios em Nova York, e lotou teatros em Londres. Mas o teste de fogo seria conquistar a frenética cidade na qual Kuti manteve sua pequena comunidade e seu clube noturno.

De suas raízes na classe média da cidade de Abeokuta, a suas críticas aos governantes nigerianos das décadas de 1970 e 1980, os moradores de Lagos conhecem a história de Kuti de cor. Quatorze anos após a sua morte, suas canções ainda ecoam pelos alto-falantes dos automóveis, e seus filhos ainda realizam concertos no Shrine, seu clube noturno movido a drogas.

Nigerianos pareciam encantados com o espetáculo em sua noite de abertura, e cantaram em coro todas as canções do repertório. O público riu quando dançarinos levantaram cartazes com os nomes de antigos governantes durante o sucesso “International Thief” (“Ladrão internacional”, um trocadilho com a ITT Corporation). Um membro da plateia berrou “passe adiante!” quando o ator que interpretava Fela Kuti acendeu um (falso) cigarro de maconha no palco.

O espetáculo trouxa à tona muito sobre a Nigéria atual. A exibição aconteceu no Eko Hotel, o palco mais luxuoso de Lagos, o que pode parecer estranho, considerando a imagem de Kuti como um homem do povo. Mas a classe média nigeriana, embora ainda pequena, está crescendo. Companhias estrangeiras que vendem de smartphones a lustra-móveis na África dizem que as vendas estão aumentando no país mais populoso do continente. Uma grande porção dos moradores de Lagos pode gastar 5000 nairas (US$ 32) em um ingresso de teatro.

“A música de Fela fala sobre as pessoas nas ruas”, diz Duro Ikujenyo, que costumava tocar teclados em uma das bandas de Kuti, e que foi à estreia do espetáculo. “Mas sua música não mantinha as pessoas nas ruas. Ela as elevava”.

Enquanto isso, muitos nigerianos dizem que as letras de Kuti sobre aqules que desviam dinheiro são mais atuais que nunca. Ainda que Goodluck Jonathan – que foi reeleito como presidente na semana passada – tenha algum apoio público, muitos vêem o Partido Democrático do Povo (PDP) como um partido profundamente corrompido após uma década no poder.

James Ibori, ex-governador estadual do PDP, foi extraditado em abril para o Reino Unido, onde responderá a 25 acusações de lavagem de dinheiro e fraude. O órgão anticorrupção do governo nacional acusou Ibori de roubar US$ 292 milhões dos cofres públicos, mas suas investigações sobre outros políticos já se arrastaram por anos, sem conclusão alguma. Não chega a ser uma surpresa, portanto, que um dos filhos de Kuti, Seun, cante em uma de suas faixas: “Temos problemas com moradia… temos problemas na educação… e nossos líderes não ligam para nós“.

Fontes:
The Economist - Coming home

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