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O nome de George W. Bush parecia estar destinado ao esquecimento que a história reserva aos governantes incompetentes ou desafortunados, mas eis que surge um filme, uma mistura de ficção e documentário, para nos lembrar do antecessor de Barack Obama. E não se trata de um filme qualquer: dirigido por Oliver Stone (“Assassinos Por Natureza” e “Platoon”), que já havia feito filmes que ficcionavam a história política americana, como JFK, ele simplesmente destrói a figura do ex-presidente americano.
É notável como a ficção no cinema é poderosa. Interpretado admiravelmente por Josh Brolin, Bush aparece como uma espécie de caricatura, uma aberração, que ao mesmo tempo possui os mesmos trejeitos de fala e de movimento do, digamos, original. Cercado de grandes atores, que representam a equipe de conselheiros e políticos que servem ao presidente, com destaque para Richard Dreyfuss, que interpreta o vice Dick Cheney, o presidente americano do filme é um erro, em todas as acepções da palavra. Essa espécie de biografia mostra um Bush alcoólotra, que passa grande parte da juventude a pular de trabalho em trabalho, sempre amparado pelo pai, decepcionado com ele e preferindo seu irmão. Ao largar o vício, ele exacerba sua religiosidade, levando para a Casa Branca todo fanatismo que nortearia suas decisões.
A Guerra do Iraque vira então, sob esta perspectiva psicologizante, uma resolução geopolítica amparada na necessidade da afirmação perante ao pai, George Bush, que não havia terminado o serviço, vencendo Saddam Hussein em seu mandato. A fome de petróleo, fustigada pela influência do vice, representante de empresas petrolíferas, também é responsável pela decisão de enviar e manter as tropas americanas no Oriente Médio. As resistências internas a este ato demente são exemplarmente representadas pelo general Colin Powell, que diz: “esta decisão vai roubar todas as suas energias; cada ato de seu governo vai ficar pequeno em relação a isto.”
Estão lá todos os outros acontecimentos importantes, que acompanhamos pela imprensa, sempre caricaturados na figura débil de um Bush que come de boca aberta e fala de boca cheia: A descoberta de que o Iraque não possuía armas de destruição em massa e, com isso, a mudança de discurso para a tentativa de levar liberdade à região através da democracia. O enfraquecimento do governo, com as mortes dos soldados americanos e sua saída melancólica, inclusive com direito à trapalhadas numa coletiva de imprensa. Todos no filme, desde as mães dos soldados feridos até os assessores próximos, parecem reprovar esse Bush imbecil, que é muito próximo da realidade. É importante ressaltar que não se trata de uma comédia, e o filme é sempre intremesclado com imagens cedidas gratuitamente pelas emissoras de TV.
Considerando que W foi lançado nos EUA ainda no final do governo Bush, podemos acreditar na democracia e esperar, aqui na terrinha, o filme que Fábio Barreto faz sobre o presidente Lula. Fica a sugestão: por que não filmar figuras históricas como Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros ou Roberto Jeferson? Aqui não há criminosos de guerra, alguns dos nossos personagens preferem condenar o povo a uma morte lenta, na fila dos hospitais ou da aposentadoria, enquanto usam o dinheiro de todos, fruto do trabalho de todos, para se lambusarem em suas vidas desprezíveis. Será que dá um filme? Quanto tempo vamos aguentar assistir?