A TV é uma via de mão única, onde o discurso vem pronto

Redução de pena

Governo quer tornar presos devoradores de livros

Leitura dos livros da série 'Crepúsculo' vai valer a detentos alguns dias a menos na prisão

Tratamento para Anorexia

Muitas ou poucas calorias, eis a questão!

Estudos sugerem que pacientes poderiam ser alimentados de forma mais agressiva

Coluna Esplanada

Lupi e Dilma vão escolher novo ministro

Lupi deve conversar na sexta com a presidente Dilma e levar uma lista com três nomes

Tecnologia

A eternidade do livro impresso

Avanços não significam a morte de tecnologias anteriores

Nesta Data

Mandela: primeiro presidente negro da África do Sul

Nelson Mandela assumiu o cargo em 9 de fevereiro de 1994

Turismo

A Santorini dos apaixonados

Ponto alto da visita é assistir o pôr do sol. Por Fernanda Costta*

Cinema

Trilogia 'Millenium' em todos os formatos

Além de filme, livros de Stieg Larsson também viraram minissérie

Opinião Pública

Leitor comenta conflitos no Oriente Médio

A Opinião Pública da semana é de Vanderlei Alves P. Junior

Desabamento no Rio

Obras deveriam ser fiscalizadas pela prefeitura

Tragédia provoca debate sobre a eficiência dos processos de licenciamento e fiscalização

Economês

O mercado fala, mas o consumidor nem sempre ouve

Sinais não-verbais podem nos ajudar se os identificarmos

Cinema

Estreias dos filmes da semana

Veja os trailers e as sinopses dos lançamentos nos cinemas

Crítica de Cinema

A Música Segundo Tom Jobim

Documentário é uma emocionante sinfonia de som e imagem

Grita Brasil

Ai, ai se eu te pego!

Obras no Rio se tornaram caso de polícia. E achar um culpado vai ser difícil. Ai se eu te pego!

Crítica de cinema

O Totalitarismo das Imagens Cinéticas

Confira a coluna semanal de Francisco Taunay

18/06/2010 | Enviar | Imprimir | Comentários: 7 | A A A

Quando era criança, numa aula onde os pais falavam sobre sua profissão, assisti ao atual diretor da Biblioteca Nacional, pai de uma amiga, falar sobre a teoria da comunicação. Ele direcionou seu discurso especificamente sobre a TV e relacionou a televisão com o mito de Narciso. Narciso era um jovem deslumbrante, que, ao avistar seu reflexo nas águas de um lago, se apaixonou pela própria imagem e se afogou ao tentar pegá-la.

Confira as ESTREIAS DA SEMANA

O intelectual, ao se utilizar do mito, quis mostrar que a TV é uma via de mão única, onde o discurso vem pronto e é simplesmente assimilado pelo espectador, que não participa de forma ativa nesta relação, como no caso de um diálogo entre duas pessoas. A partir daí sempre desconfiei desses programas educativos, estilo Telecurso Segundo Grau, uma vez que o diálogo que existe na sala de aula entre professor e aluno não se dá num curso pela TV.

Com a internet, isso se modificou bastante, mas nada supera a relação presente entre as pessoas, o olhar, a conversa, etc. O Teatro, por exemplo, é talvez a exaltação maior do encontro entre os seres humanos. Mas pensando agora no cinema, programas de TV, jogos eletrônicos, e outras formas de imagens em movimento, podemos perceber que elas têm um universo comum, uma espécie de morada, que é a tela.

Outro dia, ao pegar um ônibus, não consegui sequer olhar pela janela, ou perceber as pessoas no interior, ou mesmo experimentar aquela sensação incrível de mergulhar no próprio interior, se ensimesmar, esquecendo da atmosfera externa: haviam dois monitores de TV que sugavam minha atenção. Nos elevadores, restaurantes, outdoors brilhantes que decoram a cidade, nas casas, no cabeleireiro, nas portarias, em todos os lugares, as imagens cinéticas se multiplicam.

Andruchak - painel7 - olhando o futuro

Andruchak - painel7 - olhando o futuro

Esse universo das telas bidimensional compete com o nosso de várias formas. Apresenta pessoas e objetos filmados, que passaram da realidade em 3D para a tela em 2D. Imagens geradas por computador, que têm uma espécie de vida própria, sem referência direta no real, e outros tipos, que no futuro podem ser até imagens inteligentes, que mudam de forma ao avistar este ou aquele espectador.

Existe mesmo uma espécie de competição entre o crescente universo 2D das telas e o nosso. Será um plano, uma espécie de artimanha diabólica, das imagens em movimento, para suprimir o real? Lembro-me de um conto de ficção científica de Ray Bradbury, onde uma nave pousa em um planeta (seria Marte?) distante, e logo em seguida sua tripulação, ao sair para fazer o reconhecimento, encontra a sua cidade natal, com todos os seus habitantes, seus parentes, que são super receptivos, apesar da incredulidade dos recém-chegados.

Este novo mundo exatamente igual ao original, encanta a todos, que dormindo em suas respectivas casas, são aniquilados pelos extraterrestres que haviam se mimetizado em humanos. Assim, qual será o efeito do mundo da tela, ao reproduzir e substituir o real, nas nossas mentes e corpos?

Nada como os exercícios de corpo, a dança, os trabalhos manuais, para nos lembrar que somos feitos de carne e osso, e pertencemos ao universo tridimensional; ou daqui a pouco vamos começar a trombar com as vitrines e janelas, nos esquecendo do universo sensível e tentando pertencer ao mundo das imagens em movimento.

Compartilhe

Tópicos Relacionados

, , , ,

 

Sua Opinião

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Estado

Cidade

Todas as Opiniões

7 opiniões para o artigo: O Totalitarismo das Imagens Cinéticas

Gravatar
Opinião de André Ribeiro (Brasília, Distrito Federal)
Na data: 21 de junho de 2010 as 23:18

O avanço das novas tecnologias vem transformando cada vez mais a ficção em nossa realidade. Isso tudo só foi possível com os demais trabalhos, como é o exemplo dos livros de FHC comentado aqui, ou das fantásticas pinturas de Andruchak, que ilustra a matéria. Não podemos nos esquecer das demais áreas do conhecimento que juntas formam a gama de elementos que nos proporciona esta avalanche de novidades: monitores de tvs, computadores, celulares, mp3, 4, 5, … e uma infinidade de “gadgets” que vêm surgindo todos os dias no mercado. Por decerto que a arte estará sempre permeada neste universo mas depende apenas de nós humanos decidir o quanto queremos nos informatizar.

Gravatar
Opinião de Dorival Silva
Na data: 20 de junho de 2010 as 21:31

FHC não se intitulou um intelectual. Sua carreira acadêmica, com mestrado e doutorado, longa carreira como professor com muitos livros publicados, o fez tal. O mesmo com sua mulher, Da. Ruth, respeitada internacionalmente como socióloga.

Gravatar
Opinião de Nueli Medeiros
Na data: 20 de junho de 2010 as 15:12

Bom dia.
Tecnologia, esse termo que vem do grego “Ofício” “Estudo” envolve conhecimento técnico, científico e um processo enorme de materiais que damos o nome de ferramentas, criados e utilizados a partir de tal conhecimento e, que na área de comunicação é uma das maiores responsáveis pela globalização, realmente a comparação do mestre em sala de aula diria que foi profética… Um mergulho sem volta. E como a palavra exclusão não soa bem aos nossos ouvidos, porque ficar à margem da sociedade da informação e da expansão digital, se hoje temos a democratização do acesso às tecnologias da informação de forma a permitir a inserção de todos? Saber usar essas ferramentas em proveito próprio e da sociedade em geral é quase divino… Talvez uma forma de democratizar o conhecimento e a cultura, uma forma de fazer chegar aos brasileiros e demais povos “aculturados” as maravilhas de França pregadas pelos nossos sábios representates da elite culta!

Gravatar
Opinião de Marcus (Juiz de Fora, Minas Gerais)
Na data: 20 de junho de 2010 as 15:02

Interessante…
Não sou intelectual, nem desejo se-lo, desde que FHC se intitulou um deles… Mas amante da música e do conhecimento matemático, admirador de Arquimedes, Aristóteles, Pitágoras, Fermat, Descartes, Pascal, ficava incomodado pela suprema ignorância no tocante a dança, e a pintura. Até que em reflexão no silêncio do meu quarto entendi que não se pode gostar daquilo que não se pode compreender, assim como não se pode ser inteligente sendo preconceituoso. não há como afirmar que qualquer meio de difusão de sabedoria, conhecimento e cultura não seja ao mesmo tempo profícuo e perigoso.
Desde a antiguidade fala-se em “escolas” como centro de difusão de tendências intelectuais. Assim desde a pré-escola estamos sujeitos à sutil imposição de convicções de nossos ensinadores, sejam eles de “direita ou esquerda”, amantes do teatro ou do futebol.
Alguns amam a música erudita. Entretanto esta não merece mais respeito que os ritmos sudaneses ou centro-americanos, simplesmente porque me dão ou lhes dão mais status. Cultura é antes de tudo RESPEITO.

Gravatar
Opinião de Helio (Rio de Janeiro)
Na data: 19 de junho de 2010 as 10:30

Taunay e os leitores estão ótimos. Os franceses até já deram o nome pro vício atraente que telefone, internet, cinema, teatro, tv, artes plásticas, música, meditação, literatura etc. nos oferecem para nos desviar de encontros com gente de carne e osso. Fugir pode sempre acontecer em 2D ou 3D, só não deve ocupar mais que 40% da vida. Haja coragem.

Gravatar
Opinião de Markut (São Paulo)
Na data: 18 de junho de 2010 as 11:36

Excelente a análise de Taunay , que extravasa a questão cinema, propriamente dito, para se reportar a esta “nova realidade”que a tela 2D induz na verdadeira, em 3D.
Caminhamos cada vez mais para a substituição do mundo real pelo mundo virtual.
Será um mundo a contemplar, sem tirar o bum bum da cadeira, afastando o seu semelhante, eliminando o bom e o mau do contato físico, do olho no olho.
Sem contar que, a essa altura, sem levantar o bum bum da cadeira e devidamente providos de hamburgueres e refrigerantes, passaremos , facilmente, à condição de obesos mórbidos.
Segundo Darwin, seremos a nova espécie, devidamente adaptada às novas condições.

Gravatar
Opinião de Rubenalvo Borzeguim
Na data: 18 de junho de 2010 as 9:29

Sensacional, Francisco, bela análise. Os franceses chamam a TV de “chevingum des yeux”, numa alusão ao chiclete (chewing gum) que mastigamos automaticamente, mesmo depois que perdeu o gosto…
Mas fora um ou outro teatro experimental dos anos 70, uma ou outra instalação em artes plásticas, toda arte é de mão única, centro –> periferia. Claro que, com o tempo, a periferia influi sobre o centro, mas essa influência se incorpora e se torna, de novo, centro.