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Contos de fadas

Era uma vez… outra vez e outra vez

Heróis apaixonados, belas princesas e rainhas más passam por reciclagem através dos séculos e seguem encantando o público, no cinema e na TV. Por Solange Noronha

Era uma vez… outra vez e outra vez
Charlize Theron em 'Branca de Neve e o caçador' (Reprodução/Internet)

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Quem não conhece Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Cinderela e Branca de Neve? Estas e muitas outras personagens dos contos de fadas passeiam por bosques, castelos, reinos cheios de magia e pela imaginação das gentes geração após geração. Contadas e recontadas oralmente, depois escritas e, mais tarde, levadas às telas, elas são uma fonte inesgotável de inspiração, permitindo as mais variadas adaptações e combinações: todos podem viver numa só terra encantada, como em “Shrek”; o Gato de Botas pode ter sido colega de orfanato de Humpty Dumpty, cujo sonho é ser João e escalar o pé de feijão etc. etc.

“Once upon a time”, série que cativou a audiência nos EUA

Comece com o tradicional “era uma vez…” — ou, em inglês, “Once upon a time”, título da série que cativou a audiência nos Estados Unidos e que, segundo sites especializados, pode chegar a estas bandas pelo canal Sony. Ginnifer Goodwin (a Margene, de “Amor imenso”) e Jennifer Morrison (a Dra. Cameron, de “House”) são as estrelas dessa história em que a primeira foi, um dia, a Branca de Neve e a outra seria sua filha, capaz de quebrar o encanto que acabou com os finais felizes e aprisionou o mundo da fantasia no mundo de verdade: uma cidadezinha sem saída no Maine, onde os grandes vilões são a prefeita (Lana Parrilla) — não por acaso, Regina — e o todo-poderoso Mr. Gold (Robert Carlyle) — mas pode chamar de Rumpelstiltskin.

O sucesso é tanto que já há notícias de que a rede norte-americana ABC encomendou um piloto de outro seriado do gênero, com base na trama de “A Bela e a Fera”, para testar na próxima temporada de estreias.

A princesa da vez

“Espelho, espelho meu”: rainha má é Julia Roberts

Diz o espelho, porém, que Branca de Neve é a favorita do momento. Além de estrelar “Once upon a time”, a princesa vem aí em dois filmes, com madrastas lindas — e, em todas as versões, com ares de guerreira. Em “Espelho, espelho meu”, previsto para 6 de abril, a rainha má é ninguém menos que Julia Roberts. A produção tem ares de comédia e faz a atriz brincar com a vaidade da personagem, submetendo-se a tratamentos que parecem de ficção, mas têm um pé — e mãos, barriga, rosto, seios, cabelos etc. — na indústria cosmética do século XXI.

O espelho do título ganha um toque de “O retrato de Dorian Gray” e, como na supracitada série, há uma lição a ser aprendida: toda magia tem um preço. As outras aulas — de conscientização política e técnicas de combate — são dadas a Branca pelos sete anões bandoleiros, batizados com nomes bem diferentes dos tradicionais — tem Lobo, Açougueiro e até algo como Chope Pequeno (Half Pint).

A vez do caçador

No dia 1º de junho, estreia nos EUA, no Brasil e em outros países “Branca de Neve e o caçador”, em que é este — na pele de Chris Hemsworth, astro de “Thor” — o responsável por transformar a desafortunada órfã em exímia lutadora. A julgar pelos trailers já divulgados na rede, trata-se de uma superprodução e seu desafio é fazer Kristen Stewart superar a beleza de Charlize Theron. Só mesmo esperando para descobrir que plástica (ou mágica) foi feita.

Seria também o caçador o protagonista de “Grimm”, seriado da NBC exibido aqui no Universal, que já garantiu segunda temporada. No entanto, mesmo com a assinatura dos criadores de “Buffy” e “Angel”, ele não tem a pegada de seus antecessores. Para os fãs das histórias de Andersen, Pérrault, Monteiro Lobato e dos irmãos Grimm, é quase um sacrilégio ver todos os míticos personagens dos contos da carochinha transformados em monstros com estranhas designações alemãs, nada mais.

Se falta um David Boreanaz, salva-se Silas Weir Mitchell, o “blutbad” (banho de sangue?) que já foi lobo mau, virou vegetariano e conserta relógios para não pensar em comer a Chapeuzinho. É pouco para as infinitas possibilidades que os clássicos infantis oferecem. Infelizmente, não se pode desejar de todo adaptador o talento de um Jean Cocteau — ou Terry Gilliam, ou Tim Burton — a cada novo “era uma vez”.

Veja o trailer de “Branca de Neve e o Caçador”

 

Caro leitor,

Qual é a sua versão preferida dos contos de fadas adaptadas para o cinema?

Dos cineastas atuais que apreciam a fantasia — como os acima mencionados Terry Gilliam (“As aventuras do Barão de Münchausen”, “Os Irmãos Grimm”) e Tim Burton (“Alice no país das maravilhas”) — tem algum favorito?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Luiz Mourão disse:

    Basta ESTUDAR a História da Humanidade para ver o quanto reis, rainhas, príncipes, princesas, barões e baronesas, condes e condessas, duques e duquesas, e toda essa corja têm ATORMENTADO a vida de seus povos mantendo-os na submissão e na ignorância e na ausência de direitos…
    Essa associação entre esses títulos aristocráticos e o BEM (e a BELEZA, é claro; quem já viu uma princesa feia???) é danosa à Consciência que se deve ter da História do Homem…
    Abomino todas essas histórias…

  2. Sister Moon disse:

    Penso que, como folclore é cultura popular milenar, isso “fala” de volta ao que o velho Jung chamou de “inconsciente coletivo”. Daí obras baseadas em histórias de fadas serem uma boa aposta, em termos de sucesso. São mesmo uma fonte inesgotável de inspiração, conforme a Sister Solange destaca neste – como sempre – ótimo texto. Mas, data vênia, vou defender o “Grimm”: achei uma grande “sacada” a ideia de que o protagonista é capaz de “ver” criaturas que vivem entre nós, com aparência humana, por ser da mesma e privilegiada raça a que pertenciam os famosos irmãos – que, por terem tal dom, teriam escrito os imortais contos. Bem, pelo menos concordamos que o lobisomem amigo do “Grimm” só por si é show, mesmo que nem todos os episódios sejam maravilhosos. Abs da Sister Moon

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